Num mercado em que as certezas profissionais evaporam, Cristiano Kruel — CIO da StartSe e uma das vozes mais lúcidas do ecossistema de inovação brasileiro — entrega uma obra curta, direta e necessária. Inteligência Artificial e o Novo Profissional Minimamente Viável, lançado no AI Festival 2026, não é um livro sobre tecnologia no sentido clássico. É um livro sobre cada pessoa que, ao acordar, se pergunta em silêncio quanto tempo ainda tem.
Um piso que subiu — e continua subindo
O conceito de Profissional Minimamente Viável (PMV) — ou MAIVP, como Kruel batizou — não fala de mediocridade. Fala do conjunto mínimo de competências que qualquer profissional precisa dominar para continuar relevante numa era em que a inteligência artificial já executa boa parte do que, até ontem, definia uma carreira inteira.
A metáfora vem do universo das startups: assim como um produto mínimo viável precisa de funcionalidades essenciais para ser lançado, o profissional de hoje precisa de um núcleo de capacidades que gere valor imediato — com ou sem o auxílio de algoritmos. A diferença é que, com eles, esse valor se multiplica. Sem eles, some.
Para quem o livro foi escrito
Kruel não escreve para engenheiros de prompt, programadores de LLMs ou especialistas em machine learning. Escreve para o advogado, o gestor, o analista, o vendedor, o professor — para qualquer um que intui que o chão mudou, mas ainda não sabe exatamente onde pisar.
A tese central é clara: “Nem todos somos profissionais de tecnologia. Mas todos precisaremos ser profissionais de Inteligência Artificial”. Não se trata de aprender a programar. Trata-se de entender o suficiente para usar a IA como copiloto — delegando a ela o operacional e reservando para si o estratégico, o criativo, o profundamente humano.
Humildade corajosa e aprendizado contínuo
O livro é coerente com a postura que o autor defende publicamente. Em entrevista à RNP, Kruel afirmou que “não existe a IA, mas as IAs. Estamos todos aprendendo. Não confio muito em quem acha que já sabe tudo sobre isso”. Ele chama essa postura de “humildade corajosa”: abandonar as certezas, admitir que o letramento digital ainda é baixo — inclusive entre líderes — e começar a agir antes que o mercado force.
Essa honestidade permeia a obra. Kruel não oferece fórmulas mágicas. Ele exige que o leitor olhe para a própria carreira com franqueza e identifique o que precisa mudar — e que comece essa mudança agora, sem esperar.
Uma voz que atravessa gerações
Um dos gestos mais simbólicos do livro está no prefácio, escrito por Eduardo Kruel, filho do autor. É a voz de uma geração que já nasceu com a IA como parte do ambiente — e que, portanto, não carrega o mesmo medo ou resistência. Ao colocá-la logo na abertura, Kruel sênior escancara a distância entre quem precisa se adaptar e quem já começa adaptado. E convida o leitor a encurtá-la.
Por que isso importa agora
O lançamento acontece num momento simbólico. O AI Festival 2026 reuniu palcos lotados, debates urgentes e líderes repensando modelos de operação — exatamente o contexto em que o profissional que ainda não se moveu percebe, talvez pela primeira vez, que o tempo da hesitação acabou.
Kruel encontra esse leitor e oferece mais do que consolo: oferece um mapa. Não para o topo da montanha, mas para o novo piso — aquele abaixo do qual nenhuma carreira se sustenta por muito tempo.




