Giorgio Guedin Florianópolis
Copom reduziu a Selic pela quarta vez consecutiva, para 14% ao anoFoto: Agência Brasil/Reprodução/ND Mais
O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu nesta quarta-feira (05) reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi aprovado por unanimidade.
Esta é a quarta redução consecutiva da taxa básica de juros. Desde março, quando o BC (Banco Central) iniciou o atual ciclo de cortes, a Selic já recuou um ponto percentual.
Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano durante dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026. A taxa estava no maior patamar em quase duas décadas.
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Por que o Copom reduziu a taxa básica de juros para 14%?
Banco Central manteve sinal de cautela mesmo com novo corte na taxa básica de jurosFoto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Ao justificar a decisão, o Banco Central apontou uma moderação gradual da atividade econômica brasileira, embora considere que a economia ainda permanece resiliente e que o mercado de trabalho segue aquecido.
A inflação cheia também desacelerou nos dados mais recentes, mas continua acima do limite superior da meta. Segundo o Copom, as medidas que buscam identificar a tendência da inflação também apresentaram desaceleração.
Mesmo com o novo corte, o BC deixou claro que pretende manter uma postura de cautela antes de definir até onde poderá levar a redução dos juros.
“A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o Copom.
Inflação ainda preocupa o Banco Central
Um dos principais obstáculos para cortes maiores está nas expectativas de inflação. Segundo a pesquisa Focus, as projeções estão em 5% para 2026 e 4,2% para 2027, ainda acima da meta perseguida pelo Banco Central.
Já no cenário de referência do próprio Copom, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é de 5,1% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028.
Entre os riscos que podem pressionar os preços para cima, o BC cita expectativas de inflação desancoradas por mais tempo, impactos do petróleo, efeitos climáticos sobre a agricultura e a energia, inflação de serviços resistente, câmbio depreciado e estímulos que aumentem o consumo acima do esperado.
Guerra no Oriente Médio mantém BC em alerta
O cenário internacional também aparece entre as preocupações do Copom. O Banco Central destacou as incertezas envolvendo os conflitos armados no Oriente Médio e a política monetária de economias avançadas.
Segundo o Comitê, o ambiente externo tem provocado maior volatilidade nos preços de ativos e commodities e exige cautela adicional de países emergentes, como o Brasil.
O Banco Central também afirmou que continuará acompanhando os efeitos da política fiscal brasileira sobre a inflação, os juros e os ativos financeiros.
Copom não indica tamanho dos próximos cortes da Selic
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo votou pela redução da Selic para 14% ao anoFoto: Raphael Ribeiro/Banco Central/ND Mais
Apesar de promover a quarta redução seguida, o Copom não antecipou qual será a magnitude dos próximos movimentos.
O Comitê afirmou que o cenário continua marcado por aumento significativo da incerteza, expectativas de inflação desancoradas e riscos elevados. Por isso, novas decisões dependerão dos indicadores divulgados até as próximas reuniões.
Votaram pela redução para 14% o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os integrantes Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

Giorgio Guedin
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