Para escolher entre um banco digital e um banco tradicional, é preciso analisar fatores que impactam no seu dia a dia financeiro.
Além de tarifas dos produtos, qualidade do atendimento, linhas de crédito, segurança e até governança podem fazer a diferença. Por isso, é importante saber não só a diferença entre os dois tipos de instituição, como também como esses detalhes se encaixam nas suas necessidades e preferências.
Qual a diferença entre banco digital e banco tradicional?
As principais diferenças entre o banco digital e o tradicional estão no atendimento e na estrutura operacional deles. Além disso, o custo da gestão financeira e dos serviços mais usados podem variar bastante.
O especialista Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, explica os principais aspectos:
Estrutura de custos
Um dos contrastes entre as instituições tradicionais e digitais está na sua estrutura de custos. Principalmente por conta das redes de agências físicas.
“A agência traz uma despesa alta para os bancos tradicionais, enquanto os digitais têm uma composição mais enxuta e centralizada”, explica.
Por conta disso, os gastos com a operação cotidiana das companhias são diferentes, o que justifica a gratuidade de vários serviços oferecidos pelas contas digitais.
Licença e regulação
Todas as instituições financeiras devem ser autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central (BC). Contudo, o porte e o tipo de serviço financeiro oferecido muda detalhes da regulação das companhias.
No caso dos bancos tradicionais, na maior parte das vezes são chamados instituições múltiplas. Ou seja, agregam várias atividades, como comercial, de investimento, de crédito, entre outros.
Já o banco digital, pode ser desde uma instituição de pagamento até organizações com licença bancária plena. Nesta segunda modalidade, as diferenças de serviços e produtos para os bancos tradicionais é mínima.
“O impacto maior disso é na exigência de capital mínimo”, conta Piellusch. “Houve, inclusive, uma atualização dos valores pelo Banco Central no final de 2025”.
A nova regra eleva gradualmente os limites de capital social e patrimônio líquido das companhias até 2028. O mínimo exigido para bancos tradicionais será de R$ 56 milhões, enquanto para as fintechs será de R$ 9,2 milhões.
Por isso há desde bancos digitais de grande porte quanto os menores, voltados para nichos.
Escala de clientes
“O banco tradicional costuma ter uma base muito grande, mas com um crescimento muito lento”, explica o especialista. “Já o banco digital tem um potencial de crescimento muito maior”.
Ele acrescenta que, nos últimos anos, o que diferenciou a evolução de clientes entre os dois tipos de instituição financeira foi o nível de bancarização dos usuários.
Os bancos tradicionais costumam manter usuários com relacionamento mais longo com o sistema financeiro. No caso dos digitais, eles participam mais ativamente da inclusão financeira, atendendo pessoas que tradicionalmente não tinham acesso a contas bancárias, crédito e investimentos.
“Por isso, vale lembrar que um ponto de atenção é a inadimplência. Os bancos digitais precisam ter um maior cuidado com isso, considerando que o nível de educação financeira dos clientes costuma ser mais baixo”, conclui Piellusch.
Modelo de receita
O banco tradicional trabalha com duas principais fontes de receita: tarifas bancárias e juros de empréstimos. Por isso, o spread de crédito é essencial.
“Basicamente, é a diferença entre quanto ele paga para captar dinheiro e quanto ele recebe para emprestar, seja em aplicações de investimentos ou em financiamentos, por exemplo”, explica o especialista.
Já nos bancos digitais, o foco está no volume de clientes. Piellusch diz que são negócios mais inovadores, com monetização cruzada.
“Isso significa que possuem vários produtos, como cartão, investimento, seguros, e que podem não ganhar nada com uma coisa e ganhar bastante com outra”, afirma.
O que considerar ao escolher entre banco digital e banco tradicional?
Para saber como escolher entre um banco digital e um banco tradicional, se vale a pena trocar de instituição financeira ou onde é melhor ter uma conta, é preciso considerar aspectos como:
- Perfil financeiro: conheça seus hábitos de consumo, orçamento detalhado, se tem dívidas e quais os seus objetivos futuros com dinheiro. O “Meu Crédito” do Inter te ajuda com histórico e score de crédito, por exemplo
- Serviços e produtos mais usados: entenda o que é mais importante para você, se ter várias opções de crédito, ou que tipos de investimento são preferidos, entre outros
- Quanto está disposto a gastar com gestão financeira: veja quanto você precisa economizar no uso cotidiano da sua conta do cartão e de outros serviços bancários. Contas digitais costumam ter tarifa zero de manutenção da conta
- Facilidade de usar o aplicativo e outras plataformas: quais ferramentas e interfaces são mais intuitivas para o seu nível de conhecimento tecnológico e quão prático e rápido é realizar transações
- Como é o seu relacionamento com o dinheiro: se precisa de aprendizados extras sobre educação financeira ou se já tem conhecimentos especializados sobre gestão do dinheiro
- Reputação da instituição: pesquise no ranking de reclamações do Banco Central e no Reclame Aqui para comparar entre os bancos. Também pode usar como referência premiações do setor financeiro
- Atendimento: conheça os canais de contato da instituição financeira e veja se há variedade e qualidade suficiente
- Segurança: acompanhe as principais práticas de proteção da sua conta e dos seus dados para ter certeza de que o banco segue pelo menos as medidas de precaução mais comuns do setor
Estes critérios vão além das características de cada tipo de instituição e alcançam as suas necessidades específicas, o que é essencial para uma vida financeira saudável e facilitada.
FAQ – Perguntas frequentes sobre bancos digitais
1. Banco digital ou tradicional: qual é o mais seguro?
A segurança não depende do tipo de banco, mas dos mecanismos adotados. O requisito mínimo para qualquer instituição financeira é ser fiscalizada pelo Banco Central e seguir protocolos como criptografia, autenticação em duas etapas e monitoramento de transações.
2. O que acontece se um banco falir?
Tanto os bancos tradicionais quanto os digitais com licença bancária plena são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege depósitos e investimentos de até R$ 250 mil por CPF e instituição.
3. É possível ter conta em banco digital e tradicional ao mesmo tempo?
Sim, e essa é uma estratégia comum. Contudo, como um melhor relacionamento com a instituição garante vantagens extras, é preciso avaliar se vale a pena fazer esta separação. Concentrar o uso cotidiano do cartão de crédito, recebimento do salário na conta corrente, contratação de crédito e investimentos em uma única conta inclui benefícios, que podem ser avaliados em cada banco.
4. Como migrar entre um banco e outro sem perder dados?
Depois de abrir uma conta em uma instituição financeira, faça a atualização dos seus dados de pagamento — como Pix e débito automático — e use a portabilidade de salário e investimentos, que é gratuita e regulamentada. Depois, solicite o encerramento da conta antiga.
