Experiência iniciada durante a crise do petróleo prometia economizar energia, mas manhãs escuras, atropelamentos e transtornos fizeram a população rejeitar rapidamente a mudança.
Uma tentativa de manter o horário de verão permanente nos Estados Unidos provocou preocupação nacional, confusão nos transportes e forte rejeição popular.
A medida entrou em vigor em 6 de janeiro de 1974, durante a crise internacional do petróleo.
Cerca de 79% dos norte-americanos apoiavam inicialmente a mudança, que prometia reduzir o consumo de eletricidade e combustíveis.
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Pouco mais de um mês depois, no entanto, apenas 42% da população ainda defendia a experiência.
O principal problema estava nas manhãs de inverno, quando o nascer do sol ocorria somente por volta das 8h30 em diversas regiões.
Milhares de crianças e adolescentes passaram a caminhar até as escolas ainda no escuro, aumentando a sensação de insegurança.
Crise do petróleo levou os Estados Unidos a mudar os relógios
A decisão surgiu durante a crise energética iniciada em 1973.
Países árabes integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Opep, suspenderam exportações para os Estados Unidos.
A medida representou uma resposta ao apoio norte-americano a Israel durante a Guerra do Yom Kippur.
Os preços dos combustíveis subiram rapidamente, levando o governo a procurar alternativas para economizar petróleo e eletricidade.
Entre as medidas adotadas estavam a redução dos limites de velocidade nas rodovias e a ampliação do horário de verão.
O Congresso aprovou a legislação em dezembro de 1973.
O presidente Richard Nixon sancionou a proposta, que previa a manutenção do horário de verão durante quase dois anos.
Sistema já havia sido adotado em períodos de guerra
A experiência não representava uma novidade completa.
A Alemanha adotou oficialmente o horário de verão em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial.
Os Estados Unidos seguiram o exemplo em 1918, por meio da Lei do Horário Padrão.
A medida foi revogada depois do fim do conflito.
O país voltou a utilizar o horário de verão durante todo o ano entre 1942 e 1945.
Esse período ficou conhecido como “War Time”.
Estados e municípios passaram a definir os próprios horários após a Segunda Guerra Mundial.
Essa falta de uniformidade causou problemas para transportes, emissoras de rádio e redes de televisão.
A padronização nacional ocorreu somente em 1966, com a aprovação da Lei do Horário Uniforme.
Manhãs escuras provocaram medo e rejeição
Os primeiros dias da experiência de 1974 foram marcados por problemas operacionais.
Companhias aéreas precisaram reorganizar suas programações, enquanto passageiros perderam voos por causa das mudanças nos relógios.
A maior preocupação, entretanto, envolvia os estudantes.
Autoridades recomendaram o uso de lanternas, roupas com faixas refletivas e deslocamentos em grupo.
Quatro adolescentes foram atingidos por veículos em Connecticut durante o trajeto escolar.
Oito estudantes morreram atropelados na Flórida nas semanas seguintes.
Esses episódios ampliaram a pressão pública contra o horário de verão permanente.
O Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos informou posteriormente que não houve aumento estatisticamente significativo nas mortes estudantis.
A percepção de perigo, porém, já havia reduzido drasticamente o apoio popular.
Apoio caiu de 79% para apenas 42%
O National Opinion Research Center registrou uma mudança rápida na opinião dos norte-americanos.
A aprovação da política caiu de 79%, em dezembro de 1973, para 42%, em fevereiro de 1974.
Parte da população ainda defendia as tardes mais claras.
Trabalhadores que terminavam suas atividades no fim do dia valorizavam o período adicional de luz natural.
A rejeição às manhãs escuras, entretanto, tornou-se politicamente mais relevante.
Economia de petróleo não impediu o fim da experiência
Estimativas apontaram uma economia aproximada de 100 mil barris de petróleo por dia entre janeiro e abril de 1974.
Os resultados energéticos não foram suficientes para conter a insatisfação popular.
A renúncia de Richard Nixon, durante o escândalo de Watergate, também alterou o cenário político.
O Congresso passou a discutir o encerramento antecipado da medida.
Parlamentares concluíram que a rejeição da população superava os benefícios obtidos.
Gerald Ford restabeleceu o horário padrão no inverno
O presidente Gerald Ford sancionou a legislação que restabeleceu o horário padrão durante o inverno.
A mudança entrou em vigor em outubro de 1974, apenas nove meses depois do início da experiência.
Os Estados Unidos mantêm, desde então, a alternância entre horário padrão e horário de verão.
Propostas para tornar um dos sistemas permanente continuam sendo debatidas no Congresso norte-americano.
Defensores destacam tardes mais claras e possíveis benefícios econômicos.
Críticos apontam impactos sobre o sono, a saúde, a segurança e o próprio consumo de energia.
Você acha que os Estados Unidos deveriam manter o horário de verão durante todo o ano ou preservar a troca dos relógios entre o inverno e o verão? Deixe sua opinião!

