Em julho de 2006, uma falha no lastro deixou o cargueiro Cougar Ace inclinado a cerca de 60 graus perto das Ilhas Aleutas, no Alasca. O navio transportava 4.703 carros Mazda novos destinados aos Estados Unidos e ao Canadá.
Especialistas conseguiram recuperar a embarcação de 199 metros de comprimento, mas salvar o navio não significava salvar sua carga. A decisão final foi divulgada pela Mazda Newsroom, canal institucional de notícias da montadora.
Muitos automóveis pareciam intactos. Ainda assim, nenhum foi vendido como novo ou usado. A Mazda concluiu que não conseguiria garantir a segurança e o funcionamento futuro de cada unidade após o longo período de inclinação.
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O erro no lastro deixou o cargueiro quase deitado no mar
A água de lastro é armazenada em tanques na parte inferior do navio. Ela funciona como um peso controlado, ajudando a manter a embarcação equilibrada durante a viagem.
Durante uma troca dessa água, o peso deixou de ficar distribuído corretamente. A reportagem publicada por Car and Driver, revista especializada em automóveis dos Estados Unidos, detalhou como a operação comprometeu a estabilidade do Cougar Ace.
O cargueiro começou a inclinar para o lado esquerdo até chegar a cerca de 60 graus. Em uma embarcação com vários pavimentos internos, uma mudança dessa proporção desloca o ponto onde o peso está concentrado e aumenta o risco de tombamento.
O acidente não começou com uma colisão ou com um grande buraco no casco. Uma operação feita para equilibrar o navio provocou justamente o efeito contrário.
Especialistas precisaram equilibrar um navio de 199 metros
Os 23 tripulantes foram retirados com vida. Depois do resgate, o Cougar Ace permaneceu no mar em uma posição que tornava qualquer trabalho interno extremamente perigoso.
A embarcação foi rebocada até águas protegidas em Dutch Harbor, no Alasca. Os especialistas precisaram retirar água acumulada em algumas áreas e ajustar os tanques de lastro no lado oposto.
Cada mudança precisava ser feita lentamente. Se o peso fosse transferido de maneira brusca, o cargueiro poderia passar do ponto de equilíbrio e tombar para o outro lado.
O navio permaneceu inclinado por quase um mês. Após recuperar uma posição próxima da normal, foi levado ao Porto de Portland, onde passaria por reparos e teria a carga retirada.
Os 4.703 carros ocupariam vários estacionamentos inteiros
Se cada automóvel fosse colocado em uma única vaga, seriam necessários 4.703 espaços de estacionamento. No Brasil, isso equivaleria a reunir vários estacionamentos de grande porte para acomodar toda a carga da Mazda.
Os carros estavam distribuídos pelos pavimentos internos e presos por sistemas de fixação. Algumas unidades sofreram danos visíveis, enquanto outras permaneceram amarradas e pareciam ter atravessado o acidente sem grandes avarias.
A aparência, porém, não mostrava tudo o que poderia ter ocorrido. Os automóveis permaneceram por um longo período em uma inclinação extrema, situação que poderia alterar a posição de fluidos e causar esforços incomuns em peças internas.
Uma avaliação externa não seria suficiente para garantir que cada veículo funcionaria normalmente durante os anos seguintes. Esse risco transformou milhares de carros aparentemente aproveitáveis em uma carga sem destino comercial seguro.
Por que a Mazda decidiu destruir todos os carros
A primeira possibilidade era descartar os veículos claramente danificados e oferecer as unidades aprovadas como carros usados. A montadora abandonou essa ideia após avaliações feitas por engenheiros dos centros de pesquisa e desenvolvimento dos Estados Unidos e do Japão.
A Mazda Newsroom, canal institucional de notícias da montadora, anunciou em 15 de dezembro de 2006 que todos os 4.703 automóveis seriam destruídos.
Jim O’Sullivan, presidente e diretor executivo da Mazda North American Operations, reconheceu que alguns veículos apresentavam pouco ou nenhum dano visível. Mesmo assim, a possibilidade de problemas futuros levou a empresa a impedir a venda de qualquer unidade.
A Mazda não poderia saber se um defeito escondido apareceria meses ou anos depois. Por isso, preferiu perder toda a carga a colocar nas ruas automóveis cuja segurança e durabilidade não poderiam ser garantidas.
A montadora divulgou os números de identificação dos veículos envolvidos no acidente. Esse registro permitia diferenciar os carros transportados pelo Cougar Ace de outros modelos iguais vendidos normalmente.
A decisão também impediu que unidades aparentemente intactas fossem reparadas e oferecidas posteriormente sem que o comprador conhecesse sua origem. Nenhum dos 4.703 Mazdas foi vendido como carro novo ou usado.
Car and Driver, revista especializada em automóveis dos Estados Unidos, registrou que componentes não foram liberados para reaproveitamento comercial. Os carros passaram por retirada de fluidos, inutilização de peças e esmagamento.
O material restante foi encaminhado para reciclagem como sucata. Dessa forma, os veículos não poderiam ser reconstruídos nem abastecer o mercado comum de peças usadas.
O cargueiro foi salvo e voltou a transportar automóveis
Após recuperar a estabilidade, o Cougar Ace foi rebocado até Portland, inspecionado e reparado. A embarcação conseguiu voltar ao serviço e retomou o transporte de carros pelo Oceano Pacífico.
O destino do navio criou a maior contradição do acidente. A estrutura de 199 metros foi recuperada, mas os milhares de automóveis levados em seus pavimentos foram condenados à destruição.
O episódio mostrou como uma falha durante a troca da água de lastro pode colocar uma embarcação gigantesca em risco. Também revelou por que a falta de danos visíveis não significa que um veículo esteja seguro depois de passar por uma situação extrema.
A Mazda preferiu destruir todos os 4.703 carros novos porque não poderia garantir o comportamento futuro de cada unidade. O navio voltou a navegar, mas nenhum daqueles automóveis chegou às concessionárias.
Você considera que a destruição foi a decisão mais segura ou acredita que os carros poderiam ter recebido outro destino? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.

