Quando um acidente acontece longe das estradas, dos hospitais e das áreas urbanas, o resgate deixa de depender apenas de ambulâncias e passa a exigir algo bem mais raro.
É nesse cenário que entram militares treinados para saltar de aeronaves, sobreviver na mata, escalar áreas isoladas, mergulhar em ambiente hostil e manter uma vítima viva até a chegada da evacuação.
O PARA-SAR, unidade de elite da Força Aérea Brasileira, é o esquadrão preparado para missões de busca e salvamento em situações extremas, segundo o Correio Braziliense e informações da própria FAB.
Oficialmente chamado de Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, o grupo fica sediado em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e tem origem ligada à criação da 1ª Esquadrilha Aeroterrestre de Salvamento, em 1963.
Missão de resgate
A sigla PARA-SAR une duas ideias centrais.
“PARA” vem de paraquedistas.
“SAR” vem do inglês Search and Rescue, expressão usada internacionalmente para busca e salvamento.
Na prática, a unidade atua quando o resgate exige chegar a locais onde equipes comuns dificilmente conseguem entrar com rapidez.
Isso pode incluir queda de aeronave em mata fechada, área alagada, terreno montanhoso, região isolada, operação humanitária ou cenário de risco.
A frase mais associada ao espírito da tropa é “Para que outros possam viver”, lema conhecido da aviação de busca e salvamento.
Sem aviões próprios
A curiosidade mais forte é que o PARA-SAR não depende de uma frota própria para existir.
Segundo o Correio Braziliense, o esquadrão não possui aviões ou helicópteros exclusivos.
Seus operadores embarcam em aeronaves de outros esquadrões da FAB, conforme a missão, o terreno e a urgência.
Isso muda a percepção sobre a unidade.
O poder do PARA-SAR não está no avião, mas no fator humano.
O diferencial está no militar que consegue saltar, orientar aeronaves, sobreviver isolado, prestar atendimento inicial e conduzir uma evacuação em áreas onde o tempo pode decidir entre vida e morte.
Rede nacional
O Brasil é grande demais para depender de um único ponto de partida.
Por isso, a busca e salvamento da FAB funciona como uma rede distribuída por diferentes regiões do país.
A própria Força Aérea informa que a aviação de busca e salvamento reúne esquadrões em todas as regiões, incluindo Campo Grande, Parnamirim, Rio de Janeiro, Santa Maria, Canoas, Manaus e Belém.
Essa estrutura ajuda a explicar como a FAB consegue responder a emergências em áreas remotas.
O tempo de chegada depende da distância, da aeronave disponível, do clima e da natureza da ocorrência.
Mesmo assim, a lógica é manter equipes e meios preparados para reduzir ao máximo a janela entre o chamado e o resgate.
Formação dura
Entrar nesse tipo de tropa exige mais do que preparo físico.
O militar precisa resistir a pressão psicológica, fadiga, privação de conforto e cenários que simulam missões reais em ambiente hostil.
A porta de entrada mais conhecida é o Curso de Comandos de Força Aérea, que prepara militares para operações especiais.
Segundo a FAB, o curso inclui temas como reconhecimento especial, guiamento aéreo avançado, ação direta e contraterrorismo.
Quem conclui recebe a distinção de “Pastor”, nome tradicional entre os concludentes.
Em reportagem da FAB sobre a formatura do curso, o comandante do PARA-SAR foi identificado como Pastor 178, número que representa a contagem dos militares que conseguiram concluir a formação até aquele momento.
Esse detalhe mostra por que a seleção é vista como uma das mais duras da Força Aérea.
Depois dela, vêm outras capacitações ligadas a selva, montanha, mergulho, paraquedismo, sobrevivência, primeiros socorros e resgate em combate.
Onde poucos chegam
A atuação do PARA-SAR não se resume a um único tipo de ocorrência.
A FAB registra a participação da unidade em acidentes de grande repercussão na aviação brasileira, como o FAB 2068, em 1967, o Varig 254, em 1989, o Gol 1907, em 2006, e o Air France 447, em 2009.
Essas missões mostram a complexidade do trabalho.
Em muitos casos, a busca envolve mata fechada, regiões sem pista, destroços espalhados, comunicação difícil e longas jornadas de varredura.
O objetivo não é apenas encontrar a aeronave.
Também é localizar sobreviventes, prestar atendimento, recuperar corpos quando necessário e apoiar investigações de segurança de voo.
Operações especiais
A unidade também aparece em treinamentos e missões que vão além do resgate clássico.
A FAB já destacou a participação do PARA-SAR em ações de busca e salvamento em combate, infiltração, exfiltração por helicóptero, guiamento aéreo avançado e missões especiais.
Em 2025, por exemplo, o esquadrão foi citado em ações de contraterrorismo e resposta imediata durante a COP30, em Belém, dentro da estrutura de operações especiais do Comando Marajoara.
Isso ajuda a entender por que a tropa precisa dominar técnicas tão diferentes.
O mesmo militar que pode saltar para resgatar uma vítima em área isolada também precisa operar em ambiente urbano, selva, mar, montanha ou cenário de ameaça armada.

