Ana Carolyne conseguiu se salvar, ficou internada em Londrina, na mesma região do estado, até receber alta hospitalar na noite de quarta-feira (29).
Nos tópicos a seguir, confira o que se sabe até o momento sobre o caso:
Ana Paula, de 29 anos. — Foto: Redes sociais
Como foi o desaparecimento
Ana Paula era moradora de Londrina e trabalhava como fotógrafa. No dia 25 de julho, ela fazia um passeio no Salto das Orquídeas, em Sapopema.
Conforme os relatos à polícia, em certo momento, ela e Ana Carolyne decidiram ir sozinhas até um mirante e tentaram atravessar o rio com o auxílio de cordas.
Durante a travessia, Ana Paula caiu na correnteza. A amiga tentou ajudá-la, mas também se desequilibrou.
No dia do desaparecimento da jovem, estima-se que o nível da água estava 40 centímetros acima do normal.
Veja como é rio em que jovem tentou atravessar e desapareceu, no PR
🔍 O Salto das Orquídeas é um famoso complexo de cachoeiras e quedas d’água localizado no município de Sapopema, na região norte do estado do Paraná, a cerca de 300 km de Curitiba. O local é um destino muito procurado para ecoturismo e turismo de aventura, em meio à mata fechada, no rio Lajeado Liso.
O que houve com a amiga
Ana Paula e Ana Carolyne caíram enquanto tentavam atravessar o rio, no Salto das Orquídeas. — Foto: Redes sociais/Cedidas pela família
O pai de Ana Carolyne, Valdir Camilo, explicou à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que a jovem conseguiu se salvar porque se segurou em uma das pedras que não estavam submersas. Ela parou a 500 metros de distância do local da queda d’água e ficou das 15h do dia 25 de julho até aproximadamente 9h do dia 26 sozinha na mata.
A jovem foi encontrada por um funcionário do Salto das Orquídeas, que verifica o nível do rio frequentemente e a viu durante o trabalho de rotina. Em seguida, houve o resgate com o auxílio de dois policiais militares.
Ana tentou enviar mensagens à irmã. Entretanto, sem sinal de internet, elas não chegaram. A conversa mostra ela pedindo ajuda e informando que havia tentado contato no dia anterior. Confira abaixo:
Conversa entre Ana Carolina e a irmã após a queda. — Foto: Cedidas pela família
Ela foi socorrida, levada a um hospital de Cornélio Procópio e transferida a Londrina, onde teve o diagnóstico de fratura na vértebra L2 da coluna.
Enquanto estava internada, por meio de amigos, ela informou que foi à trilha para conseguir descansar e decidiu atravessar o rio porque a água estava na altura do quadril dela. Quando escorregou, foi arrastada pela água e caiu da cachoeira.
Ela contou ter se salvado ao se segurar em uma pedra, onde conseguiu parar e traçar um plano. Depois de horas, jogou-se na correnteza e chegou ao ponto onde foi encontrada.
“Eu comecei a falar em voz alta para me ajudar, ‘não, eu vou conseguir. Eu vou encontrar a Ana [Paula], eu vou conseguir sair daqui'”, disse.
Ana Carolyne recebeu alta médica na quarta-feira (29).
Como foram as buscas
Equipamentos usados durante as buscas por Ana Paula. — Foto: Corpo de Bombeiros
As buscas foram realizadas a partir do dia 26 de julho, quando Ana Carolyne foi encontrada e o Corpo de Bombeiros foi comunicado sobre o desaparecimento de Ana Paula.
Até quinta-feira (30), foram usados drones com câmera térmica, cães farejadores, mergulhadores, equipes em botes, voluntários e buscas por terra.
Onde e como o corpo foi encontrado
Corpo de fotógrafa desaparecida no Paraná foi encontrado por drone
Ana Paula foi encontrada morta a 123 metros de distância da queda da maior cachoeira do Salto das Orquídeas, de acordo com Rafael Lorenzetto, coronel do Corpo de Bombeiros. Perto do local, também está o poço principal. São 45 metros de queda d’água.
O drone operado pelo major Jackson Alexandre Machado conseguiu identificar a vítima por volta das 7h10 de quinta-feira (30). Veja a explicação no vídeo acima.
Corpo de Ana Paula estava a 123 metros de distância de queda da cachoeira. — Foto: Corpo de Bombeiros/Redes sociais
Conforme o major Renan Bortolassi, que também participou das buscas, a suspeita é de que Ana tenha caído da cachoeira.
“Ela possivelmente ficou ali, enroscada, numa dessas pedras. E com a diminuição do fluxo da água, com o tempo que passou também, ela pode ter boiado um pouco e isso facilitou bastante a visualização dela hoje”, explicou Machado.
O corpo dela foi encaminhado à Polícia Científica de Londrina. O velório e o sepultamento foram restritos à família e aos amigos.
O que diz a Polícia Civil
“Elas foram orientadas que realmente no dia não dava pra tentar essa travessia por conta do nível do rio. A turma que estava aqui com excursão foi até lá e realmente comprovou isso, e mesmo assim elas teriam ido. Elas tinham o conhecimento, estavam alojadas aqui no camping, assinaram o termo de responsabilidade e teriam ido por livre e espontânea vontade, sabendo desse risco”, disse o delegado.
Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o dono da propriedade, Luiz Busqueti, afirmou que, por conta do nível da água, o trecho da trilha que atravessa o rio estava interditado.
“A linha de investigação segue como acidente mesmo”, o delegado afirmou.
O que falta esclarecer
Thiago explicou que um inquérito policial foi instaurado para investigar o caso. A polícia tem 30 dias para finalizá-lo, mas o prazo pode ser prorrogado, a depender dos resultados dos laudos e exames.
Os turistas que estavam no local no dia do acidente serão ouvidos, assim como o dono do estabelecimento vai prestar depoimento. Também serão extraídos dados do celular e do relógio inteligente que Ana Carolyne usava.
INFOGRÁFICO: Fotógrafa desaparece em trilha do Paraná e é encontrada morta. — Foto: Artes/g1
