Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.Foto: Leonardo Sá/Agência Senado/ND Mais
O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. Este é o primeiro corte do atual ciclo de flexibilização monetária.
Para analistas do mercado financeiro, a decisão confirma a mudança de rota do Banco Central, mas não abre espaço para um ritmo acelerado de novos cortes nas próximas reuniões.
Para Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra, “o corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14%, confirma a continuidade do processo de flexibilização monetária, mas não representa uma mudança para um ciclo acelerado de queda dos juros (…) A Selic deve encerrar 2026 entre 13,75% e 14%. Um novo corte de 0,25 ponto ainda é possível, mas não deveria ser tratado como automático”.
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Já Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike, avalia que a decisão “se sustenta em três fatores principais: o efeito acumulado de um longo período de juros em patamar restritivo, a convergência gradual da inflação corrente para o intervalo da meta e um quadro de atividade econômica mais moderado do que o observado na reunião anterior (…) Para o mercado, o foco imediato se desloca ao comunicado e à ata, que devem indicar se há espaço para novo corte em setembro ou se o ciclo se aproxima do fim”.
Ambos os executivos citam o mesmo pano de fundo de risco: petróleo e conflito no Oriente Médio, tarifaço dos Estados Unidos e incerteza fiscal em ano eleitoral.
“O Copom optou por uma postura mais conservadora, o que indica preocupação com a convergência da inflação para a meta. A manutenção da Selic não surpreende, mas reforça a mensagem de que o Banco Central ainda não vê espaço para novos cortes no curto prazo”, comenta Paulo Cunha, sócio do Grupo Fatorial.
