O Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, classificou como lamentável o episódio dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e se manifestou contra a possibilidade de retorno às Forças Armadas dos militares que decidiram se candidatar às eleições. A opinião de Olsen aconteceu durante entrevista à CNN, publicada em 22 de julho.
Segundo Olsen, que tem opinião semelhante à do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, o momento da volta dos militares às Forças após concorrerem às eleições é prejudicial.
“Acho que isso traz prejuízo (…) Vejo com preocupação alguém que se dispõe, e tem todo direito a isso, de concorrer a cargo eletivo e, não eleito, retornar para a Força porque ele retorna já dentro de outra perspectiva. E trazer essa discussão pro seio da Força, eu insisto, não condiz com a condição de militar e absolutamente eu diria que é estranho a uma instituição de Estado”.
Múcio admite derrota de proposta de vetar retorno de militares candidatos às Forças Armadas
José Múcio até tentou costurar com o Congresso o apoio à uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que proibia os militares das Forças Armadas de retornarem após candidatura a cargos eletivos, mas o texto não vingou mesmo com apoio de parte da sociedade civil e da grande imprensa.
Nos bastidores é dito que nem mesmo o governo Lula se empenhou na encampada de Múcio, apesar do explícito pedido de apoio do ministro ao presidente da República e aos pares.
Recentemente, em uma entrevista ao Lisboa Connection, o ministro voltou a tocar no assunto e deu seu ponto de vista sobre o insucesso da PEC.
“Não prosperou. Por quê? Eu acho, vou entrar agora no campo do achismo, que as Polícias Militares Estaduais, as Polícias Civis, acharam que aquilo ia ser rebatido para eles. Mas eu continuo insistindo: eu acho que quem mexe com segurança não pode ser político”.
Antes de dar seu por que, o ministro havia argumentado sobre a problemática dos militares que se envolvem com a política.
“Quando ele [militar] perde a eleição, volta para o quartel com todas aquelas coisas do candidato: com os proselitismo do político, grupos de Whatsapp, reuniões dia de sábado de tarde… Aí começa a macular a disciplina, a hierarquia, a defender os seus liderados junto aos Comandantes para não serem transferidos, para não serem punidos”.
“Episódio lamentável”, diz Comandante da Marinha sobre 8 de janeiro
Na mesma entrevista à CNN, o Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen deu sua opinião sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 quando questionado sobre o que representava para as Forças Armadas, em termos de lições e aprendizados, ter um ex-Comandante da Marinha condenado e preso por tentativa de golpe de Estado e também ter tantos militares envolvidos com a política.
“Acontecimento lamentável”, começou Olsen, que logo foi interrompido pelo entrevistador.
Rittner queria saber o quê exatamente o Comandante da Marinha estava chamando de lamentável. “O estopim com o 8 de janeiro e depois tudo o que veio a ser revelado pelo processo judicial tramitado e já sentenciado”, respondeu o Almirante.
Apesar de negar que a política esteja completamente fora da caserna, o Comandante da Marinha acredita que há um avanço e creditou esse avanço ao ministro da Defesa que, na opinião do Almirante, ajudou a acalmar os ânimos e a realinhar as Forças Armadas.
Por outro lado, Marcos Sampaio Olsen disse que as instituições saíram do episódio com uma maturidade admirável e conseguiram preservar suas atribuições constitucionais.
“Hoje há uma preocupação e a polarização política acaba emprestando essa paixão em diversos ambientes que não era comum, como a família e o ambiente profissional. Nós temos é que orientar condutas para procurar blindar a instituição desse tipo de comportamento dentro das instituições porque não condizem com a instituição que constitucionalmente é estabelecida como nacional, permanente, regular, em suma, uma instituição de Estado, a despeito de governos”.
Confira o momento da entrevista do Comandante da Marinha em que ele fala sobre o 8 de janeiro de 2023 e o envolvimento dos militares das Forças Armadas com a política:

