
Resumo
- mantenedor do kernel Linux, Greg Kroah-Hartman, removeu um driver de código antigo para placas seriais Moxa Intellio, que não são mais utilizadas;
- remoção foi acelerada por agentes de IA que encontravam problemas no código, embora a própria empresa Moxa tivesse comunicado sua descontinuação anteriormente;
- exclusão do driver resultou na remoção de aproximadamente 2.200 linhas de código.
Greg Kroah-Hartman é um dos principais mantenedores do kernel Linux. Recentemente, ele excluiu um driver do projeto que, de tão antigo, não era mais usado. Seria apenas mais uma atividade rotineira se não fosse por um detalhe: a remoção foi feita depois de que agentes de IA vasculharam o código.
Kroah-Hartman publicou o patch referente ao código a ser removido na lista de discussão do kernel em 3 de agosto. O driver em questão foi introduzido no kernel em 1999 para permitir o uso de placas seriais Moxa Intellio, normalmente empregadas em aplicações industriais.
O problema é que não há mais registro de que esse tipo de hardware seja usado. A própria Moxa já havia comunicado que a linha de placas foi descontinuada e que não havia intenção de retomá-la.
Um executivo da Moxa comunicou essa decisão a Jiri Slaby, outro mantenedor do Linux, em 2021, já dando abertura para a remoção do driver do kernel.
Só que nada mudou até maio de 2026, quando outro desenvolvedor estava trabalhando em arquivos de TTY e se deparou com o driver da Moxa. Contatada, a empresa confirmou que a linha Intellio havia sido descontinuada, razão pela qual o seu driver poderia ser removido do Linux — a empresa até se ofereceu para escrever um patch de remoção.
Como consequência, o driver em questão entrou em uma espécie de fila de espera de remoção. Só não havia prazo para esse trabalho ser concluído, afinal, é comum que os desenvolvedores do kernel priorizem tarefas mais importantes.

A IA apressou a remoção do driver obsoleto
Eis que, neste começo de agosto, Kroah-Hartman enviou o patch de remoção. Na lista de discussão do kernel, ele deu a seguinte explicação:
Este é um driver muito antigo, e não há nenhum hardware conhecido que ainda o suporte, e a empresa diz que não precisa mais dele, então vamos removê-lo, já que os agentes de IA/LLM estão começando a analisá-lo e encontrar coisas ‘interessantes’ que só farão todos perderem tempo, visto que ele não é realmente usado.
Greg Kroah-Hartman, mantenedor do Linux
Os tais agentes de IA buscam vulnerabilidades ou inconsistências no código do kernel. Aparentemente, esses mecanismos encontraram algum problema no driver da Moxa, favorecendo uma remoção ou correção.
Mas esse já era o plano. Com base na mensagem de Kroah-Hartman, é de se presumir que o procedimento só foi executado agora para que os mecanismos de IA parassem de perturbar os desenvolvedores com notificações sobre um componente que já estava na fila de remoção.
Neste ponto, é válido relembrar que o próprio Linus Torvalds já se manifestou favorável ao uso de IA no desenvolvimento do Linux. Ele só enfatizou que o uso desse tipo de ferramenta precisa ser moderado para que os desenvolvedores não sejam bombardeados com notificações sobre falhas que, no fim das contas, são pouco ou nada relevantes.
Ah, sim: com a remoção do driver da Moxa, serão cerca de 2.200 linhas de código a menos para serem mantidas quando esse trabalho for concluído.
