Pré-candidatos à presidência da República, da esquerda à direita: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).Foto: Divulgação/Assessorias/ND Mais
Os vices dos presidenciáveis ganharam protagonismo nos últimos dias, e mais do que a composição de chapa para a disputa de outubro, revelam as estratégias montadas por cada candidato para a disputa pelo Palácio do Planalto em 2026.
Mais do que cumprir uma exigência eleitoral, os nomes escolhidos para compor as chapas indicam quais segmentos, regiões e alianças cada campanha pretende fortalecer na eleição de outubro.
Entre as escolhas, um movimento chama atenção. Tanto Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) apostaram em nomes do Nordeste, região considerada estratégica por concentrar uma das maiores forças eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição.
Receba as principais notícias de política e eleições
O desafio dos adversários é reduzir uma vantagem histórica do petista em um eleitorado decisivo para as eleições presidenciais. Em 2022, o Nordeste teve papel fundamental na vitória de Lula, e a região voltou ao centro das estratégias das campanhas.
Alfredo Gaspar foi anunciado como vice-presidente de Flávio na chapa do PL.Foto: Beto Barata/ND Mais
Flávio Bolsonaro aposta em Alfredo Gaspar e reforça discurso de segurança
Flávio Bolsonaro foi um dos últimos entre os candidatos que lideram as pesquisas a definir o vice, após recusas do PP em apoiar a senadora Tereza Cristina para a chapa, e de Republicanos e União decidirem nao encampar a campanha do filho mais velho de Jair Bolsonaro de forma oficial.
Surpreendendo até mesmo apoiadores que cravavam o nome de uma mulher para disputar a presiência na chapa de Flávio, o senador escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), nome que une dois elementos considerados estratégicos pela campanha: a presença no Nordeste e a atuação na área de segurança pública.
Ex-promotor de Justiça, ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e ex-secretário estadual de Segurança Pública, Alfredo Gaspar construiu sua trajetória política com foco no combate ao crime organizado.
Na Câmara dos Deputados, integra a oposição ao governo Lula e ganhou projeção durante a CPMI do INSS, como relator do colegiado, ao defender responsabilização por fraudes e descontos indevidos em benefícios previdenciários.
A aposta em Alfredo Gaspar também busca ampliar a presença de Flávio Bolsonaro no Nordeste, região onde Lula mantém uma vantagem histórica nas disputas presidenciais.
Apesar de o ex-presidente Jair Bolsonaro ter ampliado sua votação em alguns estados nordestinos nas últimas eleições, a direita ainda enfrenta o desafio de reduzir a distância para o petista na região.
Com um nome local na chapa, o PL tenta criar uma ponte com eleitores nordestinos e fortalecer a candidatura em um dos principais palcos da disputa pelo Planalto.
A escolha também ocorre em um cenário de dificuldades do PL para ampliar alianças partidárias, levando Flávio a formar uma chapa considerada “puro-sangue”.
Senador cearense foi o escolhido de Zema para compor chapa em disputa pelo Palácio do Planalto.Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Zema escolhe Eduardo Girão para ampliar presença no Nordeste
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) seguiu uma linha semelhante ao anunciar o senador Eduardo Girão (Novo-CE) como vice. A escolha coloca um político nordestino na chapa e amplia a presença do Novo em uma região onde o partido busca crescer.
Senador pelo Ceará desde 2019, Girão ganhou projeção nacional por pautas conservadoras, defesa de medidas liberais na economia e oposição aos governos petistas.
O parlamentar também esteve no centro de uma disputa política envolvendo o PL no Ceará, após a aproximação do partido com Ciro Gomes no Estado.
Além do peso regional, a escolha de Girão busca aproximar Zema de um eleitorado que ainda é pouco explorado pelo Novo.
O senador cearense tem atuação consolidada no Estado e foi eleito em 2018 com mais de 1,3 milhão de votos, construindo uma imagem associada a pautas conservadoras, combate à corrupção e defesa de valores ligados à direita.
A estratégia da chapa é usar a presença de um nome nordestino com mandato e visibilidade nacional para abrir diálogo com setores do eleitorado da região onde Lula mantém sua maior força eleitoral, especialmente entre grupos conservadores e liberais.
