Em uma oficina de Herat cercada por motores, engrenagens e fios, cinco adolescentes afegãs passaram aproximadamente três meses transformando peças automotivas usadas em um protótipo de respirador. O grupo era liderado por Somaya Faruqi, estudante de 17 anos e responsável pela equipe.
No centro da montagem estava uma bolsa de ventilação manual, normalmente apertada pelas mãos de um profissional de saúde. O mecanismo criado pelas jovens repetia essa compressão automaticamente, mas continuava sendo um protótipo experimental, sem equivaler a um ventilador hospitalar certificado.
A informação foi publicada por UNICEF Afeganistão, escritório nacional do Fundo das Nações Unidas para a Infância. A entidade registrou que as cinco estudantes de Herat utilizaram peças de carros antigos para responder à falta de equipamentos durante a pandemia.
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A falta de equipamentos colocou Herat diante de um problema urgente
O Afeganistão enfrentava dificuldades para importar equipamentos e componentes médicos. A escassez reduzia as opções disponíveis para apoiar pacientes com problemas respiratórios e exigia soluções que pudessem ser montadas com materiais encontrados no próprio país.
Uma bolsa manual poderia ajudar temporariamente uma pessoa a respirar, mas precisava ser apertada repetidas vezes por alguém treinado. Essa tarefa exige atenção constante e esforço contínuo, principalmente quando o atendimento se prolonga.
As adolescentes decidiram automatizar esse movimento. A função do protótipo de respirador era comprimir a bolsa em intervalos regulares e diminuir a dependência da força manual, sem prometer o mesmo desempenho de um aparelho utilizado em hospitais.
Como a bolsa manual ganhou um mecanismo automático
A bolsa de ressuscitação manual é um recipiente flexível que recupera o formato depois de ser apertado. Cada compressão empurra ar para a pessoa que não consegue respirar adequadamente sem ajuda.
No protótipo, o giro de um motor movimentava correntes e engrenagens. Essas peças transmitiam força para um mecanismo que pressionava a bolsa, criando uma sequência automática de compressões.
A dificuldade estava em controlar ritmo, pressão e volume de ar. Pessoas diferentes podem precisar de ajustes diferentes. Um movimento forte, fraco, rápido ou lento demais pode impedir que o sistema cumpra sua função com segurança.
A diferença entre protótipo e respirador hospitalar certificado
Fazer uma máquina apertar uma bolsa não a transforma automaticamente em ventilador hospitalar. Um equipamento certificado precisa controlar com precisão a pressão, o volume de ar e o ritmo da ventilação, além de avisar a equipe médica quando ocorre uma falha.
Antes do uso em pacientes, o aparelho precisa passar por testes de segurança, estabilidade e funcionamento contínuo. Também deve permitir limpeza adequada, apresentar respostas previsíveis e atender aos padrões exigidos pelas autoridades de saúde.
UNICEF Afeganistão, escritório nacional do Fundo das Nações Unidas para a Infância, registrou que o Ministério da Saúde Pública pediu pequenos ajustes antes da produção em escala. O aparelho permanecia como protótipo, sem autorização clínica comprovada ou registro de uso em pacientes.
Motor de Toyota Corolla e correntes de motocicleta moveram a montagem
Entre os componentes aproveitados estavam um motor retirado de um Toyota Corolla, peças do limpador do vidro dianteiro, uma caixa de engrenagens e correntes de motocicleta. A disponibilidade desses materiais facilitava a montagem dentro de Herat.
O motor fornecia movimento, enquanto correntes e engrenagens levavam essa força até o ponto de compressão. A estrutura mantinha a bolsa na posição correta para que o mecanismo pudesse apertar a bolsa de maneira repetida.
Sensores de pressão, calor e umidade ajudavam a observar o funcionamento. Mesmo com esses controles, a montagem ainda precisava demonstrar precisão e segurança antes de qualquer utilização médica.
Quem são as Afghan Dreamers e por que o projeto ganhou importância
As Afghan Dreamers, conhecidas como Sonhadoras Afegãs, formam uma equipe feminina de robótica de Herat. As cinco adolescentes participaram do projeto liderado por Somaya Faruqi, com apoio de Roya Mahboob, cofundadora da equipe.
O trabalho avançou sob restrições materiais, educacionais e logísticas. Além da dificuldade para conseguir componentes, meninas afegãs enfrentavam barreiras para entrar em áreas técnicas ocupadas principalmente por homens.
Somaya explicou que a ideia nasceu da necessidade urgente criada pela pandemia. A iniciativa mostrou o que jovens podem desenvolver quando recebem acesso à educação científica, orientação e espaço para colocar o conhecimento em prática.
Após aproximadamente três meses, as estudantes apresentaram um protótipo de respirador feito com peças usadas de automóveis. A montagem automatizava uma bolsa manual e respondia a uma escassez real, mas não podia ser tratada como equipamento médico aprovado.
Se cinco adolescentes criaram uma resposta com tão poucos recursos, quantas soluções perdemos ao afastar meninas da ciência? Comente e compartilhe.

