A Electrolux anunciou o encerramento da unidade em Jászberény, na Hungria somando 2.700 demissões globais em 2026Foto: Electrolux/Index/Reprodução/ND Mais
A multinacional sueca de eletrodomésticos Electrolux Group anunciou a decisão de encerrar as operações de sua fábrica localizada em Jászberény, na Hungria. A unidade é responsável pela fabricação de produtos de refrigeração embutidos e independentes.
O encerramento definitivo da produção na unidade húngara está previsto para o final de 2026. A medida provocará o desligamento de aproximadamente 600 funcionários diretos do complexo fabril.
Para cobrir os custos operacionais do fechamento, a empresa reportará um encargo de reestruturação de aproximadamente SEK 0,6 bilhão (R$ 318 milhões), sendo SEK 0,3 bilhão (R$ 159 milhões) referente ao impacto em caixa.
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Esse valor será registrado como item não recorrente negativo no balanço do segundo trimestre de 2026 para a região da Europa, Oriente Médio, África e Ásia-Pacífico.
Electrolux demite até 2,7 mil funcionários com fim de fábricas
O total de 2.700 demissões representa a soma dos cortes diretos anunciados pela Electrolux em três mercados estratégicos em 2026: 1.700 posições na Itália, 600 funcionários na Hungria (com o fechamento da fábrica de Jászberény) e 400 colaboradores no Chile (com o encerramento da unidade de Santiago).
Esse volume de desligamentos reflete o impacto humano e operacional do plano global da multinacional sueca para enxugar custos, fechar fábricas deficitárias e adaptar sua capacidade produtiva diante do desaquecimento do mercado europeu e da forte concorrência global.
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A decisão segue uma avaliação estratégica para fortalecer a competitividade de custos do grupo em meio a um cenário desafiador. A Electrolux citou que a medida foi impulsionada pela “demanda estagnada do mercado, pressão sobre os preços e crescentes restrições à competitividade”.
A empresa esclareceu que o atendimento ao mercado de refrigeração será suprido por outras unidades existentes da multinacional e parcerias com fornecedores externos (OEM). Além disso, as atividades comerciais, de vendas e marketing gerenciadas pelo escritório corporativo em Budapeste não serão afetadas.
Reestruturação na Itália e encerramento produtivo no Chile
O fechamento da unidade na Hungria representa a terceira fábrica com encerramento de produção anunciado pela Electrolux em 2026, somando-se às medidas adotadas na América Latina e no sul da Europa.
Na Itália, em comunicado emitido em 11 de maio de 2026, a Electrolux iniciou um plano de otimização de sua estrutura organizacional e produtiva que abrange seus cinco estabelecimentos industriais no país. O processo impactará cerca de 1.700 posições de trabalho.
Gigante dos eletrodomésticos toma decisão drástica de US$ 970 mi para frear crise globalFoto: Electrolux/Divulgação/ND Mais
Segundo a empresa, o setor europeu de eletrodomésticos enfrenta um cenário prolongado de dificuldades operacionais. “O programa insere-se num plano global mais amplo do Grupo, destinado a melhorar a eficiência operacional global e a otimizar a capacidade industrial numa escala global, com o objetivo de tornar a organização mais ágil e competitiva”, afirmou a Electrolux Group em nota oficial.
Anteriormente, em 31 de março de 2026, a multinacional já havia confirmado o fim definitivo das atividades de sua fábrica em Santiago, no Chile. A paralisação da unidade chilena foi concluída no final de abril de 2026 e resultou na demissão de cerca de 400 colaboradores.
Electrolux gasta R$ 272,5 milhões para fechar fábricaFoto: Divulgação/ND Mais
Pelo encerramento no Chile, a Electrolux contabilizou um encargo de reestruturação de SEK 0,5 bilhão (R$ 265 milhões), sendo SEK 0,2 bilhão em caixa, registrado no primeiro trimestre de 2026 no balanço da América Latina.
O abastecimento do mercado chileno passou a ser realizado via importações de outras unidades fabris do grupo e parceiros globais.
Parceria com a Midea e reformulação industrial na América do Norte
Em paralelo ao encerramento de unidades na Europa e América Latina, a Electrolux anunciou em 23 de abril de 2026 um acordo estratégico de longo prazo com o Midea Group para reestruturar suas operações na América do Norte.
A transação envolve a criação de três Joint Ventures (JVs) focadas nos segmentos de refrigeração e lavanderia:
- Joint Venture de Vendas: Parceria 50/50 para co-desenvolvimento e estratégias comerciais de produtos de refrigeração na América do Norte.
- Joint Venture de Manufatura em Juárez (México): A Midea adquire 65% dos ativos operacionais de refrigeração da fábrica mexicana, enquanto a Electrolux retém 35%. A divisão de lavanderia em Juárez continua 100% sob controle da Electrolux.
- Joint Venture de Manufatura em Anderson (EUA): A fábrica localizada na Carolina do Sul encerra a fabricação de refrigeração até julho de 2026 e será reconvertida para produtos de lavanderia. A Electrolux deterá 55% e a Midea 45% dessa nova operação, com início produtivo previsto para o primeiro semestre de 2027.
“Esta parceria marca um marco importante na execução da estratégia do Electrolux Group e nos posiciona para acelerar o crescimento lucrativo”, declarou Yannick Fierling, Presidente e CEO do Electrolux Group.
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A reestruturação na América do Norte impactará aproximadamente 1.500 funcionários em 2026 e exigirá baixas contábeis no total de SEK 2,4 bilhões (R$ 1,27 bilhão) no segundo trimestre de 2026. Por outro lado, a venda parcial dos ativos em Juárez gerará um fluxo de caixa positivo de SEK 1,0 bilhão (R$ 530 milhões), e a nova linha em Anderson prevê a contratação gradual de até 1.200 trabalhadores entre 2027 e 2028.

Renato Becker Editor/Repórter
Renato Becker é repórter e editor no Núcleo Nacional do ND Mais, onde escreve matérias de serviço e explicativas sobre benefícios, direitos, mercado e assuntos que afetam a vida dos brasileiros. Seu trabalho se concentra na produção de notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial à política, à economia e aos negócios, além de temas de interesse público, trazendo informações claras, úteis e contextualizadas. Também participou da cobertura de casos de grande repercussão, tanto de segurança pública quanto de política. Atuando no jornalismo desde 2018, já trabalhou na assessoria de comunicação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e assinou a série “Meu Voto, Nosso Futuro”, dedicada a acompanhar as eleições no país. Trabalhou como repórter na cobertura das Eleições 2022 e como editor de Distribuição nas Eleições 2024. Leia mais ▾
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