Engie estuda mineração de bitcoin e baterias no maior projeto solar do grupo, de 895 MWp, para aproveitar energia que a rede brasileira manda cortar em meio a perdas bilionárias que atingem solar e eólica desde 2023

flavia marinho
Engie estuda mineração de bitcoin e baterias no maior projeto solar do grupo, de 895 MWp, para aproveitar energia que a rede brasileira manda cortar em meio a perdas bilionárias que atingem solar e eólica desde 2023

A Engie avalia novas saídas para o complexo solar Assú Sol, no Rio Grande do Norte, depois que cortes de geração passaram a afetar a rentabilidade do projeto e a pressionar todo o setor renovável no Brasil.

A Engie está estudando usar baterias ou até mineração de bitcoin para aproveitar melhor a energia do seu maior projeto solar no Brasil, o complexo Assú Sol, no Rio Grande do Norte. A ideia surgiu porque a usina vem sofrendo com cortes de geração impostos pela rede elétrica, que reduzem a energia que poderia ser entregue e afetam o retorno do investimento.

Segundo cnn, o empreendimento entrou em operação comercial neste mês e já é tratado como o maior projeto do grupo francês no mundo. A empresa, porém, vê no excesso de energia disponível durante o dia um problema que vem pesando não só sobre a usina, mas sobre todo o setor de energia solar e eólica no país.

O movimento da Engie mostra como a expansão das renováveis no Brasil passou a esbarrar em um novo desafio: produzir mais energia do que a rede consegue absorver em determinados momentos. E, para um projeto desse porte, cada corte imposto pelo sistema vira dinheiro que deixa de entrar.

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Complexo de R$ 3,3 bilhões virou vitrine e dor de cabeça ao mesmo tempo

Imagem ilustra a seção Cortes de geração já provocam perdas bilionárias no setor na matéria sobre Engie estuda mineração de bitcoin e baterias no maior projeto solar do grupo, de 895 MWp, para aproveitar energia que a re Crédito: cnn.

O Assú Sol foi inaugurado após dois anos e meio de construção e recebeu R$ 3,3 bilhões em investimentos da Engie Brasil Energia. O complexo soma 753 MW de capacidade instalada e reúne mais de 1,5 milhão de módulos fotovoltaicos.

Pelas contas da companhia, a produção é suficiente para abastecer uma cidade de 850 mil consumidores. A energia gerada já tem contrato com empresas do mercado livre, o que reforça a relevância comercial da usina.

Mas o tamanho do projeto também expôs a companhia ao problema dos chamados curtailments, quando o Operador Nacional do Sistema Elétrico determina cortes na geração. Eduardo Sattamini, country manager da Engie no Brasil, disse que a restrição está impactando o retorno do projeto.

Cortes de geração já provocam perdas bilionárias no setor

Os cortes não atingem só a Engie. De acordo com a reportagem da cnn, as restrições vêm causando perdas de receita que chegam a bilhões de reais para usinas solares e eólicas desde 2023.

O problema ficou mais visível depois do avanço acelerado da geração renovável no país, principalmente a solar distribuída, que cresceu com incentivos econômicos e ajudou a criar uma situação de sobreoferta em certos horários do dia.

Na prática, parte da energia é produzida, mas não consegue ser escoada. Para empresas que apostaram pesado na expansão, isso significa menos receita e mais pressão para encontrar saídas que mantenham os projetos viáveis.

Baterias e bitcoin entram na conta como saída para energia parada

Foi nesse cenário que a Engie passou a avaliar alternativas para criar demanda local em Assú Sol. Entre elas estão sistemas de armazenamento por baterias e data centers para mineração de bitcoin, que poderiam consumir a energia hoje limitada pela rede.

Sattamini afirmou que a empresa está analisando possíveis compradores para essa energia e acordos para viabilizar a mineração. Mas deixou claro que não se trata de uma solução imediata.

Segundo ele, o plano pode levar anos para sair do papel. A companhia também não detalhou prazos nem valores para essas alternativas.

Engie freia novos projetos até o mercado encontrar equilíbrio

Mesmo com o peso de ter colocado de pé a maior usina solar da empresa no mundo, a subsidiária brasileira não vê espaço para acelerar novas apostas no curto prazo. Sattamini disse que não enxerga a companhia investindo em nova capacidade solar até que o mercado corrija as distorções entre oferta e demanda.

O recado mostra que o problema dos cortes virou mais do que um ruído operacional: ele já interfere no apetite por novos projetos e na forma como grandes empresas desenham seus próximos passos no Brasil.

Enquanto isso, o maior complexo solar da Engie segue como símbolo de duas realidades ao mesmo tempo: o avanço da energia solar no país e o risco de ver parte dessa geração desperdiçada antes mesmo de chegar ao consumidor. Se quiser, compartilhe esta matéria e conte o que você acha dessa saída para a energia que hoje fica pelo caminho.

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