Do passado ao futuro: o avanço das mulheres no agronegócio brasileiro – Agro em Campo

andre queiroz
Do passado ao futuro: o avanço das mulheres no agronegócio brasileiro – Agro em Campo

Resumo da notícia

  • As Etimologias de Santo Isidoro reforçaram por séculos uma visão misógina, associando a palavra mulher à “moleza”, contrastando com a origem da palavra agricultura ligada ao trabalho e ação.
  • Em 2017, 19% dos estabelecimentos agropecuários no Brasil eram comandados por mulheres, com presença feminina crescente e predominância na faixa dos 45 aos 54 anos.
  • O agronegócio vê aumento acelerado da mão de obra feminina, impulsionado pela tecnologia e qualificação, tornando as mulheres essenciais para o futuro do setor competitivo e em transformação.

Assim as Etimologias de Santo Isidoro de Sevilha descreviam a origem da palavra mulher: “A mulher, mulier, deriva a sua denominação de mollities, moleza, como se disséssemos mollier“. Essa definição medieval não é gratuita: ajudou a consolidar, por séculos, uma percepção misógina acerca do feminino.

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É o mesmo autor que, por outro lado, explorava a definição da palavra latina agricultura, originada em “ager”: o lugar do trabalho e do agir. As palavras nunca são vazias: elas escondem sentidos, intenções e visões de mundo.

Entretanto, nem sempre a realidade e a palavra concordam. Inúmeros exemplos cotidianos, ao gosto do leitor, desmentem sem dificuldade a definição das Etimologias.

A presença feminina no agronegócio

O último Censo Agropecuário brasileiro, no distante ano de 2017 (o próximo deve ocorrer a partir de 2027) apontou alguns dados em relação ao número de estabelecimentos agropecuários por sexo do produtor: 19% eram comandados por mulheres. Quando se observa a distribuição por idade, os gráficos indicam a faixa etária feminina predominante: as produtoras tinham entre 45 e 54 anos.

Mais recentemente, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), no seu Boletim Mercado de Trabalho do agronegócio brasileiro, comparativo entre o segundo trimestre de 2024-2025, apontou dados e perspectivas.

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O perfil da mão de obra no agronegócio mostra o crescimento da presença feminina de 1,9% (203.093) em comparação à masculina, 0,2% (41.554). O Boletim conclui que o crescimento da presença feminina no agronegócio é mais acelerado em comparação aos homens.

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Mas e o futuro?

O futuro não apenas do trabalho em geral, mas também do agronegócio, está no desenvolvimento tecnológico. Esse quase lugar-comum implica que a mecanização e, em particular, a presença da IA fazem com que o mercado de trabalho esteja profundamente ligado à qualificação.

O Boletim do CEPEA observa as consequências desse panorama. De um lado, a migração da mão de obra para a agroindústria; de outro, o impulsionamento do profissionalismo e da formação tecnológica. Enfim, as próprias mudanças sociais colaboram com a perspectiva. O êxodo, especialmente dos jovens, para regiões urbanas altera a configuração do trabalho agrícola, sobretudo entre pequenos produtores.

Nesse cenário, a resposta à pergunta sobre o futuro do agronegócio passa pela ação de gestores e operadores cada vez mais qualificados, em um mundo que se afirma tão incerto quanto duramente competitivo. Os últimos dados nacionais indicam que a presença feminina deve ser parte essencial e transformadora desse processo.

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