Obrigado, 2024, pelas mudanças que fui motivado a realizar. E que venha 2025!

No universo das scale-ups, onde crescimento acelerado é a regra, reinventar-se é questão de sobrevivência

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Conta Simples
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Com mais de cinco anos de mercado, a Conta Simples é a principal plataforma de gestão de despesas corporativas do Brasil. A companhia tem o propósito de oferecer autonomia para equipes e controle dos gastos financeiros das empresas, e disponibiliza em seu portfólio uma gama completa de soluções, desde uma plataforma de gestão de despesas por meio de múltiplos cartões corporativos, além da conta PJ. Em 2024, foi reconhecida como uma das 100 fintechs mais promissoras do mundo pela CB Insights, lista que identifica empresas que estão transformando o cenário financeiro global. Ao todo, já são mais de 30 mil clientes ativos em sua plataforma, além de mais de 500 mil cartões criados. Somente em 2023, a empresa transacionou o valor de R$18 bilhões.

*Rodrigo Tognini, CEO e cofundador da Conta Simples

No universo das scale-ups, onde crescimento acelerado é a regra, reinventar-se é questão de sobrevivência. Em 2024, ficou claro para mim que os processos e estruturas que construímos na Conta Simples já não eram suficientes para nos levar ao próximo nível. Apesar de termos conquistado marcos importantes, como levantar uma das maiores rodadas Série B do ano e sermos reconhecidos como uma das 100 fintechs mais promissoras no mundo, percebi sintomas de estagnação na operação. 

Reuniões improdutivas, áreas operando em silos, desaceleração de inovações e um distanciamento preocupante do cliente. Esses sinais me forçaram a parar e a utilizar os três primeiros meses de 2024 para dar um zoom out e reavaliar não apenas o que estávamos fazendo, mas também como estávamos operando e liderando. 

No início, foi desafiador. Afinal, o que estávamos fazendo e executando não era exatamente da mesma forma de anos antes, que nos levaram a resultados excepcionais. A empresa cresceu e naturalmente aconteceram mudanças voluntárias e involuntárias no percurso. E ficou evidente que o que funciona em uma fase da empresa não garante sucesso na próxima, conforme a empresa cresce e evolui.

Abaixo compartilho as principais mudanças que foram feitas e os efeitos que já começaram a surgir:

Fim do modelo de OKRs: ·Esse foi um dos temas que mais discuti em 2024 e que já fazia todo sentido pra gente. OKRs são ótimos para muitas empresas, mas, para nós, tornaram-se burocráticas e complexas, atrasando decisões importantes. Optamos por  simplificar e criamos um modelo de metas macro com acompanhamento mensal, onde cada liderança acompanha até cinco indicadores prioritários. Isso trouxe clareza ao que deve ser feito e agilidade para o dia a dia.

Horizontalização da estrutura: Nossa estrutura havia se tornado vertical demais, com uma hierarquização desnecessária e improdutiva, o que resultou em um fluxo de comunicação mais complexo e gerou distanciamento entre líderes e operação. A solução? Horizontalizar. Reforcei a proximidade da liderança com a operação e aumentei o número de direct reports para garantir a fluidez no fluxo de trabalho. Também mudei minha crença de que liderança não deve ser operacional: às vezes, é preciso colocar a mão na massa para destravar o negócio.

Prioridade em lançamentos transformacionais: Percebi que, por mais que conseguíssemos evoluir nosso produto e lançar novas features, nossa entrega de valor estava lenta sem gerar o impacto que queríamos aos nossos clientes. Em um mercado competitivo como o nosso, isso é um risco estratégico. Me envolvi mais diretamente com os times de tecnologia e produto, aproximando-os de áreas como vendas e marketing. Criamos um ciclo de lançamentos mais alinhado às necessidades dos clientes, focado em entregas transformacionais.

Reaproximação com clientes: Com o crescimento da empresa e o surgimento de novas áreas, acabei me distanciando dos clientes e do processo de vendas. Isso foi um erro, pois estar próximo sempre me ajudou a tomar melhores decisões como CEO e a entender mais profundamente as evoluções e melhorias que poderíamos construir. Retomei essa conexão criando um pipeline e um CRM específico para acompanhar novos leads e clientes da base. Além de fechar vendas importantes, essa proximidade trouxe insights valiosos para melhorias nos produtos. 

Liderança como exemplo: Entendi que meu papel como líder é fundamental para garantir alta performance. Liderar pelo exemplo e estar próximo das operações ajudou a criar um ambiente mais colaborativo e ágil.

Toda ação gera uma reação e toda mudança resulta em consequências, sejam elas esperadas ou não. Mas, uma coisa é certa: se você quer fazer com que sua empresa continue evoluindo e inovando é importante estar sempre atento às necessidades atuais e quando é importante reavaliar crenças antigas e sua forma de operar dentro da empresa. Os contextos mudam, o mercado muda, e o negócio precisa mudar. Sempre para melhor, é claro.

Seguimos desenvolvendo nosso trabalho com muita intensidade e coragem. Os resultados no curto prazo já começaram a aparecer, e isso só me mostra que as mudanças foram na direção correta, apesar de imprevistos naturalmente ocorrerem  nessa jornada. 

Se você é líder ou empreendedor e sente que a estrutura da sua empresa não está acompanhando o ritmo do mercado, talvez seja hora de refletir. Reavaliar crenças, tomar decisões difíceis e abraçar a mudança são passos necessários para se manter competitivo.

Espero que este relato inspire outras lideranças a enfrentarem os desconfortos da mudança e a buscarem evoluções significativas. Não há garantia de que uma decisão vai dar certo, mas acredito que fazer tudo sempre do mesmo jeito não vai levar a ter resultados melhores e maiores. 

Rodrigo Tognini é CEO e cofundador da Conta Simples, principal plataforma de gestão de despesas e cartões corporativos para empresas e startups no Brasil.

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