Economia norte-coreana registra maior crescimento em oito anos, enquanto cooperação militar, comércio exterior e receitas digitais fortalecem o regime de Kim Jong-un
A economia da Coreia do Norte cresceu 3,7% em 2024, conforme estimativas divulgadas pelo Banco Central da Coreia do Sul.
Esse foi o maior avanço registrado em oito anos. Entretanto, cerca de 11 milhões de norte-coreanos ainda sofrem de desnutrição, segundo a Organização das Nações Unidas.
Sob o comando de Kim Jong-un, o país ampliou sua cooperação com a Rússia, preservou o comércio com a China e fortaleceu seu programa nuclear.
Além disso, o regime aumentou o controle sobre mercados informais e encontrou novas maneiras de contornar os efeitos das sanções internacionais.
Economia da Coreia do Norte mostra sinais de recuperação
Durante décadas, a Coreia do Norte enfrentou estagnação econômica, isolamento internacional, escassez de alimentos e abandono de serviços públicos.
Posteriormente, a pandemia de covid-19 agravou essa situação em 2020. Naquele período, o fechamento das fronteiras reduziu ainda mais as atividades comerciais.
Diante das dificuldades, Kim Jong-un apareceu na televisão e pediu desculpas à população. O líder reconheceu que seus esforços não haviam eliminado os problemas nacionais.
Entretanto, em março de 2026, Kim adotou um discurso diferente durante uma sessão da Assembleia Popular Suprema.
Na ocasião, o dirigente declarou que o país havia passado por uma “transformação milagrosa”. Além disso, afirmou que a Coreia do Norte não estaria vulnerável.
Apoio da Rússia fortalece indústrias controladas pelo Estado
Desde fevereiro de 2022, a invasão russa da Ucrânia aproximou ainda mais Kim Jong-un do governo de Vladimir Putin.
Nesse contexto, fábricas norte-coreanas retomaram a produção de munições e armamentos destinados à Rússia. Consequentemente, setores industriais voltaram a operar com maior intensidade.
Segundo relatórios de inteligência ocidentais, aproximadamente 15 mil norte-coreanos foram enviados para combater ou trabalhar ao lado dos russos.
Em junho de 2024, Rússia e Coreia do Norte assinaram uma Parceria Estratégica Abrangente, incluindo uma cláusula de defesa mútua.
A cooperação com Moscou impulsionou setores como mineração, indústria química, fabricação de máquinas e indústria pesada.
China permanece essencial para a economia norte-coreana
Embora a Rússia tenha ampliado sua importância, a China continua sendo fundamental para o funcionamento da economia norte-coreana.
Em junho de 2026, Xi Jinping visitou Pyongyang pela primeira vez em sete anos. Durante o encontro, os governos defenderam maior cooperação econômica.
Anteriormente, em 2017, Pequim havia apoiado sanções internacionais contra o programa nuclear norte-coreano.
Posteriormente, porém, a posição chinesa começou a mudar após o fracasso da reunião entre Kim Jong-un e Donald Trump, realizada em 2019.
Nesse cenário, Xi evitou defender publicamente a desnuclearização da Península Coreana. Além disso, prometeu elevar o relacionamento bilateral a outro nível.
O futuro econômico da Coreia do Norte ainda depende amplamente das relações comerciais mantidas com a China.
Crescimento ainda não alcança toda a população
Atualmente, os sinais mais visíveis de recuperação permanecem concentrados em Pyongyang, onde ruas ganharam iluminação e elevadores voltaram a funcionar.
Além disso, visitantes relataram maior circulação de celulares, carros elétricos e aplicativos de entrega e transporte.
Paralelamente, o governo concluiu o complexo turístico de Wonsan Kalma e anunciou o programa 20×10, destinado à construção de fábricas fora da capital.
Entretanto, a Chainalysis estimou que hackers norte-coreanos roubaram mais de US$ 2 bilhões em criptoativos durante 2025.
Apesar dessas receitas, especialistas alertam que o crescimento depende da demanda militar e ainda não melhorou significativamente a vida dos cidadãos comuns.
Portanto, a recuperação fortaleceu o regime e alguns setores produtivos. Contudo, a desigualdade, a desnutrição e a fragilidade econômica continuam presentes no país.
Na sua opinião, a recuperação econômica da Coreia do Norte poderá chegar à população ou continuará concentrada em Pyongyang e na elite do regime?

