Com 30 metros de altura e corredores onde máquinas buscam as cargas sozinhas, empresa brasileira investiu R$ 30 milhões em um armazém autoportante colossal que guarda 20.944 paletes no espaço onde uma estrutura convencional comportaria apenas 6 mil

alisson ficher
Com 30 metros de altura e corredores onde máquinas buscam as cargas sozinhas, empresa brasileira investiu R$ 30 milhões em um armazém autoportante colossal que guarda 20.944 paletes no espaço onde uma estrutura convencional comportaria apenas 6 mil

Estrutura autoportante instalada em São José dos Pinhais combina verticalização, corredores estreitos e equipamentos automatizados para multiplicar a capacidade de armazenagem, reunindo quase 21 mil posições-palete em um complexo planejado para centralizar operações logísticas antes distribuídas por diferentes endereços de Curitiba.

Uma estrutura de armazenagem com 30 metros de altura permite que a empresa brasileira Bel mantenha 20.944 posições-palete em um armazém automatizado instalado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde as cargas são movimentadas por equipamentos que percorrem corredores estreitos.

Com investimento informado de R$ 30 milhões, o projeto reúne estantes metálicas integradas à sustentação do edifício, transelevadores capazes de alcançar diferentes níveis e um sistema de organização que aproveita a altura do imóvel para ampliar significativamente a quantidade de mercadorias armazenadas.

O número que melhor traduz a dimensão da obra aparece na comparação com uma instalação tradicional, pois, segundo informações publicadas pela MundoLogística, uma solução convencional ocuparia aproximadamente 4 mil metros quadrados para oferecer capacidade próxima de apenas 6 mil posições-palete.

No modelo autoportante adotado pela empresa, o mesmo parâmetro de comparação chega a 20.944 posições, resultado obtido por meio da verticalização das estantes, da redução dos espaços destinados a manobras e da circulação automatizada das cargas dentro dos corredores.

Em termos práticos, a estrutura comporta mais de três vezes a quantidade de paletes estimada para um armazém convencional usado como referência, sem depender apenas da expansão horizontal do terreno ou da construção de vários galpões separados para acomodar o estoque.

Essa diferença está ligada ao aproveitamento intensivo do espaço vertical, já que os produtos são distribuídos em níveis sucessivos e alcançados por máquinas especializadas, enquanto corredores mais estreitos liberam uma parcela maior da área interna para a instalação das estantes.

Armazém autoportante transforma estantes em parte do edifício

Chamado de autoportante, o sistema modifica a função tradicional das estantes metálicas, que deixam de servir somente como suporte para os produtos e passam a integrar a própria estrutura responsável por sustentar fechamentos, coberturas e outros componentes utilizados na formação do prédio.

Ao reunir armazenagem e sustentação em um único conjunto, essa solução permite alcançar alturas difíceis de explorar com empilhadeiras convencionais, além de reduzir a necessidade de colunas independentes que poderiam ocupar espaços importantes entre corredores e posições destinadas aos paletes.

Dentro do armazém da Bel, os 30 metros de altura criam uma instalação comparável a um edifício de vários andares, embora o interior tenha sido organizado para receber fileiras verticais de cargas e trajetos específicos para os equipamentos responsáveis pela movimentação automática.

Armazém autoportante de 30 metros no Paraná usa transelevadores e amplia a capacidade para 20.944 posições-palete em São José dos Pinhais.

Em vez de distribuir o estoque por grandes áreas horizontais, o projeto concentra os produtos em níveis elevados, criando milhares de endereços de armazenagem e exigindo uma integração precisa entre estrutura metálica, sistemas de controle e máquinas capazes de localizar cada palete.

Quatro transelevadores percorrem os corredores automatizados

Responsáveis pela movimentação interna, quatro transelevadores foram previstos para retirar e posicionar as cargas, percorrendo os corredores em trajetos horizontais e verticais conforme as ordens enviadas pelo sistema que administra os endereços disponíveis dentro da estrutura.

Quando um palete precisa seguir para outra etapa da operação, o equipamento recebe a localização correspondente, desloca-se até o nível indicado e executa a retirada, eliminando a necessidade de um operador conduzir uma empilhadeira por corredores altos e com pouca folga lateral.

Além de alcançar as partes superiores do armazém, os transelevadores conseguem trabalhar em passagens mais estreitas, onde equipamentos convencionais exigiriam áreas maiores para circulação, posicionamento e manobras, reduzindo a quantidade de espaço que poderia ser reservada diretamente para o estoque.

Essa configuração ajuda a explicar o salto de capacidade, porque uma parcela menor do piso permanece destinada ao trânsito das máquinas, enquanto uma área maior pode receber estantes distribuídas verticalmente e organizadas para armazenar milhares de unidades de carga.

