Em 1939, o Mercedes T 80 estava preparado para tentar alcançar 650 km/h e disputar o recorde absoluto de velocidade terrestre. Com mais de oito metros, seis rodas e um enorme motor aeronáutico, o veículo parecia pronto para desafiar os limites da engenharia no fim da década de 1930.
A potência de até 3.500 cv fazia parte do cálculo do projeto. A sigla cv significa cavalos de potência e indica a força esperada do motor. Esse número não representa um resultado comprovado, pois o carro nunca entrou em uma tentativa oficial.
As informações foram divulgadas por Mercedes Benz Museum, museu oficial dedicado à história da fabricante alemã. O material reúne a participação do piloto Hans Stuck, do projetista Ferdinand Porsche e do motor aeronáutico Daimler Benz DB 603 na criação da máquina.
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Hans Stuck, piloto alemão, queria disputar o recorde absoluto de velocidade terrestre. A meta era colocar a Alemanha no centro de uma competição que já envolvia veículos muito potentes e criados apenas para correr em linha reta.
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Para transformar a ideia em realidade, Stuck reuniu apoio para desenvolver um automóvel completamente diferente dos carros comuns. A missão exigia enorme potência, baixa resistência do ar e estabilidade suficiente para manter a direção em uma velocidade superior a 600 km/h.
O desafio ficou ainda maior porque os recordes aumentavam enquanto o projeto avançava. A meta passou a ser 650 km/h, um valor calculado para a tentativa, não uma velocidade atingida pelo Mercedes T 80.
Ferdinand Porsche colocou um motor de avião sobre seis rodas
Ferdinand Porsche, projetista responsável pelo veículo, criou uma estrutura com seis rodas para receber o grande motor Daimler Benz DB 603. O equipamento havia sido desenvolvido para uso em aviões e ocupava a parte central da máquina.
O uso de um motor aeronáutico tinha uma razão simples: um carro comum não oferecia a força necessária para a velocidade desejada. O projeto previa até 3.500 cv, mas essa potência ficou no campo dos cálculos e da preparação técnica.
As seis rodas também ajudariam a distribuir a força no solo. O objetivo era evitar que toda a potência chegasse a poucos pontos de contato, o que aumentaria o risco de perda de direção durante a aceleração.
Mais de oito metros para tentar manter o carro estável
O Mercedes T 80 media mais de oito metros e tinha uma carroceria longa, baixa e fechada. Seu formato procurava facilitar a passagem do ar e reduzir a resistência que empurra o veículo para trás durante o movimento.
Esse cuidado recebe o nome de aerodinâmica. Em linguagem simples, trata da maneira como o ar passa ao redor do carro. Quanto maior a velocidade, maior se torna a dificuldade para manter o veículo firme e seguindo em linha reta.
Mercedes Benz Museum, museu oficial dedicado à história da fabricante alemã, trouxe os números centrais do projeto. A meta final chegou a 650 km/h e exigia potência calculada de 3.500 cv, mas esses valores eram objetivos, não resultados obtidos em uma pista.
A estrada preparada para o teste exigia mais que potência
Uma tentativa de recorde não dependia apenas do motor. O Mercedes T 80 precisava de uma estrada longa, livre e adequada para acelerar, passar pelo ponto de medição e depois reduzir a velocidade com segurança.
Manter o controle acima de 600 km/h era uma parte decisiva. Uma pequena instabilidade poderia tirar o carro da trajetória. Por isso, o formato da carroceria, a posição das rodas e a distribuição do peso tinham tanta importância quanto a potência.
A estrada chegou a ser considerada para o teste, mas a corrida nunca aconteceu. Sem uma passagem cronometrada, não existe marca oficial que permita afirmar quanto o gigante realmente conseguiria atingir.
O projeto também servia à propaganda da Alemanha nazista
O T 80 foi desenvolvido durante a Alemanha nazista, período em que grandes feitos esportivos e técnicos eram usados pelo regime como propaganda política. Uma possível quebra de recorde seria apresentada como demonstração de força nacional.
Esse contexto precisa ser tratado sem transformar a ditadura em espetáculo. O veículo representa um projeto de engenharia, mas também esteve ligado a uma estrutura política que pretendia usar a velocidade e a tecnologia para promover o regime.
A ambição de atingir 650 km/h, portanto, ultrapassava a disputa entre máquinas. O possível resultado teria valor público e propagandístico para o governo alemão daquele período.
A Segunda Guerra Mundial impediu o único teste que importava
A Segunda Guerra Mundial interrompeu o projeto antes da tentativa. Com o conflito, o desenvolvimento perdeu espaço e as condições necessárias para realizar uma prova de velocidade deixaram de existir.
O motor foi retirado e o veículo ficou armazenado. O Mercedes T 80 permaneceu preservado como projeto, mas nunca cumpriu a missão para a qual havia sido criado.
O recorde do Mercedes T 80 ficou apenas nos cálculos
Existe uma diferença essencial entre projeto e resultado. Até 3.500 cv era a potência planejada, 650 km/h era a meta calculada e nenhuma velocidade foi comprovada em uma tentativa oficial.
O Mercedes T 80 entrou para a história não por quebrar um recorde, mas por chegar muito perto de disputá lo. Seu tamanho, as seis rodas e o motor de avião mostram até onde os engenheiros estavam dispostos a ir para buscar a maior velocidade terrestre.
Se a guerra não tivesse interrompido o projeto, o T 80 alcançaria 650 km/h ou perderia estabilidade antes do recorde? Comente e compartilhe.

