Vinte estudantes passam dois anos eletrificando um avião de quatro lugares e, ao fazê-lo decolar, revelam por que as baterias modulares, o peso e os 180 quilômetros de alcance ainda limitam a aviação elétrica

flavia marinho
Vinte estudantes passam dois anos eletrificando um avião de quatro lugares e, ao fazê-lo decolar, revelam por que as baterias modulares, o peso e os 180 quilômetros de alcance ainda limitam a aviação elétrica

O avião elétrico de quatro lugares deixou a pista e transformou dois anos de cálculos, montagem e testes em um voo real. Em 30 de setembro de 2022, aproximadamente 20 estudantes apresentaram a aeronave em Dübendorf, na Suíça, depois de desenvolverem os sistemas necessários para fazê la voar.

ETH Zurique, universidade pública suíça de ciência e tecnologia, divulgou o primeiro voo do e-Sling e os principais resultados do projeto. O grupo instalou um motor elétrico, adaptou a estrutura e criou baterias modulares com um sistema específico para controlar a temperatura.

A aeronave foi projetada para aproximadamente 1 hora e 15 minutos de operação, com alcance próximo de 180 quilômetros. Esses números mostram o ponto mais difícil da aviação elétrica: a bateria fornece energia, mas também acrescenta peso ao avião que precisa levantá la e mantê la no céu.

A decolagem provou que o avião elétrico funcionava fora do hangar

Durante aproximadamente dois anos, a equipe trabalhou em um hangar no Parque de Inovação de Dübendorf. O objetivo era montar uma aeronave leve movida apenas por baterias e integrar motor, estrutura, energia e refrigeração em um único conjunto capaz de voar.

Assista o vídeo

Quando o e-Sling deixou a pista, o projeto deixou de ser apenas uma montagem testada no solo. A decolagem confirmou que os sistemas conseguiam trabalhar juntos durante o voo, embora ainda fossem necessários testes e melhorias antes de pensar em uma operação mais ampla.

O primeiro voo também mostrou a dimensão do trabalho estudantil. Os participantes precisaram aplicar conhecimentos de engenharia, resolver problemas de montagem e ajustar componentes que afetam diretamente o equilíbrio, o peso e a segurança da aeronave.

Eletrificar um avião é muito mais difícil do que eletrificar um carro

Um carro elétrico carrega suas baterias apoiado sobre pneus. Um avião precisa produzir força suficiente para levantar a própria estrutura, o motor, as pessoas e toda a energia armazenada. Por isso, cada quilo adicional interfere no esforço necessário para permanecer no ar.

Instalar mais baterias pode aumentar a quantidade de energia disponível, mas também aumenta a massa total. O avião passa a gastar parte dessa energia para carregar o peso extra, o que reduz o ganho esperado e limita a autonomia.

Esse desafio é explicado pela densidade de energia, expressão usada para mostrar quanta energia pode ser armazenada em determinado peso. Uma bateria mais leve e com mais energia permite voos maiores. Uma bateria pesada ocupa espaço e reduz a capacidade disponível para ocupantes e carga.

Na prática, a aviação elétrica precisa encontrar um equilíbrio difícil. A aeronave deve levar energia suficiente para voar sem ficar pesada demais, mantendo desempenho, controle e limites seguros de operação.

Um kit de avião da África do Sul serviu como ponto de partida

Os estudantes não desenharam toda a aeronave desde o início. Um kit de avião leve da Sling Aircraft, fabricante da África do Sul, forneceu a estrutura básica usada no projeto.

Vinte estudantes passam dois anos eletrificando um avião de quatro lugares

A equipe fez adaptações, montou o avião e instalou a tecnologia elétrica desenvolvida durante o trabalho. Essa escolha permitiu concentrar esforços no motor, nas baterias, na refrigeração e na ligação entre os sistemas.

Mesmo com uma estrutura existente, a transformação exigiu cuidado. A posição das baterias e dos demais componentes interfere na distribuição do peso, enquanto qualquer mudança pode afetar a forma como o avião responde durante a decolagem, o voo e o pouso.

Baterias modulares podem ser trocadas durante uma parada

ETH Zurique, universidade pública suíça de ciência e tecnologia, detalhou que o e Sling recebeu um sistema modular de baterias. Em vez de formar uma única unidade fixa, o conjunto foi dividido em módulos que podem ser retirados e substituídos durante uma parada.

A solução evita que toda a operação dependa apenas do tempo de recarga com as baterias instaladas. Porém, a troca ainda leva algum tempo, e não foi divulgado um prazo exato para retirar os módulos usados e colocar outros no avião.

As baterias possuem refrigeração específica para controlar o calor produzido durante o funcionamento. O controle da temperatura é necessário porque o sistema precisa entregar energia ao motor sem ultrapassar condições adequadas de operação.

O procedimento exato para uma falha de bateria ou de outro componente não foi divulgado. Por isso, não é possível afirmar quais respostas automáticas, avisos ou medidas de segurança foram aplicados em cada situação.

Alcance de 180 quilômetros mostra o limite atual do projeto

O e-Sling foi projetado para aproximadamente 1 hora e 15 minutos de operação e alcance próximo de 180 quilômetros. A distância permite imaginar usos em trajetos curtos, mas ainda está longe da autonomia necessária para muitas operações comerciais.

Um kit de avião leve da Sling Aircraft, fabricante da África do Sul, forneceu a estrutura básica usada no projeto.

O alcance não depende somente do tamanho da bateria. Peso, espaço interno, consumo do motor e quantidade de energia precisam permanecer equilibrados. Aumentar um desses pontos pode criar perdas em outro.

A aeronave silenciosa poderia ser usada no monitoramento de parques nacionais sem incomodar os animais. Esse tipo de tarefa combina distâncias menores com a vantagem de produzir menos ruído durante o voo.

A equipe também passou a considerar um sistema movido a hidrogênio para aumentar a autonomia. Células de combustível podem armazenar mais energia em relação ao peso do que as baterias usadas no e Sling, mas essa etapa permanecia como um próximo objetivo do projeto.

Quatro lugares não garantem quatro ocupantes em todo voo

A expressão avião de quatro lugares descreve a configuração da cabine. Ela não significa que quatro pessoas possam ocupar a aeronave em qualquer teste, distância ou condição de operação.

O número de ocupantes depende do peso das baterias, das pessoas e dos demais itens transportados. A configuração do voo e as exigências de certificação também podem impor limites antes de liberar todos os assentos.

Essa diferença é importante para não interpretar o projeto de forma errada. O avião possui quatro lugares, mas a capacidade real de cada voo precisa respeitar o peso máximo e as condições definidas para aquela operação.

Após dois anos de trabalho, aproximadamente 20 estudantes conseguiram unir estrutura, motor elétrico, baterias modulares e refrigeração em uma aeronave leve capaz de deixar a pista. O voo mostrou que o projeto funcionava, mas ainda não representava um avião comercial pronto.

Os 180 quilômetros de alcance resumem o principal limite da tecnologia. A aviação elétrica pode avançar primeiro em trajetos curtos, porém depende de baterias mais leves, trocas mais rápidas e sistemas preparados para operar com segurança em maior escala.

Para tornar o avião elétrico viável, o avanço decisivo virá de baterias mais leves ou de novas fontes, como o hidrogênio? Comente e compartilhe.

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