Participar da NRF (National Retail Federation) é sempre uma imersão intensa. Entre o frio cortante da cidade e o calor das discussões no Javits Center, o recado de 2026 foi inequívoco: o “futuro” chegou e ele não espera por quem ainda está no modo de teste.
Se você atua com tecnologia, liderança ou estratégia, estas são as quatro frentes que agora ditam as regras do jogo:
1. O Surgimento do “Agentic Commerce”
Este foi o termo mais ouvido nos corredores. Não se trata apenas de colocar um chatbot no site. Estamos falando de Agentes de IA que possuem autonomia para tomar decisões de compra pelo consumidor.
- A Mudança: O cliente não navega mais apenas por categorias; ele relata uma intenção (ex: “preciso de um look para um casamento ao ar livre no outono”) e a IA faz a curadoria, decide o tamanho e sugere a finalização.
- O Desafio: Sua marca agora precisa ser “encontrável” não apenas por humanos, mas por sistemas de inteligência que recomendam e fecham o carrinho.
2. IA como Infraestrutura, não como Vitrine

A fase da “IA de prateleira” acabou. Na NRF 2026, os grandes players mostraram que a Inteligência Artificial agora é parte da base operacional.
- Foco em Dados: Modelos sofisticados não valem nada sem dados limpos e organizados. A prioridade estratégica mudou da “ferramenta bonitinha” para a integração real de estoque, logística preditiva e hiperpersonalização.
- Operação Invisível: O sucesso agora é medido pelo quanto a IA ajuda a diminuir o esforço do cliente e a aumentar a margem do lojista nos bastidores.
3. A Loja Física como Hub de Experiência e Dados
Quem previu o fim do varejo físico errou feio. As lojas voltaram ao centro da estratégia, mas com uma nova função: elas não são mais apenas pontos de venda, mas centros de experiência e fulfillment.
- Phygital Real: O consumidor não enxerga canais (online vs. offline). Ele enxerga atrito. A loja física agora serve para customização, reparos, eventos comunitários e, claro, como um ponto de coleta rápida que otimiza a logística de “última milha”.
4. A Vantagem Brasileira: Agilidade e Criatividade
Um ponto que nos enche de orgulho: muitas das “soluções inovadoras” apresentadas globalmente, como o pagamento instantâneo e o parcelamento sem juros, já são dominadas pelo varejo brasileiro há tempos. Nossa capacidade de operar em ambientes voláteis nos dá uma resiliência que é o “superpoder” da vez na economia global.
O Que Fica para a Carreira e os Negócios?
A transformação digital não é mais sobre adotar tecnologia; é sobre operar melhor com ela. Profissionais que souberem unir o olhar humano (empatia e storytelling) com a gestão de dados serão os mais requisitados nesta nova fase do varejo mundial.

