O terminal da Portonave, em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, concluiu a chegada de 14 guindastes elétricos de pátio vindos por navio da Tanzânia. Cada um pesa 156 toneladas e tem 28 metros de altura. Fazem parte de uma modernização que ultrapassa R$ 2 bilhões e vai ampliar a capacidade do porto.
O terminal portuário de Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, completou a renovação da frota com a chegada de 14 novos guindastes elétricos de pátio, conhecidos pela sigla e-RTG. As sete últimas unidades desembarcaram na quinta-feira, 23 de julho de 2026, a bordo do navio Rui Fu, que veio da Tanzânia até a Portonave, enquanto os primeiros sete equipamentos haviam chegado no início do mês e devem entrar em operação em meados de agosto. Cada máquina tem 28 metros de altura, pesa 156 toneladas e é movida exclusivamente a energia elétrica, segundo o NDMAIS.
A renovação da frota integra um pacote de mais de R$ 500 milhões em equipamentos totalmente elétricos, que soma, junto com obras e outras aquisições, investimentos superiores a R$ 2 bilhões no terminal catarinense. Ao fim da ampliação, a capacidade anual de movimentação vai saltar de 1,5 milhão para 2 milhões de contêineres, dando um salto de escala à operação do porto de Santa Catarina.
Catorze gigantes elétricos chegados da Tanzânia
A chegada dos guindastes aconteceu em duas etapas ao longo de julho. O primeiro lote, com sete unidades, atracou no início do mês, e o segundo, também com sete, desembarcou na quinta-feira, 23, completando as 14 máquinas previstas na renovação da frota de pátio. Os equipamentos vieram a bordo do navio Rui Fu, que fez a travessia desde a Tanzânia até Navegantes.
O cronograma de entrada em operação também é escalonado. Os sete guindastes que chegaram primeiro devem começar a funcionar em meados de agosto, e as unidades do segundo lote entram em serviço na sequência. Cada e-RTG é um colosso de 28 metros de altura e 156 toneladas movido só a eletricidade, dimensões que dão a real noção do porte do reforço que o terminal acaba de receber.
O que essas máquinas conseguem fazer
Por trás do tamanho, os novos guindastes trazem capacidade operacional robusta. Cada e-RTG movimenta cargas de até 41 toneladas e é capaz de empilhar contêineres em até sete níveis, embora a operação da Portonave use o limite de cinco por questões de segurança. É esse tipo de equipamento que organiza e empilha as cargas dentro do pátio do porto, entre a chegada pelo navio e a saída por terra.
A parte tecnológica acompanha a força bruta. As máquinas contam com sensores anticolisão, sistema de frenagem de emergência durante a elevação das cargas, controle eletrônico para reduzir o balanço dos contêineres e lubrificação automática. Durante a operação, o próprio operador recebe numa tela as informações sobre o peso da carga que está movimentando, o que agrega precisão e segurança ao trabalho dentro do terminal.
Projeto na Finlândia, montagem na China
A origem dos equipamentos passa por três países antes de chegar ao Brasil. Os guindastes foram fabricados pela Konecranes, com projeto desenvolvido na Finlândia e montagem na China, e chegaram a Navegantes já preparados para operar no sistema de eletrificação que a Portonave implantou no terminal.
Essa compatibilidade não é detalhe pequeno, porque o porto já vinha investindo em eletrificação havia anos. Desde 2016, o terminal vinha adaptando guindastes movidos a diesel para funcionamento elétrico, uma mudança que, segundo a Portonave, reduziu em 96,5% as emissões de gases poluentes desses equipamentos. As novas máquinas, portanto, chegam para reforçar uma estratégia de corte de emissões que já estava em curso.
Dois guindastes de cais serão os maiores do Brasil
O pacote de renovação vai muito além dos e-RTGs de pátio. Até o fim do ano, a Portonave também vai receber dois novos guindastes de cais, os chamados Ship-to-Shore, além de Reach Stackers, Terminal Tractors e scanners para inspeção de cargas, todos elétricos. São esses guindastes de cais que ficam na beira do porto e fazem a transferência direta entre o navio e o terminal.
E eles têm um diferencial nacional. Fabricados pela chinesa ZPMC, os novos STS serão os primeiros desse porte em operação no Brasil, com capacidade para movimentar cargas de até 100 toneladas a uma altura de 55 metros. Esses guindastes poderão atender navios de até 400 metros de comprimento, embarcações de grande calado que exigem infraestrutura à altura para serem operadas.
Uma obra no cais para receber navios maiores
Para dar conta de navios desse tamanho, os equipamentos não bastam sozinhos, e é preciso preparar a própria estrutura física do porto. A Portonave executa uma obra de adequação do cais, iniciada em janeiro de 2024, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026, justamente para permitir a atracação das embarcações maiores que os novos guindastes de cais vão atender.
Essa combinação entre máquina nova e cais reformado é o que viabiliza o salto de capacidade planejado. Ao final da ampliação, o terminal passará a operar com oito guindastes de cais e 32 guindastes de pátio, uma frota bem maior do que a atual, dimensionada para o novo patamar de movimentação que o porto pretende alcançar.
De 1,5 milhão para 2 milhões de contêineres por ano
O objetivo final de todo esse investimento é aumentar a quantidade de carga que passa pelo terminal. A capacidade anual de movimentação vai subir de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs, unidade que equivale a um contêiner de 20 pés e serve de padrão internacional para medir o fluxo de portos. É um acréscimo de 500 mil contêineres na conta anual do terminal.
Somando as obras e os novos equipamentos, os investimentos da Portonave ultrapassam R$ 2 bilhões. A renovação combina frota totalmente elétrica, cais reformado e capacidade ampliada num mesmo pacote de modernização, que reposiciona o porto de Navegantes num outro patamar de operação no cenário portuário nacional.
Um porto catarinense mais forte e menos poluente
O que a chegada dos 14 guindastes elétricos representa é a etapa mais visível de uma transformação ampla no terminal de Navegantes. São máquinas de 156 toneladas cada, movidas só a eletricidade, que se somam a guindastes de cais inéditos no país, a uma obra de adequação do cais e a uma frota totalmente renovada, tudo dentro de um investimento que passa de R$ 2 bilhões e que promete elevar a capacidade do porto para 2 milhões de contêineres por ano.
E aí fica a pergunta para quem acompanha o setor e a região. Você acha que investimentos pesados como esse em portos de Santa Catarina se traduzem em benefício real para a economia local e para o seu bolso, ou o retorno fica concentrado só nas empresas? Comenta aqui embaixo o que você acha que muda na sua cidade quando um porto dobra de tamanho.

