El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina – Agro em Campo

giovanna costa
El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina – Agro em Campo

Resumo da notícia

  • O El Niño deve aumentar a produção de soja e café no Brasil, especialmente no Sul e Centro-Sul, mas o crescimento da oferta pode reduzir os preços internacionais das commodities.
  • O aumento da safra eleva os custos de armazenagem e logística, pressionando a rentabilidade dos produtores rurais apesar do ganho em produtividade.
  • Regiões Norte e Amazônia podem enfrentar secas, prejudicando a produção local e elevando riscos inflacionários, enquanto a oferta maior na América Latina pode aliviar preços globais de alimentos.

O El Niño pode favorecer a produção agrícola brasileira nos próximos meses, mas seus efeitos positivos sobre as lavouras não devem representar, necessariamente, maior rentabilidade para o produtor rural. A expectativa é de aumento na oferta de grãos e café, cenário que tende a pressionar os preços das commodities e elevar os custos de armazenagem.

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A análise faz parte de um estudo divulgado pela Allianz Trade, que avaliou os impactos do fenômeno climático sobre a agricultura da América Latina, com destaque para Brasil e Argentina. Segundo a empresa, episódios anteriores mostram que o fenômeno costuma criar condições favoráveis para importantes culturas agrícolas, principalmente nas regiões produtoras do Sul do continente.

Produção pode crescer, mas preços tendem a cair

Os dados reunidos pela Allianz Trade indicam que, durante eventos anteriores de El Niño, a produção de soja no Brasil chegou a ficar até 4% acima da tendência observada nos cinco anos anteriores. No caso do café arábica, o avanço foi de até 5% em relação à média histórica.

Embora o aumento da produtividade seja visto como um fator positivo para o agronegócio, ele também pode gerar um efeito contrário sobre a renda dos produtores. Com mais produtos disponíveis no mercado, a tendência é que os preços internacionais das commodities agrícolas recuem, reduzindo as margens de lucro ao longo da comercialização da safra.

Além disso, uma colheita mais volumosa exige maior capacidade de armazenagem. O estudo destaca que esse cenário pode elevar significativamente os custos logísticos para produtores e tradings, especialmente em períodos de maior concentração da oferta.

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Impactos variam conforme a região do Brasil

Os efeitos do El Niño não devem ocorrer de forma uniforme em todo o país. De acordo com a Allianz Trade, as regiões Sul e parte do Centro-Sul tendem a registrar aumento das chuvas, favorecendo o desenvolvimento de culturas como soja, milho e café.

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Já o Norte do Brasil e a região amazônica podem enfrentar condições mais secas. Esse cenário amplia os riscos para a produção de alimentos, dificulta a logística em algumas áreas e pode afetar até a geração de energia elétrica.

Segundo o levantamento, essa assimetria coloca Brasil, Colômbia e Peru entre os países latino-americanos mais vulneráveis a impactos inflacionários provocados pelas alterações climáticas associadas ao fenômeno.

Efeitos também podem alcançar o mercado internacional

No cenário global, a expectativa é que o aumento da oferta de soja e milho produzido na América Latina contribua para aliviar parte das pressões sobre os preços mundiais dos alimentos.

Ao mesmo tempo, outras regiões produtoras continuam enfrentando condições climáticas adversas. O estudo cita que países do Leste Asiático e da África Ocidental permanecem sob risco de seca, situação que pode comprometer culturas estratégicas, como cacau, óleo de palma e arroz.

Exportadores podem sair fortalecidos

A Allianz Trade avalia que exportadores agrícolas brasileiros poderão se beneficiar do maior volume de produção, fortalecendo suas operações e ampliando a capacidade de acesso ao crédito.

Por outro lado, empresas ligadas ao processamento de alimentos e intermediários do mercado de commodities podem enfrentar um ambiente mais desafiador. A combinação entre excesso de oferta e queda nas cotações internacionais tende a aumentar a pressão sobre as margens financeiras do setor.

Na avaliação da seguradora, o El Niño reforça que uma safra recorde nem sempre significa maior lucro para o agronegócio. Apesar do potencial de elevar a produtividade em diversas culturas, fatores como preços internacionais, custos de armazenagem e dinâmica do mercado continuarão sendo determinantes para o resultado financeiro dos produtores brasileiros.

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