
Resumo
- Sony estabeleceu regras rígidas de comunicação para funcionários sobre a descontinuação de jogos em disco no PlayStation.
- Segundo uma ex-funcionária, a empresa sabia que a transição geraria reação negativa e orientou equipes a evitar comentários sobre o assunto.
- As informações indicam que uma fábrica de discos da Sony na Áustria será reestruturada para produzir microlentes ópticas para data centers de IA.
A Sony Interactive Entertainment parece ter adotado uma medida mais severa para lidar com a recente crise de imagem envolvendo o seu ecossistema de games. A empresa teria estabelecido regras mais rígidas de comunicação nas redes sociais para mitigar as críticas após o polêmico anúncio de que o PlayStation não terá mais jogos em mídia física a partir de 2028.
Segundo Alanah Pearce, que trabalhou no Santa Monica Studio, a Sony sabia que uma transição repentina para um modelo sem mídia física poderia gerar reação negativa e, por isso, orientou suas equipes a evitar comentários sobre o assunto. A ex-funcionária classificou as regras como as “diretrizes de mídia social mais rígidas de todos os tempos”.
Silêncio absoluto nos estúdios da Sony
As informações vêm de ex-colaboradores da empresa, incluindo Pearce, que mantém um canal no YouTube com mais de 680 mil inscritos e detalhou parte do caso. Segundo ela, desenvolvedores dos estúdios internos da PlayStation receberam orientação para não comentar o assunto.
Embora a Sony já tenha o hábito de controlar a comunicação em torno de novos projetos, o nível de restrição atual seria sem precedentes. Internamente, a justificativa é que declarações mal interpretadas poderiam aumentar ainda mais a repercussão negativa.
De acordo com a roteirista de God of War: Laufey, a Sony já havia previsto que a notícia não seria bem recebida. Por isso, a gerência adotou regras de comunicação mais radicais.
Vale lembrar que, desde o anúncio, parte da comunidade PlayStation têm cobrado um diálogo mais aberto da empresa, especialmente diante das incertezas sobre os impactos do fim da mídia física no mercado de games a longo prazo.
Por que a Sony vai descontinuar os discos em 2028?

A decisão se baseia em dados levantados pela própria Sony, que sugerem uma mudança no padrão de consumo. Segundo a empresa, os jogadores preferem o formato digital. No entanto, trata-se de um reposicionamento comercial. Conforme apurado por Pearce, a principal fábrica de discos da companhia, localizada em Thalgau, na Áustria — antes responsável por prensar cerca de 600 mil unidades diárias — passa por uma reestruturação profunda.
O polo está recebendo um investimento de 30 milhões de euros (cerca de R$ 174 milhões) para adaptar a sua linha de produção e direcionar o maquinário para a fabricação de microlentes ópticas, um componente importante para data centers de inteligência artificial. A mudança de foco foi bem recebida pelo mercado financeiro e as ações da Sony subiram 7% logo após o anúncio.
Ainda assim, informações do site PushSquare indicam que a estrutura austríaca manterá capacidade técnica para fabricar volumes limitados de mídia física. Isso sugere que a distribuição no varejo tradicional realmente chegará ao fim, mas eventuais edições especiais de colecionador ou tiragens sob demanda ainda poderão chegar ao mercado esporadicamente.
Impactos legais
O caminho rumo a um ecossistema digital já causou problemas jurídicos. Junto ao fim das mídias, a empresa também comunicou o encerramento das lojas virtuais do PlayStation 3 e do PS Vita, cortando o acesso a centenas de títulos clássicos no ano que vem. Com as próximas gerações de consoles amarradas à PlayStation Store, a marca agora também é acusada de forçar um monopólio no setor de videogames.
Conforme detalhado por Pearce, a Sony está na mira de pesadas ações antitruste. Uma organização não governamental holandesa entrou com um processo exigindo 400 milhões de euros (mais de R$ 2,4 bilhões) sob o argumento de que a eliminação dos discos destrói a concorrência e o mercado de usados, sujeitando o consumidor às taxas da loja oficial.
Nos Estados Unidos e no Reino Unido há embates semelhantes, incluindo um processo coletivo que cobra 2 bilhões de libras (cerca de R$ 14,3 bilhões) da empresa pelo mesmo motivo. O descontentamento também inclui lojistas. Recentemente, vimos até uma loja de games criar um abaixo-assinado para a Sony manter jogos em mídia física. Contudo, um recuo da gigante japonesa é visto hoje como improvável.
