☀️O verão amazônico é o período de estiagem na Amazônia, caracterizado pela redução das chuvas, temperaturas elevadas e baixa umidade, que ocorre entre os meses de julho e outubro.
O zoológico é administrado pelo Exército Brasileiro e abriga apenas espécies da fauna amazônica. O espaço atua no acolhimento, tratamento e reabilitação de animais resgatados ou apreendidos por órgãos ambientais.
Segundo a médica veterinária do zoológico, tenente Lauren Bazzi, cada espécie reage de forma diferente às altas temperaturas, o que exige cuidados específicos.
“Tem algumas espécies de animais que não suam, outras que precisam regular a temperatura do corpo e precisam estar no sol para ter essa regulação. Varia muito de espécie para espécie se tratando de animais silvestres. Aqui a gente tem um cuidado extremo, principalmente no período mais crítico do nosso verão amazônico”, explica a tenente.
Atualmente, o zoológico conta com uma equipe formada por 16 militares, quatro médicos-veterinários, um biólogo e estagiários das áreas de medicina veterinária, zootecnia e biologia.
Como são feitos os picolés
Para enfrentar o calor, a alimentação dos animais ganha versões congeladas dos alimentos já previstos na dieta. O valor nutricional não é alterado, mas a apresentação dos alimentos muda para ajudar no conforto térmico e estimular comportamentos naturais.
Os chamados “picolés” são produzidos com carne para os animais carnívoros e com frutas para herbívoros e onívoros. A técnica é conhecida como enriquecimento ambiental alimentar e ajuda a refrescar e entreter os animais nos horários mais quentes do dia.
Além disso, blocos de gelo são colocados nos bebedouros para manter a água mais fresca.
A receita varia conforme a espécie. Os picolés podem conter:
- 🥩 Carnes: aves, bovinos, suínos, peixes e fígado.
- 🌿 Outros ingredientes: sangue da própria proteína servida, ervas, gelatina e água filtrada.
O preparo é feito em formas adaptadas ao porte de cada animal e o material permanece no congelador por pelo menos 12 horas antes da distribuição.
Onça-pintada perto do lago artificial no seu recinto do Cigs — Foto: Lucas Macedo/g1 Amazonas
Quem recebe os picolés
A cada remessa, são produzidos 21 picolés de carne.
- 🐆 Felinos: 18 unidades para onças-pintadas, onças-pardas, jaguatiricas e gatos selvagens.
- 🦝 Outros mamíferos carnívoros: três unidades para quatis e furões.
- 🦅 Aves de rapina: não recebem o alimento congelado.
A distribuição ocorre, em média, três vezes por semana e principalmente entre 14h e 16h30, período em que o calor costuma ser mais intenso.
Para os primatas e espécies herbívoras, também são produzidos picolés à base de frutas.
Como os técnicos identificam o calor nos animais
De acordo com a equipe do zoológico, os sinais de desconforto térmico são observados por meio do comportamento dos animais.
“A gente reconhece pela agitação daquele animal. Conseguimos perceber que ele está um pouco mais inquieto e estressado, o que muito provavelmente é ocasionado pelo excesso de calor”, afirma a tenente Glazi.
Para acompanhar a situação, os profissionais realizam rondas frequentes nos recintos, verificando o nível da água dos bebedouros e das piscinas e fazendo o reabastecimento sempre que necessário.
Névoa de água e banhos ajudam a enfrentar o calor
Além dos picolés, o zoológico reforçou outras medidas para reduzir o impacto das altas temperaturas.
No recinto dos primatas, foram instalados aeradores que lançam uma névoa de água e vento. Segundo a equipe, a solução foi adotada porque as ilhas dos macacos não podem ter árvores muito altas ou galhos que facilitem fugas ou a comunicação entre os recintos.
Já os grandes felinos e as antas recebem banhos de ducha ao longo do dia, principalmente nos horários mais quentes.
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Macacos do Cigs no Amazonas — Foto: Lucas Macedo/g1 Amazonas
