Na Islândia, a Fissura de Silfra reúne água entre 2 °C e 4 °C, filtrada por rochas vulcânicas durante décadas, em um canal submerso formado entre as placas Norte-Americana e Eurasiana, em constante afastamento geológico
A Fissura de Silfra, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia, permite enxergar paredões submersos a mais de 100 metros de distância, mesmo com a água entre 2 °C e 4 °C. A transparência resulta de décadas de filtragem vulcânica em uma passagem formada entre as placas Norte-Americana e Eurasiana.
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Fissura de Silfra recebe água filtrada durante décadas
A água encontrada na fissura vem do degelo da geleira Langjökull. Antes de aparecer em Silfra, ela percorre aproximadamente 50 quilômetros por caminhos subterrâneos formados por lava antiga, fraturas, rochas vulcânicas e sedimentos.
Esse trajeto pode durar décadas e, em alguns casos, chegar a 100 anos. Durante o percurso, a rocha vulcânica porosa funciona como um filtro natural, retirando partículas em suspensão e produzindo a clareza incomum observada no local.
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A transparência também está ligada à origem glacial e à baixa temperatura. A água permanece entre 2 °C e 4 °C durante todo o ano, condição que ajuda a manter a visibilidade superior a 100 metros.
A configuração atual da fissura foi moldada por terremotos ocorridos ao longo dos séculos. Um abalo registrado em 1789 teve papel importante na formação das rachaduras profundas por onde a água passou a circular.
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Mergulho acontece entre duas placas tectônicas
A Fissura de Silfra está situada sobre a Dorsal Mesoatlântica, estrutura geológica que separa a Placa Norte-Americana da Placa Eurasiana. As duas continuam se afastando em uma taxa aproximada de 2 centímetros por ano.
O movimento não é percebido diretamente pelos visitantes, mas deixa marcas na paisagem vulcânica. Debaixo d’água, os mergulhadores conseguem observar paredões e blocos rochosos associados a essa fronteira tectônica ativa.
A fissura possui cerca de 600 metros de extensão e pode alcançar aproximadamente 200 metros de largura em determinados pontos.
Nas áreas mais profundas, chega a cerca de 63 metros, embora nem todos os trechos sejam abertos ao turismo.
O percurso utilizado pelos visitantes passa por setores distintos. Silfra Big Crack é uma passagem mais estreita. Silfra Hall, Silfra Cathedral e Silfra Lagoon possuem áreas mais abertas, paredões basálticos e algas verdes sobre as rochas escuras.
Água gelada exige equipamentos e acesso controlado
Mergulhar ou praticar snorkeling na Fissura de Silfra exige preparação para a temperatura próxima de zero.
Os visitantes usam roupa seca, isolamento térmico, luvas e capuz, além de permanecerem acompanhados por guias especializados.
A fissura fica a aproximadamente 40 a 50 quilômetros de Reykjavík, dentro de uma área protegida do Parque Nacional Thingvellir. O acesso é controlado, e as atividades seguem percursos definidos para os visitantes.
A elevada visibilidade também atrai documentaristas interessados em imagens subaquáticas. O diretor Mark Vins, do canal Brave Wilderness Português, registrou uma experiência de snorkeling no local, mostrando a passagem entre os paredões.
Terremotos podem modificar o canal submerso
A paisagem de Silfra continua sujeita à atividade sísmica. Terremotos ocasionais podem deslocar blocos de rocha, abrir pequenas passagens e reorganizar partes do canal usado durante os mergulhos.
A fissura reúne, no mesmo ambiente, água de origem glacial, rocha vulcânica, baixas temperaturas e o afastamento contínuo entre duas placas.
A transparência permite acompanhar visualmente detalhes de uma região geológica que permanece em transformação.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Adventures Iceland, do guia turístico da Islândia, de publicações científicas disponíveis no PMC e do canal Brave Wilderness Português, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

