Fintechs provam que segurança é inovação contra fraudes digitais

Segundo Rodrigo Tognini, CEO e cofundador da Conta Simples, Web Summit mostrou como fintech estão na linha de frente desta luta

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Conta Simples
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Com mais de cinco anos de mercado, a Conta Simples é a principal plataforma de gestão de despesas corporativas do Brasil. A companhia tem o propósito de oferecer autonomia para equipes e controle dos gastos financeiros das empresas, e disponibiliza em seu portfólio uma gama completa de soluções, desde uma plataforma de gestão de despesas por meio de múltiplos cartões corporativos, além da conta PJ. Em 2024, foi reconhecida como uma das 100 fintechs mais promissoras do mundo pela CB Insights, lista que identifica empresas que estão transformando o cenário financeiro global. Ao todo, já são mais de 30 mil clientes ativos em sua plataforma, além de mais de 500 mil cartões criados. Somente em 2023, a empresa transacionou o valor de R$18 bilhões.

*Rodrigo Tognini, CEO e cofundador da Conta Simples

No palco principal do Web Summit Rio, o maior evento de inovação do mundo, tive a oportunidade de discutir a batalha contra as fraudes online. O debate reforçou que as fintechs estão na linha de frente dessa luta, usando a tecnologia e a colaboração como armas para proteger clientes e empresas.

Um dos pontos de partida da discussão foi a chamada “scamdemic” — junção dos termos scam (golpe) e pandemic (pandemia) —, termo criado a partir do período pandêmico da Covid-19, momento que trouxe um aumento de crimes digitais no setor financeiro. Segundo o “Relatório Global sobre Tendências de Fraude Digital Omnichannel 2023”, da TransUnion, as tentativas de fraude em transações online aumentaram 80% globalmente entre 2019 e 2022, e 144% só no Brasil.

Apesar do fim da pandemia, os ataques só se desenvolveram e continuaram aumentando devido ao crescimento digital acelerado. Técnicas como phishing avançado, engenharia social automatizada e deepfakes elevaram o nível das ameaças. Vemos isso no próprio território brasileiro, onde a Serasa Experian aponta que as tentativas de fraudes bancárias tiveram uma alta de 10,4% em 2024, em relação ao ano anterior.

Se os golpes evoluíram, a resposta precisou ser ainda mais sofisticada. É nesse ponto que as fintechs têm se posicionado como protagonistas, não apenas vítimas passivas. O setor investe em ferramentas tecnológicas e compartilha conhecimentos para que as operações financeiras da era digital aconteçam de forma segura.

No Web Summit, percebemos essa preocupação a partir das conversas sobre Inteligência Artificial (IA) e biometria, tecnologias utilizadas por muitas empresas como recursos de verificação em tempo real, capazes de barrar tentativas de golpe antes mesmo que uma conta seja criada.

Future Market Insights ilustra um pouco desse cenário ao revelar que as receitas geradas por IA em soluções de gestão de fraudes devem atingir mais de US$ 57 milhões até 2033.

Além disso, as fintechs buscam colaborar constantemente com bancos tradicionais e órgãos nessa luta. O exemplo brasileiro no contexto do Pix é ilustrativo, em que os players atuaram para criar mecanismos de prevenção e resposta para ações criminosas. Hoje, o ecossistema nacional é um dos mais ágeis e resilientes do mundo, justamente porque possui bases de dados amplas, diversas e, sobretudo, integradas.

Cultura como camada estratégica de proteção

Durante o painel, a conclusão foi unânime: a tecnologia é indispensável, mas não resolve tudo. O elo mais frágil ainda é o fator humano. Por isso existe a urgência de se ampliar os programas de educação e conscientização sobre golpes digitais, tanto para usuários quanto para times internos.

Criar uma cultura organizacional voltada à prevenção — com treinamentos contínuos, processos bem definidos e incentivos à ética — é tão importante quanto investir em novas ferramentas. Só assim será possível redefinir não só a forma como lidamos com o dinheiro, mas também a possibilidade de nos sentirmos mais seguros em manter o nosso dinheiro em uma instituição financeira.

As fintechs já entenderam que a confiança será o principal diferencial competitivo do mercado. Que cada vez mais empresas possam assumir esse compromisso, que mira um futuro seguro e transparente.

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