Por Pedro Zambarda, editor-chefe. CONTÉM SPOILERS.
Após uma segunda temporada mais fraca, A Casa do Dragão, House of Dragon, prequel das Crônicas de Gelo e Fogo, Game of Thrones, ganhou uma terceira com dois episódios com tom de final de temporada. Rhaenyra Targaryen, filha do sábio rei Viserys e ancestral de Daenerys, é trancada pelo próprio filho bastardo Jace em uma batalha de dragões.
Jovem e amador, Jace é abatido na batalha, o que leva Rhaenyra ao desespero diante da Guerra entre Pretos e Verdes, tema do livro Fogo e Sangue, obra que deu origem ao spin-off. Tomada pela raiva, a herdeira guerreira, se sentindo ursupada pela família Hightower e seu meio-irmão Aegon II, marcha para Kings Landing e dá seu golpe de Estado.
Com ajuda da antiga inimiga, Alicent Hightower, que remove as proteções da capital de Westeros e dos sete reinos.
Rhaenyra dá o golpe com seu tio e marido, Daemon Targaryen, e eles chegam assassinando os traidores para torná-la rainha. O tio então encontra Otto Hightower, o pai de Alicent e que colocou ela e seu filho no poder, nas catacumbas do castelo.
Daemon deixa Otto de joelhos e avisa Rhaenyra que ela só será rainha se, pessoalmente, decapitá-lo. Embora seja experiente no combate montada em dragões – e tenha quatro protegendo seu reino, incluindo montados por herdeiros bastardos da casa Targaryen -, a nova rainha hesita na execução.
E esse é o presságio dos problemas políticos nessa narrativa cativante.
Reinar não é fácil
Game of Thrones e as Crônicas de Gelo e Fogo, tanto a adaptação da HBO quanto os livros, são obras que mergulham em tramas políticas com mais densidade do que meros combates ou a ambientação fantástica que vimos em Tolkien e no Senhor dos Aneis. Os episódios de calmaria de House of Dragon são justamente os mais instigantes, assim como foi no Jogo dos Tronos.
Rhaenyra foi criada por um rei sábio e pacifista. E se casou com seu tio, um guerreiro com sede de sangue, para construir uma família em torno de um ideário genocida de sangue puro. “Somos Deuses”, diz Daemon para a mulher que ele colocou no poder, o local que ele próprio queria ocupar.
Mas sentar no trono de espadas unidas e derretidas não é simples e reflete muito da política que encaramos no mundo contemporâneo. Rhaenyra herda, com a traição de Aegon II, uma corte sem dinheiro, com poucos alimentos e uma crise econômica entre elites e povo.
Busca, sobretudo devido às memórias, gerenciar os Sete Reinos com a mesma sabedoria de seu pai. “Nossos pais construíram aquele mundo para eles. Nós não estávamos nesse lugar”, diz Alicent para Rhaenyra em um dos conselhos mais amargos e verdadeiros de duas mulheres que foram criadas juntas e tomaram lados opostos em uma guerra fraticida dentro da família Targaryen que dominou Westeros com seus dragões.
O reinado errante de Rhaenyra vai culminar na extinção dos lagartos gigantes e mágicos que colocaram a humanidade de joelhos. Monstros que só serão recuperados nas etapas finais do épico político de George R.R. Martin.
A rainha errante, cercada por ratos, tem duas escolhas: Buscar a sobriedade do reino de seu pai, que teve o luxo de ter anos de paz, ou apelar aos dragões e se tornar cruel? Fogo e sangue estão a vista.
House of Dragon está rolando nessas semanas aos domingos pelo streaming da HBO. Vou acompanhando aqui e contando para vocês.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.