Lula prepara relatório de queda no desmatamento na Amazônia para rebater tarifas dos EUA anunciadas por TrumpFoto: Ricardo Stuckert/PR/ND Mais
O governo brasileiro definiu uma nova estratégia para combater a ameaça de imposição de tarifas de até 25% sobre as exportações do país enviadas aos Estados Unidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai apresentar pessoalmente ao presidente norte-americano, Donald Trump, o balanço recente da fiscalização ambiental no Brasil, demonstrando a redução histórica do desmatamento na Amazônia como principal argumento técnico e diplomático para reverter o tarifaço comercial dos EUA.
A movimentação ocorre após conclusões do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), na sigla em inglês), que enquadrou o Brasil em investigações sobre alegadas barreiras comerciais desleais. Para contestar as alegações de negligência ambiental usadas no relatório norte-americano, a gestão federal reuniu relatórios detalhados elaborados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, comprovando o recuo contínuo da devastação na floresta tropical.
Estratégia diplomática de Lula usa dados do INPE contra sanções comerciais
A ofensiva brasileira visa desarmar os pretextos ambientais apontados pelas autoridades de comércio de Washington. Ao citar os dados científicos e oficiais do sistema Deter e Prodes, a diplomacia brasileira pretende demonstrar que o combate aos crimes ambientais na Amazônia Legal está no menor patamar de alertas em anos.
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Lula: “Fiz questão de tirar fotografia dos números porque, para os Estados Unidos, nesse novo tarifaço que fizeram para o Brasil, um dos motivos era que a gente não cuidava do desmatamento. Quero preparar os números e mandar para o meu amigo Trump. Pra ele saber que quem o informou não informou sobre a verdade.”
Segundo a avaliação do Planalto, apresentar os números diretamente ao chefe de Estado norte-americano, a quem Lula se referiu no contexto das conversas multilaterais como “meu amigo Trump”, permite colocar o debate em um campo estritamente técnico e factual, desvinculando o comércio bilateral de disputas ideológicas ou eleitorais.
Lula prepara relatório de queda no desmatamento na Amazônia para rebater tarifas dos EUA anunciadas por TrumpFoto: Daniel Torok/White House/ND Mais
Principais dados do balanço ambiental brasileiro
- Queda histórica na Amazônia: Redução de 36% na área sob alertas de desmatamento no período de monitoramento recente, atingindo o menor índice da série histórica e ficando 55,6% abaixo da média dos últimos dez anos.
- Queda acumulada no mandato: Recuo consolidado de cerca de 50% nas taxas de desmatamento da Amazônia entre 2023 e 2025.
- Avanços no Cerrado e outros biomas: Redução de 7,8% no desmatamento do Cerrado (menor nível em cinco anos), além de quedas de 34,3% na Caatinga, 15,3% na Mata Atlântica e 41,7% no Pampa.
O que está em jogo na disputa entre Brasil e Estados Unidos
A investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial norte-americana abrange pontos como propriedade intelectual, regulação de tecnologia, mercado de etanol, a popularização do sistema PIX e o desmatamento ilegal.
A recomendação de taxação em até 25% sobre produtos brasileiros acendeu o sinal de alerta no setor produtivo nacional, especialmente nas áreas da indústria de transformação, agronegócio e exportação de manufaturados.
A cadeia de madeira e produtos florestais está entre as mais expostas aos impactos do novo tarifaço dos Estados Unidos sobre exportações brasileirasFoto: Reprodução/ND Mais
A equipe econômica e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reiteram que o caminho para neutralizar a medida é o diálogo firme, amparado em dados concretos.
O governo reforça que temas de soberania financeira, como a autonomia do PIX, não estão abertos a negociação, enquanto os aspectos ambientais serão demonstrados com total transparência e rigor científico.

Renato Becker Editor/Repórter
Renato Becker é repórter e editor no Núcleo Nacional do ND Mais, onde escreve matérias de serviço e explicativas sobre benefícios, direitos, mercado e assuntos que afetam a vida dos brasileiros. Seu trabalho se concentra na produção de notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial à política, à economia e aos negócios, além de temas de interesse público, trazendo informações claras, úteis e contextualizadas. Também participou da cobertura de casos de grande repercussão, tanto de segurança pública quanto de política. Atuando no jornalismo desde 2018, já trabalhou na assessoria de comunicação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e assinou a série “Meu Voto, Nosso Futuro”, dedicada a acompanhar as eleições no país. Trabalhou como repórter na cobertura das Eleições 2022 e como editor de Distribuição nas Eleições 2024. Leia mais ▾
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