O One Bryant Park possui uma bateria que não guarda eletricidade, mas frio na forma de gelo. Durante a madrugada, o arranha-céu de 55 andares usa energia para congelar água dentro do edifício e produz armazenamento térmico.
Quando o horário comercial começa, o gelo derrete e ajuda a retirar calor do sistema de climatização. Assim, parte do trabalho necessário para resfriar a torre acontece quando a procura por eletricidade em Nova York é menor.
A Durst Organization, organização responsável pela página institucional do edifício, registra que o gelo é produzido à noite e derretido durante o dia. O sistema reduz a carga colocada sobre a rede elétrica nos períodos de maior consumo.
A bateria feita de gelo dentro do arranha-céu
O sistema instalado no One Bryant Park é chamado de armazenamento térmico. O nome pode parecer complicado, mas representa uma ideia simples: produzir frio em um horário e guardar esse recurso para usá lo depois.
Durante a madrugada, equipamentos convencionais de refrigeração congelam água. A eletricidade consumida nesse processo fica armazenada de maneira indireta, pois o gelo poderá absorver calor quando começar a derreter.
Por isso, o sistema funciona como uma bateria térmica. Uma bateria comum guarda energia elétrica, enquanto a estrutura do edifício guarda frio para ajudar na climatização durante o dia.
A solução não elimina os equipamentos tradicionais. Ela permite que uma parte do trabalho seja antecipada, reduzindo a necessidade de manter toda a refrigeração funcionando em sua capacidade mais alta no período comercial.
Por que o prédio fabrica gelo durante a madrugada
A demanda elétrica de uma grande cidade muda ao longo do dia. Durante o horário comercial, prédios, escritórios, lojas e outros serviços precisam de energia ao mesmo tempo, aumentando a pressão sobre a infraestrutura urbana.
Na madrugada, essa procura diminui. O One Bryant Park aproveita esse período para produzir o gelo necessário à climatização, deslocando parte do consumo para fora do horário mais crítico.
O edifício não deixa de usar eletricidade. A diferença está no momento em que uma parte dessa energia é consumida. Em vez de concentrar toda a refrigeração durante o expediente, a torre realiza parte do trabalho enquanto a cidade demanda menos da rede.
Essa mudança é importante porque o sistema elétrico precisa atender aos maiores níveis de consumo, mesmo quando eles duram apenas algumas horas. Reduzir a demanda no horário de pico ajuda a diminuir essa pressão.
Como o gelo consegue resfriar os 55 andares
Quando o gelo começa a derreter, ele absorve calor. O One Bryant Park aproveita esse processo para ajudar a resfriar a água utilizada pelo sistema de climatização do edifício.
O frio armazenado durante a madrugada passa a ser usado ao longo do horário comercial. Dessa forma, o sistema convencional recebe apoio justamente quando os 55 andares estão demandando mais refrigeração.
O gelo não é distribuído pelos escritórios e também não substitui completamente o ar condicionado. Ele trabalha dentro da estrutura técnica do prédio, ajudando a retirar calor e a manter os ambientes climatizados.
Na prática, a torre transforma eletricidade consumida à noite em frio disponível durante o dia. Essa transferência reduz a quantidade de energia que precisaria ser usada imediatamente para produzir toda a refrigeração necessária.
O One Bryant Park também possui geração local de energia. Isso significa que parte da eletricidade necessária ao funcionamento do edifício é produzida dentro da própria estrutura.
A geração local atua ao lado do sistema de gelo. Enquanto uma solução produz energia no prédio, a outra desloca parte do consumo da refrigeração para a madrugada.
Essa combinação diminui a dependência da rede urbana nos períodos de maior procura. O resultado não é a independência completa do edifício, mas uma redução da carga exigida durante o dia.
A Durst Organization, organização responsável pela página institucional do edifício, detalha a presença da geração local e do sistema de armazenamento térmico. Os recursos fazem parte da infraestrutura energética usada para atender a grande torre comercial.
Água da chuva e da neve também é reaproveitada
Além de produzir gelo e gerar parte da própria energia, o One Bryant Park possui um sistema de reaproveitamento de água. A chuva e a neve que atingem o local são captadas para novos usos dentro da torre.
Essa água atende aos vasos sanitários e às torres de resfriamento. São atividades que não precisam consumir água potável, o que permite aproveitar um recurso que seria descartado.
As torres de resfriamento ajudam o sistema de climatização a liberar calor para o ambiente externo. O reaproveitamento de água reduz o uso de água potável nessa parte importante da infraestrutura.
O prédio reúne, portanto, armazenamento de frio, geração local de energia e reutilização de água. Cada sistema cumpre uma função diferente, mas todos reduzem a pressão sobre os serviços urbanos.
O efeito do gelo sobre a rede elétrica de Nova York
A principal contribuição do armazenamento térmico aparece no horário de pico. O gelo produzido durante a madrugada reduz o trabalho necessário para gerar frio quando a demanda elétrica da cidade está mais elevada.
Um único edifício não resolve os desafios energéticos de Nova York. Ainda assim, a solução mostra como grandes construções comerciais podem organizar o próprio consumo para evitar uma concentração ainda maior no período mais crítico.
O One Bryant Park continua dependendo de equipamentos convencionais e da rede elétrica. A diferença é que sua infraestrutura permite antecipar parte da refrigeração, armazenar o frio e utilizá lo no momento mais vantajoso.
Essa bateria feita de gelo mostra que armazenar energia não significa apenas guardar eletricidade. Também é possível transformar energia em frio, conservar esse recurso por algumas horas e usá-lo para aliviar a climatização de um arranha-céu de 55 andares.
Se grandes prédios brasileiros adotassem baterias de gelo, quanto da pressão sobre a rede elétrica poderia ser evitada nos dias mais quentes? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.

