Sistema de reconhecimento adota sensor infravermelho para dar mais rapidez ao acesso e evitar fraudes
São Paulo – Sistemas de biometria já estão em uso para acesso a condomínios, arenas de jogos de futebol e shows, academias e universidades. Futuramente a tecnologia poderá ser aplicada também na mobilidade urbana sobre trilhos no Brasil.
A Biostation, empresa brasileira de soluções de autenticação digital e orquestração antifraude baseadas em biometria, desenvolveu a autenticação palmar vascular. Com ela a palma da mão é a própria chave de acesso segura à conta digital do passageiro.
O recurso permite que tarifas, descontos por uso recorrente e integrações ônibus-metrô sejam calculados e debitados automaticamente da conta sem a necessidade de recarregar cartão físico.
O modelo tradicional baseado em cartões inteligentes por aproximação resolveu gargalos históricos mas impôs limitações como a incapacidade de identificar o perfil real do passageiro, a vulnerabilidade a repasses indevidos de benefícios e o travamento do fluxo nas catracas.
“Ao migrar do cartão físico para a biometria palmar a mobilidade metroviária eliminará a falta de visibilidade sobre os perfis de usuários e estancará as fraudes em gratuidades sem gerar constrangimento no acesso”, disse Leonardo Araújo de Assis, CEO da Biostation. “Mais do que liberar catracas estamos transformando o ponto de validação em ecossistema de MaaS, mobilidade como serviço, com planejamento de rede inteligente, eficiente e totalmente orientado pelas necessidades reais de cada região.”
Instalação depende de três fatores principais
A Biostation investiu R$ 10 milhões na nova tecnologia, que adota sensor infravermelho que mapeia em segundos os vasos sanguíneos sob a pele da palma da mão. A validação acontece sem contato físico a até 10 centímetros de distância do leitor. O reconhecimento é imune a falhas comuns na biometria facial, quando o usuário está de óculos ou máscaras.
“A biometria palmar não armazena fotos nem imagens brutas do cidadão. O padrão vascular possibilita que minucias biométricas sejam criptografadas e guardadas em cofres digitais ou em hardware de alta segurança. Ou seja: a identidade biológica do passageiro ficará totalmente blindada.”
O executivo afirmou que não há uma data prevista para o transporte sobre trilhos brasileiro empregar o sistema, que está saindo da fase de estudos de viabilidade técnica para a de projetos-piloto em concessões específicas.
De acordo com Araújo, o caminho é gradual e depende de três frentes avançarem em paralelo:
- validação técnica em ambiente real, testando a robustez do sistema em alto volume de embarques, condições de iluminação variadas e integração com a infraestrutura de catracas já existente;
- amadurecimento do marco regulatório. Já existe um precedente concreto, a lei estadual 7 123/2015, do Rio de Janeiro, que autoriza a biometria para controle de gratuidades. A tendência é que outros estados e municípios sigam o modelo à medida que o tema ganhe tração nos debates sobre segurança jurídica em infraestrutura; e
- a adesão institucional das secretarias de Mobilidade e dos tribunais de Contas, que têm interesse direto na solução do problema que afeta os dois lados do contrato de concessão: a comprovação do ressarcimento e a fiscalização do gasto público.
“Com o andamento dos três eixos a expectativa é de expansão em concessões ao longo de doze a 24 meses. A consolidação não ocorre de uma só vez, mas é alavancada pelas próprias concessionárias.”
A biometria não substitui o cartão físico
A biometria palmar já existe em alguns países. A China apresenta o caso mais maduro. A tecnologia opera em larga escala nos metrôs de Pequim e Guangzhou. Em Shenzhen 50 mil pessoas por dia são reconhecidas pela palma da mão no transporte.
No Uzbequistão o sistema foi instalado inicialmente em doze estações em parceria do Ministério dos Transportes com operadoras de pagamento. Nos Estados Unidos a tecnologia entrou em fase de testes em aeroportos.
“No Brasil a biometria não pretende substituir ou condicionar o meio de embarque. Ela entra como camada complementar de verificação, oferecida como opção adicional a quem já tem direito à gratuidade, sem tirar o acesso via cartão de quem prefere o modelo atual.”
Ele acrescentou que a biometria palmar está em conformidade direta com a LGPD, Lei Geral de Proteção de Dados, por operar sob o princípio do consentimento ativo: o passageiro escolhe cadastrar ou não sua mão para ter acesso facilitado.
No Brasil o valor de instalação poderá variar de acordo com a escala do sistema de transporte, como quantidade de ônibus, trens e catracas de estações.
“Embora exija um investimento inicial de adequação da frota e das estações o sistema se paga rapidamente ao eliminar a fraude no uso de benefícios e gratuidades. Ela acontece no repasse indevido de cartões de idosos, estudantes ou PCDs a terceiros, ao reduzir custos de emissão, logística e reposição de cartões físicos perdidos ou clonados.”
