Adolescente de 17 anos foi enterrado há cerca de 2.500 anos com mais de 4 mil peças de ouro, mas análise do DNA do Homem Dourado revelou indícios de que famílias da elite cita transmitiam poder e prestígio entre gerações e controlavam territórios e recurs

caio aviz
Adolescente de 17 anos foi enterrado há cerca de 2.500 anos com mais de 4 mil peças de ouro, mas análise do DNA do Homem Dourado revelou indícios de que famílias da elite cita transmitiam poder e prestígio entre gerações e controlavam territórios e recurs

Estudo genômico indica que o jovem provavelmente nasceu dentro de uma linhagem privilegiada da sociedade cita

O O brilho de mais de 4 mil ornamentos transformou o Homem Dourado em um dos maiores símbolos arqueológicos do Cazaquistão.

Agora, seu DNA ajuda os pesquisadores a entender como famílias da elite transmitiam poder, prestígio e autoridade entre gerações.

A revista Science Advances publicou o estudo em 3 de julho de 2026. A equipe analisou 85 indivíduos da Idade do Ferro da Eurásia Central.

A juventude do Homem Dourado reforça essa interpretação. O adolescente morreu aos 17 anos e provavelmente já ocupava uma posição privilegiada desde o nascimento.

Túmulo preservou milhares de ornamentos de ouro

Trabalhadores descobriram o túmulo em 1969, enquanto construíam uma garagem perto de Issyk, no sudeste do Cazaquistão.

Saqueadores haviam violado parte do grande kurgan. Entretanto, uma câmara lateral permaneceu intacta e protegeu o esqueleto do adolescente.

O túmulo data do período entre 400 e 300 a.C. Seu interior reunia armas, objetos cerimoniais e mais de 4 mil ornamentos de ouro.

As peças compunham um traje elaborado e um cocar com aproximadamente 70 centímetros. A estrutura apresentava diferentes figuras de animais.

Além disso, uma tigela de prata carregava uma inscrição ainda não decifrada.

A riqueza do sepultamento originou o nome Homem Dourado. Posteriormente, sua imagem tornou-se um símbolo nacional do Cazaquistão.

Reconstrução ilustrativa do túmulo descoberto em 1969 perto de Issyk, onde mais de 4 mil ornamentos de ouro compunham o traje do Homem Dourado.

DNA esclarece identidade do Homem Dourado

Durante décadas, os ossos não ofereceram dados suficientes para determinar com segurança o sexo biológico do adolescente.

A análise de 2026 apresentou os primeiros dados genômicos do Homem Dourado. Mesmo com baixa cobertura, o DNA apontou maior probabilidade de sexo masculino.

A pesquisa também reforçou a idade aproximada de 17 anos. O jovem não teria vivido tempo suficiente para construir uma longa trajetória de conquistas pessoais.

Segundo a antropóloga genética Ainash Childebayeva, a pouca idade sugere que o adolescente herdou sua posição social.

Entretanto, os pesquisadores não identificaram parentesco direto entre o Homem Dourado e os demais indivíduos examinados.

Famílias concentravam poder entre os povos citas

Ayshin Ghalichi liderou a equipe que analisou 85 pessoas de 20 sítios arqueológicos da Eurásia Central.

O conjunto incluía 38 integrantes da elite e 47 indivíduos de sepultamentos mais simples. As datações situavam essas pessoas entre 900 e 200 a.C.

A pesquisa apresentou cinco resultados principais:

  • Integrantes da elite tinham probabilidade 11 vezes maior de possuir parentesco entre si;
  • Túmulos de diferentes regiões da estepe abrigavam irmãos;
  • Sepultamentos privilegiados reuniam pais, filhos, avós e netos;
  • Grandes túmulos monumentais também abrigavam crianças;
  • Mulheres representavam quase metade da elite analisada.

A concentração de parentes nos túmulos mais ricos aponta para dinastias familiares. Assim, essas linhagens preservavam poder e prestígio entre gerações.

Reconstrução ilustrativa do traje do Homem Dourado, símbolo da elite cita cujo poder e prestígio circulavam entre diferentes gerações familiares.

Mulheres também ocupavam posições de destaque

Mulheres compunham quase metade do grupo de elite. O resultado contraria a imagem de uma sociedade controlada exclusivamente por guerreiros homens.

A descoberta também reforça relatos do historiador grego Heródoto. Seus registros descrevem mulheres citas em posições relevantes e durante combates.

Os pesquisadores ainda identificaram um irmão e uma irmã com sinais de elevado prestígio em seus sepultamentos.

Dessa forma, o status alcançava diferentes integrantes da família. Os grandes kurgans preservavam a memória e a autoridade dessas linhagens.

Os citas não deixaram registros escritos próprios. Por isso, relatos estrangeiros e sepultamentos espalhados pela estepe sustentam grande parte do conhecimento disponível.

Agora, o DNA amplia a compreensão dessa sociedade marcada por hierarquias, centros de poder e redes familiares organizadas.

Na sua opinião, quantas outras descobertas arqueológicas ainda podem ter suas histórias transformadas pela análise do DNA antigo?

Share This Article