Criado como projeto temporário, o Puro Oyster Bar cresceu dentro do Jurerê Open, passou de 12 para 28 lugares e conquistou reconhecimento nacional ao valorizar ostras, peixes, berbigão, ouriços, vinhos e produtores de Santa Catarina, antes de anunciar o encerramento das atividades em 31 de julho de 2026 no local.
Um restaurante planejado para funcionar por poucos meses em um espaço de apenas 12 lugares acabou permanecendo por seis anos, conquistando clientes, ampliando sua estrutura e chegando à lista dos 100 melhores do Brasil. O Puro Oyster Bar, criado pelo chef catarinense Pedro Soares, alcançou a 50ª posição no ranking da Exame Casual.
Segundo reportagem publicada pelo NSC Total em 22 de julho de 2026, o restaurante encerrará as atividades em 31 de julho porque o Jurerê Open, em Jurerê Internacional, utilizará o espaço para iniciar as obras de um novo empreendimento. A fonte não informa se o negócio será reaberto futuramente em outro endereço.
O Puro Oyster Bar começou a funcionar em 2020 em um espaço cedido por empresários do Jurerê Open. O endereço seria utilizado provisoriamente enquanto um novo edifício planejado para o local ainda não saía do papel.
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A proposta inicial era testar um pequeno bar especializado em ostras nativas da variedade Gasar. O restaurante tinha apenas 12 lugares e foi tratado pelo chef como um laboratório, no qual seria possível experimentar preparações e avaliar a resposta do público.
Pouco depois da abertura, a pandemia de Covid-19 alterou o planejamento. As obras previstas para o endereço foram suspensas, permitindo que o estabelecimento permanecesse no local por cerca de três anos.
Durante esse período, Pedro Soares desenvolveu menus, testou técnicas e ampliou a pesquisa sobre pescados, mariscos e outros ingredientes de Santa Catarina. O espaço também passou a receber moradores do bairro, que ajudaram a manter o projeto ativo.
Clientes incentivaram a continuidade do projeto
Quando o período provisório chegou ao fim, a equipe se preparava para encerrar o restaurante. A reação dos frequentadores, porém, mostrou que o negócio havia deixado de ser apenas uma experiência temporária.
Moradores e clientes pediram que o Puro Oyster Bar continuasse funcionando. O apoio do público levou a equipe a procurar outro ponto dentro do próprio Jurerê Open, preservando a presença do restaurante na região.
A mudança levou o estabelecimento para um espaço próximo ao mar, com capacidade para 28 clientes. Embora continuasse pequeno, o novo endereço permitiu ampliar o atendimento e desenvolver a proposta gastronômica durante os três anos seguintes.
Ao todo, o projeto permaneceu em atividade por seis anos, somando o período inicial de 12 lugares e a segunda fase em uma estrutura maior.
Experiência no exterior ajudou chef a buscar identidade própria
Antes de criar o Puro Oyster Bar, Pedro Soares passou por um período de formação e trabalho em cozinhas europeias. Segundo o relato apresentado pelo NSC Total, essa experiência fez o chef refletir sobre a necessidade de construir uma identidade autoral.
Uma das referências citadas foi o Noma, restaurante dinamarquês conhecido pela valorização de ingredientes regionais. Pedro percebeu que pratos marcantes não dependiam necessariamente de produtos caros, mas de técnica, pesquisa e uma relação clara com o território.
A experiência ajudou a direcionar o restaurante para alimentos produzidos em Santa Catarina. Em vez de reproduzir modelos estrangeiros, o chef buscou nas próprias lembranças, na família, no litoral e nos produtores locais as bases para os pratos.
Essa escolha também significava mostrar que ingredientes simples, quando tratados de forma cuidadosa, poderiam ocupar espaço em uma cozinha reconhecida nacionalmente.
Gastronomia de Florianópolis ganhou espaço no cardápio
O chef também participou de ações internacionais ligadas à entrada de Florianópolis na Rede de Cidades Criativas da Gastronomia da Unesco, ocorrida em 2014. Em um congresso realizado em Dénia, na Espanha, apresentou preparações relacionadas à culinária local.
