Se você investe com foco em renda, sabe que o Dividend Yield (DY) de um único ano pode ser uma armadilha sedutora. No entanto, quando abrimos o zoom para uma janela de três anos — coincidindo com o atual cenário econômico iniciado em 2023 —, os números começam a contar uma história muito mais honesta e lucrativa.
Um levantamento exclusivo da Elos Ayta Consultoria trouxe à luz um dado essencial: não basta pagar muito uma vez; o segredo está na mediana. Ao usar essa métrica, eliminamos os “pontos fora da curva” (como vendas de ativos extraordinárias) e enxergamos quem realmente tem o hábito de dividir o lucro com você.
O Pódio da Recorrência
Entre 159 ações analisadas, pouquíssimas conseguiram o feito de manter uma mediana de dividendos acima dos 20%. No topo desse ranking de elite, encontramos nomes que misturam resiliência e tradição:
- Grendene (GRND3): Liderando com uma mediana impressionante de 23%.
- Petrobras (PETR4 e PETR3): Consolidando-se como uma gigante geradora de caixa, com proventos na casa dos 21% e 20%.
Mesmo fora do topo, diversas empresas entregaram yields acima de 10%, superando a média da taxa Selic do período (12,77%) e provando que a Bolsa continua sendo um terreno fértil para quem busca rendimentos reais.
O “Pulo do Gato”: O Poder do Reinvestimento
Os dados trazem uma lição de ouro para a sua carreira como investidor: o lucro de verdade está no reinvestimento. O estudo mostrou que a valorização total de quem reaplicou os dividendos foi, em muitos casos, centenas de vezes superior a quem apenas embolsou o dinheiro.
A Lavvi (LAVV3) é o exemplo máximo: com o reinvestimento, o retorno saltou para astronômicos 364%. Sem ele? O ganho seria bem menor. Mais impactante ainda é o caso da Grendene: quem não reinvestiu viu o valor da ação cair quase 24% no período, enquanto quem reaplicou os proventos terminou com uma alta de 36%.
O Que Aprendemos para 2026?
O final de 2025 foi marcado por uma onda de antecipação de dividendos devido às mudanças tributárias que entraram em vigor agora. Isso pode inflar os números de curto prazo, mas o investidor da “Nova Economia” sabe que deve olhar para a frente com cautela.
Dividendos passados não são promessas de futuro, mas são excelentes indicadores de cultura corporativa e saúde financeira. No cenário atual de recordes na B3 e volatilidade global, focar em empresas que distribuem lucros de forma consistente — e ter a disciplina de manter esses recursos trabalhando para você — continua sendo a estratégia mais sólida para construir patrimônio.