Complexo logístico concentra operações antes separadas

A instalação autoportante ocupa 11 mil metros quadrados dentro de um complexo cuja área total informada alcança 80 mil metros quadrados, reunindo atividades de armazenagem, separação e expedição em uma estrutura planejada para centralizar diferentes etapas da operação logística.

Antes concentradas em cinco endereços distintos de Curitiba, essas atividades passaram a ser organizadas em uma sede própria em São José dos Pinhais, diminuindo a fragmentação física do estoque e reunindo processos que dependiam de deslocamentos entre instalações separadas.

Localizado na Região Metropolitana de Curitiba, o empreendimento também fica próximo de importantes conexões rodoviárias do Paraná, condição relevante para uma empresa que distribui mercadorias a diferentes partes do país e precisa coordenar a saída frequente de produtos de categorias variadas.

Entre os segmentos atendidos pela Bel estão itens de praia, piscina, camping, esportes, brinquedos, ferramentas, casa e jardim, combinação que exige uma estrutura capaz de armazenar volumes distintos e organizar a movimentação conforme as demandas de separação e expedição.

Posições-palete funcionam como endereços controlados

Dentro de uma operação desse porte, cada palete atua como uma unidade padronizada de transporte e armazenagem, permitindo que caixas e produtos sejam agrupados sobre uma plataforma que pode ser deslocada de uma só vez entre recebimento, estoque, separação e expedição.

Manter quase 21 mil posições-palete significa criar milhares de endereços controlados dentro do armazém, nos quais cada carga pode ser associada a informações sobre localização, tipo de produto, lote e etapa necessária para o atendimento das operações internas.

Sempre que uma mercadoria precisa deixar a estante, o sistema identifica o endereço exato e transmite a tarefa ao equipamento responsável, permitindo que o transelevador percorra o corredor correspondente e leve o palete ao ponto definido para a continuidade do processo.

A automação reduz principalmente a circulação humana nas áreas mais altas e estreitas, enquanto os trabalhadores permanecem ligados ao recebimento, controle, separação, manutenção e expedição, atividades que continuam essenciais para o funcionamento coordenado de toda a instalação.

Projeto reúne empresas de estrutura e automação

No desenvolvimento do complexo, a Águia Sistemas participou do fornecimento da estrutura de armazenagem, enquanto a Scheffer Automação ficou ligada à instalação dos quatro transelevadores, e a Smart Sistemas Construtivos atuou na execução de componentes utilizados na formação do empreendimento.

Além do armazém autoportante, o projeto incluiu dois galpões e um edifício metálico de cinco pavimentos destinado à área administrativa, formando um conjunto que combina espaços operacionais, ambientes de apoio e estruturas voltadas à gestão das atividades logísticas.

Outra área de armazenagem, com 8 mil metros quadrados e 14 metros de altura, foi prevista para receber estruturas porta-paletes convencionais, usadas de acordo com as características dos produtos, a frequência de movimentação e os métodos adotados para separação das cargas.

Ao manter soluções automatizadas e tradicionais no mesmo centro, a empresa distribui diferentes funções entre os espaços disponíveis, reservando o núcleo mais vertical para operações que dependem de alta densidade de estocagem e de equipamentos preparados para alcançar níveis elevados.

Verticalização amplia capacidade sem espalhar o estoque

Na parte mais alta do complexo, a engenharia foi direcionada para elevar a quantidade de posições dentro de uma área limitada, reduzindo a necessidade de espalhar mercadorias por vários prédios e concentrando o controle do estoque em uma instalação centralizada.

Quando armazenagem, separação e expedição funcionam em endereços diferentes, os deslocamentos entre unidades aumentam a complexidade operacional, enquanto a reunião dessas atividades em um único ponto facilita a organização das cargas destinadas a diferentes estados brasileiros.

Vista externamente, a construção chama atenção pela altura incomum para um galpão logístico, mas o principal impacto aparece no interior, onde fileiras de estantes avançam em direção ao teto e máquinas percorrem corredores desenhados com pouca margem lateral.

O investimento de R$ 30 milhões não foi direcionado apenas à construção de uma cobertura para mercadorias, pois envolveu uma infraestrutura na qual estrutura metálica, sistemas automatizados e organização logística precisam atuar de forma integrada para localizar e recuperar cada carga.

Ao comparar 6 mil posições convencionais com 20.944 posições no sistema autoportante, o projeto transforma um conceito técnico em uma medida facilmente compreensível, mostrando como corredores reduzidos e níveis sucessivos podem multiplicar a capacidade disponível dentro de uma área limitada.

Enquanto parte do espaço tradicional seria consumida por manobras e circulação de empilhadeiras, a instalação automatizada entrega o deslocamento interno a máquinas especializadas, permitindo que uma proporção maior do imóvel seja efetivamente utilizada para armazenar mercadorias.

Quantos produtos podem caber em um mesmo terreno quando o armazém deixa de crescer apenas para os lados e passa a operar como um edifício automatizado de 30 metros, organizado para receber quase 21 mil posições-palete?

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