Entre os pratos levados ao evento estavam pirão com peixe, garoupa e pastel de berbigão. A experiência reforçou a percepção de que muitas pessoas de outros países jamais haviam provado alimentos associados a Florianópolis.
O restaurante passou a funcionar como uma vitrine dos sabores da costa catarinense. A intenção era apresentar ingredientes, técnicas e referências locais sem afastá-los de sua origem.
Essa identidade territorial se tornou um dos principais elementos do Puro Oyster Bar e ajudou a diferenciar o estabelecimento em um mercado com forte presença de cozinhas inspiradas em tradições internacionais.
Ostras e peixes locais viraram protagonistas
As ostras cultivadas na Grande Florianópolis ocuparam posição central no cardápio. Elas eram servidas ao natural e também apareciam em preparações criadas pelo chef.
Peixes sazonais, berbigão, ouriços-do-mar e produtos fornecidos por pescadores artesanais também faziam parte da proposta. O restaurante procurava acompanhar a disponibilidade dos ingredientes, em vez de manter o mesmo cardápio independentemente da época do ano.
Produtos da Serra catarinense complementavam a cozinha baseada no litoral. A seleção de bebidas seguia lógica semelhante, com prioridade para vinhos elaborados em Santa Catarina.
O menu degustação, oferecido mediante reserva, reunia diferentes etapas e buscava apresentar ao cliente uma sequência baseada em ingredientes da costa e de outras regiões do estado.
Restaurante chegou à 50ª posição nacional
A construção de uma cozinha associada ao território levou o Puro Oyster Bar ao ranking dos 100 melhores restaurantes do Brasil publicado pela Exame Casual. O estabelecimento alcançou a 50ª posição.
Segundo a reportagem, o Puro Oyster Bar foi o único representante de Santa Catarina na lista nacional. O reconhecimento ampliou a projeção de um negócio iniciado como experiência temporária em um espaço com apenas 12 assentos.
A colocação também reforçou o trabalho desenvolvido com fornecedores locais, pescadores, produtores e ingredientes sazonais. O resultado não veio de uma estrutura de grande capacidade, mas de um restaurante pequeno e concentrado em uma proposta específica.
A fonte não detalha os critérios, a pontuação individual ou o processo completo de avaliação utilizado para determinar a posição no ranking.
Encerramento acontecerá por causa de novas obras
Apesar do reconhecimento, o restaurante anunciou o encerramento das atividades para 31 de julho de 2026. O motivo informado não foi a falta de clientes nem o abandono da proposta gastronômica.
O Jurerê Open dará início às obras de um novo empreendimento no espaço ocupado pelo Puro Oyster Bar. A mudança planejada para o endereço tornou inviável a permanência do restaurante no local.
Nas redes sociais, Pedro Soares afirmou que a equipe encerrava o ciclo com a sensação de ter alcançado resultados maiores do que os inicialmente imaginados. A mensagem destacou as conquistas profissionais obtidas mesmo em uma estrutura pequena.
O NSC Total não informa se houve negociação para uma nova mudança dentro do complexo, se o restaurante buscará outro imóvel ou se a marca será retomada posteriormente.
Ciclo termina depois de superar o plano inicial
Quando surgiu em 2020, o Puro Oyster Bar deveria existir apenas durante alguns meses. A suspensão das obras, a participação dos moradores e a resposta dos clientes prolongaram o projeto até completar seis anos.
Nesse intervalo, o restaurante passou de laboratório provisório a empreendimento reconhecido nacionalmente, mudou de endereço dentro do Jurerê Open, mais que dobrou a quantidade de lugares e consolidou uma cozinha associada a Santa Catarina.
Para Pedro Soares, o principal resultado foi demonstrar que a gastronomia catarinense pode alcançar projeção sem abandonar os ingredientes, a cultura e as memórias do estado.
O encerramento fecha uma etapa, mas não apaga o percurso construído pelo restaurante. Você acredita que o Puro Oyster Bar deveria reabrir em outro endereço e manter a proposta baseada em ingredientes catarinenses? Deixe sua opinião nos comentários.

