Que a cena brasileira de games está cada dia mais forte não temos dúvida, o talento nacional e a capacidade de criação são singulares. Agora nunca imaginei um sucessor espiritual de “Streets of Rage” jogado numa Brasília do futuro e seus arredores, meu personagem rebelde enchendo de socos o “Supervisor Silva” numa fuga da cadeia!
ZAMBURÁ é o próximo game ainda em desenvolvimento pela Uruca Game Studio. Para quem não conhece este é um estúdio independente localizado em Brasília, na capital federal do Brasil, fundada em 2013 por Philippe Alves Lepletier e, desde então, desenvolvendo jogos para diversas plataformas com objetivo de criar experiências divertidas e inovadoras, explorando novos tipos de jogabilidade que possam proporcionar experiências interativas e revolucionárias.
Daí vem este Zamburá: o enredo se passa em numa versão futurista e distópica de Brasília que agora é uma megacidade controlada por ciborgues autoritários do mal, é claro, que buscam eliminar manifestações culturais, espirituais e religiosas que não obedecerem as ordens corporativas. Existe aí uma resistência contra essa opressão à partir das cidades satélites (entorno de Brasília) onde ainda se preservam as tradições baseadas em matrizes africanas, indígenas e europeias.
Nós jogadores controlamos a Nala e o Makori, dois personagens que utilizam socos, voadores e itens em mapas que simbolizam as ruas da capital. Nala usa bastão eletrônico letal e Makori duas tonfas integradas aos seus braços chamadas M’botu, garantindo dinâmicas de combate ligeiramente diferenciadas. Claro que os golpes especiais consomem a vida dos personagens, senão cadê o desafio? 😀
Há aqui uma mecânica de jogo de búzios que se soma ao combate tradicional e uma tempestade de integrações culturais de matrizes africanas, um toque apimentado do nosso tempero brasileiro que adorei encontrar nessa demo. Além do combate e da exploração das fases num gráfico feito à mão ou “2.5D estilizado” com / sem IA, há uma interação com uma sacerdotisa que joga búzios, sim isso mesmo, aquela cena mística tradicional… com essa mecânica de oráculo o jogador fica sabendo da próxima missão, itens secretos, inimigos, um briefing guiado pelo além!
O nome do jogo “Zamburá” é uma palavra de matriz africana que significa a consulta e a leitura dos búzios, um método usado para obter orientações espirituais de um oráculo/espírito e prever o futuro ou solucionar problemas. Sigam de perto e apoiem esse projeto nacional que promete! Joguem a demo, participem, enviem sugestões, o futuro dos games está nos indies e em projetos que reforcem nossa identidade multicultural brasileira! Gostei bastante da jogabilidade, sei que ainda está em fase bem inicial e que há muita coisa a ser melhorada, mas a fundação para uma boa construção está la: tem ação, tem pancadaria, tem uma aura mística e tem o respeito à nossa multicultura brasileira. Aprovado, não vejo a hora de jogar a versão final!
Site oficial: https://www.urucagames.com.br/
Projeto do Jogo: https://uruca-games.itch.io/zambura
Vídeo oficial:
Zamburá tem o apoio do da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e também do Fundo de Apoio à Cultura do Governo do Distrito Federal e do Governo do Brasil.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.