Juros, IOF e tarifas: o antídoto para o caos externo é a inteligência financeira interna

Brasil vive um capítulo desafiador, com eventos globais e domésticos que aumentam o impacto negativo sobre a economia

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Conta Simples
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Com mais de cinco anos de mercado, a Conta Simples é a principal plataforma de gestão de despesas corporativas do Brasil. A companhia tem o propósito de oferecer autonomia para equipes e controle dos gastos financeiros das empresas, e disponibiliza em seu portfólio uma gama completa de soluções, desde uma plataforma de gestão de despesas por meio de múltiplos cartões corporativos, além da conta PJ. Em 2024, foi reconhecida como uma das 100 fintechs mais promissoras do mundo pela CB Insights, lista que identifica empresas que estão transformando o cenário financeiro global. Ao todo, já são mais de 30 mil clientes ativos em sua plataforma, além de mais de 500 mil cartões criados. Somente em 2023, a empresa transacionou o valor de R$18 bilhões.

*Por Rodrigo Tognini, CEO e cofundador da Conta Simples

Atualmente, o Brasil vive o que os analistas chamam de “tempestade perfeita” — quando eventos globais e domésticos aumentam o impacto negativo sobre a economia. A Selic está operando em 15% ao ano, o governo confirmou o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e os Estados Unidos estabeleceram uma taxação de 50% sobre os produtos brasileiros. Com certeza, esse é mais um capítulo desafiador para os empreendedores e líderes de negócios aqui no Brasil.

Para as startups, por exemplo, o acesso ao capital de risco se torna mais seletivo no exato momento em que o custo para manter sua infraestrutura tecnológica é reajustado pela variação cambial (com exceção para as empresas que estão surfando a onda de Inteligência Artificial, que ainda possuem apetite dos investidores). Já para as PMEs (Pequenas e Médias Empresas), o financiamento e acesso a linhas de crédito ficam mais escassos e com mais pedidos de contrapartida, ao mesmo tempo em que a inflação continua gerando um impacto relevante sobre o preço.

A reação natural de muitos gestores para lidar com essa situação, muitas vezes, é a paralisia ou uma busca reativa por liquidez — um capital que está mais caro e restrito justamente pelos mesmos fatores. Já a atitude mais estratégica aponta para outra direção: concentrar energia e recursos naquilo que podemos, de fato, controlar. 

Se não dá para alterar a política de juros ou as tarifas de importação, é totalmente possível transformar a maneira como nossa empresa opera para se tornar mais resiliente a elas.

Pilares da resiliência financeira

Muitas vezes, a crise externa apenas amplifica os gargalos internos. A virada de chave está na área financeira reconhecer que a melhor defesa é organizar o que já está dentro de casa, sem buscar crédito no impulso.

Isso começa com a visibilidade absoluta das finanças. Saber em tempo real para onde vai cada centavo não é mais um diferencial, mas sim a base para qualquer decisão, seja renegociar um contrato com um fornecedor de software americano ou cortar um custo antes que vire um problema.

Outro ponto importante é usar a eficiência operacional ao próprio favor, uma vez que cada processo manual e minuto gasto em conciliação de despesas é uma via por onde a rentabilidade pode escapar. Casos como o da Lemon, empresa do setor de energia limpa, provam que centralizar a gestão financeira e automatizar processos podem economizar duas horas diárias de trabalho da equipe. Esse tempo, que antes era consumido por planilhas e burocracia, agora é reinvestido em análises relevantes, protegendo ativamente a margem de lucro que os fatores externos tentam corroer.


E mais do que nunca, o caixa precisa ser tratado como um recurso estratégico, com projeções realistas, controle diário e atenção redobrada. Em tempos de incerteza externa, a solidez financeira passa menos por crescer a qualquer custo e mais por resistir com inteligência e margem de manobra, inclusive para aproveitar possíveis oportunidades que venham a surgir com a crise.

No mais, é importante seguir atento a essas movimentações. A imprevisibilidade global é uma constante. A capacidade de se adaptar financeiramente a ela, não. Em meio à tempestade, a melhor bússola é a gestão do próprio negócio.

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