Lula aposta em mais uma dobradinha com o vice Geraldo Alckmin em 2026Foto: Divulgação/PT/Carlos Moreira/ND Mais
Lula e Alckmin: de rivais em 2006 a companheiros em 2022 e 2026
Enquanto os adversários buscam novas estratégias regionais, Lula decidiu repetir a fórmula vencedora de 2022. O presidente terá novamente Geraldo Alckmin (PSB) como vice.
A escolha representa continuidade e estabilidade para a campanha.
Ex-governador de São Paulo, médico e político com mais de cinco décadas de vida pública, Alckmin agrega experiência administrativa, trânsito entre diferentes setores e diálogo com o centro político.
No terceiro mandato de Lula, o vice Alckmin também atuou como Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, teve papel fundamental no governo ao atuar junto aos setores na ocasião do tarifaço imposto por Donald Trump aos produtos brasileiros.
A aliança entre Lula e Alckmin também reforça a tentativa de ampliar a imagem de moderação da chapa e manter uma ponte com setores que tradicionalmente não integram a base petista.
Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab juntos na corrida presidencial em 2026Foto: Cristiano Borges/ND Mais
Caiado aposta na força política de Kassab
Já o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) escolheu um vice com forte peso partidário para ser o aliado na disputa ao Planalto em outubro.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, será o companheiro de chapa de Caiado em mais uma disputa presidencial do goiano, que já foi candidato em 1989, também contra Lula, na primeira eleição direta após a redemocratização do Brasil.
Engenheiro e economista, Kassab tem longa trajetória política. Foi vereador, deputado estadual, deputado federal, prefeito de São Paulo e ministro de governos federais, além de fundador do PSD.
A escolha reforça a capacidade de articulação da candidatura, já que Kassab comanda uma das principais siglas do país e possui interlocução com prefeitos, governadores e lideranças do Congresso.
Tenente-coronel da reserva e jornalista, Aroldo Medina foi convidado por Renan Santos após homenageá-lo com uma medalhaFoto: Reprodução/ND Mais
Renan Santos escolhe Aroldo Medina com foco em segurança pública
Renan Santos (Missão) escolheu como vice o tenente-coronel da reserva da Brigada Militar do Rio Grande do Sul e jornalista Aroldo Medina.
Natural de Sant’Ana do Livramento (RS), Medina tem trajetória de três décadas na área de segurança pública. Também atua como jornalista e editor especializado em história militar.
A chapa é considerada “puro-sangue”, já que ambos os integrantes são filiados ao Missão. A escolha reforça a identidade da candidatura com pautas ligadas à segurança, defesa institucional e ordem pública.
Medina também possui experiência eleitoral e já disputou cargos como prefeito de Canoas, governador do Rio Grande do Sul, deputado estadual e vereador em Porto Alegre.
Augusto Cury confirma Júlio Delgado na vice pelo Avante e propõe fim do presidencialismo, reformas no STF e superministroFoto: Divulgação/ND Mais
Augusto Cury escolhe Júlio Delgado para agregar experiência política
O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) escolheu o ex-deputado federal Júlio Delgado como vice.
Advogado e político mineiro, Delgado exerceu seis mandatos na Câmara dos Deputados e construiu trajetória de atuação no Congresso Nacional.
A escolha segue uma lógica diferente das chapas que buscaram força regional. Delgado agrega experiência legislativa, articulação política e conhecimento do funcionamento do Parlamento.
A chapa defende propostas como a adoção do semipresidencialismo no Brasil, o fim do mandato vitalício de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com fixação de prazo de oito anos, e mudanças na estrutura do Ministério das Relações Exteriores.
Escolhas mostram diferentes estratégias para outubro
As definições dos vices mostram que cada candidato buscou preencher uma necessidade específica da campanha. Flávio Bolsonaro e Romeu Zema miram o Nordeste como caminho para reduzir a vantagem histórica de Lula na região.
O presidente aposta na continuidade com Alckmin. Caiado busca musculatura política com Kassab. Renan Santos reforça sua identidade ideológica com Medina. Augusto Cury aposta na experiência institucional de Júlio Delgado.
Mais do que ocupar o segundo posto da chapa, os vices assumem papel estratégico na disputa presidencial, funcionando como peças de ampliação de alianças, conquista de segmentos do eleitorado e construção da imagem dos candidatos na corrida pelo Planalto.
