Por Pedro Zambarda, editor-chefe. TEM SPOILERS NO TEXTO E NO VÍDEO.
Com trabalho sonoro do talentoso Thiago Adamo, Mother Gaia Studio fez um trabalho primoroso, histórico e cultural com A Investigação Póstuma transformando Machado de Assis em videogame. E o enredo do jogo indie brasileiro com as publishers CriticalLeap e Infini Fun não conta apenas sobre Brás Cubas e sua misteriosa morte.
Conta sobre Capitu e Dom Casmurro e seus olhos oblíquos com o advogado Ben Santiago, Quincas Borba velho e cão, além de Rubião, a história da família Cubas e os cenários que vão desbravando com as perguntas corretas. A elite do Rio de Janeiro versus grevistas. Revive grandes adventures, como Full Throttle imortalizado nos anos 1990, mas traz o enredo, os detalhes e o traço tipicamente do Brasil.
A Investigação Póstuma é, desde Bem Feito, jogo indie que chegou a aparecer até em sonho, o game independente que mais me envolveu. A construção dele é de colocar o personagem, o investigador, em comandos simples, pegar determinados itens e combinar com conversar para entender a história.
Brás Cubas, o homem morto, direciona a sua gameplay, mas você é livre para explorar personagens em ordens diferentes.
Correspondência não óbvia com o livro
Mother Gaia Studio optou por não fazer uma adaptação literal da escrita machadiana, mas seus elementos principais estão na tela e as demais obras também. O resultado final é plantar sementes para que jovens leiam os livros.
O estúdio então libera para você escolher o autor da morte que desencadeia a investigação. O objetivo não é entrega múltiplos finais. E sim desenvolver o nexo com aquelas histórias que você observou.
É um exercício de roteiro honesto.
Os puzzles não são tão complicados – o que me agrada. Eu odeio puzzles.
LEIA TAMBÉM: Como é bom ter um jogo sobre Machado de Assis! A Investigação Póstuma, uma resenha
Notas
- Gráficos: 10
- Jogabilidade: 10
- Som: 10
- Replay: 10
- Nota final: 10
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.