Cidade brasileira transforma o sol em economia milionária, instala 12 usinas para abastecer 100% das 44 escolas municipais de Tauá, deixa de gastar R$ 1,1 milhão por ano com energia elétrica e libera recursos que poderão transformar a educação de milhares

ana alice
Cidade brasileira transforma o sol em economia milionária, instala 12 usinas para abastecer 100% das 44 escolas municipais de Tauá, deixa de gastar R$ 1,1 milhão por ano com energia elétrica e libera recursos que poderão transformar a educação de milhares

Doze usinas solares passaram a atender toda a rede municipal de Tauá, conectando economia pública, infraestrutura escolar e energia renovável em um projeto cuja redução anual de custos ainda depende de acompanhamento transparente.

As 44 escolas públicas municipais de Tauá, no interior do Ceará, passaram a ser abastecidas pela energia produzida em 12 usinas solares fotovoltaicas, segundo informações divulgadas pela Prefeitura.

A iniciativa alcança 100% das unidades da rede e deve proporcionar uma economia estimada de R$ 1,1 milhão por ano aos cofres municipais.

O valor corresponde a uma média próxima de R$ 91,7 mil por mês, caso a projeção anual seja distribuída igualmente entre os meses.

O projeto combina redução de despesas públicas com o uso de uma fonte renovável de eletricidade.

Em vez de cada escola depender exclusivamente da energia comprada da distribuidora, as unidades passam a ser atendidas pela produção associada às usinas implantadas pelo município.

A gestão municipal afirma que os recursos poupados poderão ser direcionados a melhorias na infraestrutura escolar, novos projetos e outras ações educacionais.

A implantação também dá continuidade a um investimento anunciado em 2022, quando Tauá reservou mais de R$ 8,6 milhões para um sistema de energia solar dentro do programa Educa Tauá.

Na ocasião, a expectativa informada era reduzir as despesas com eletricidade em cerca de R$ 100 mil por mês.

Doze usinas solares atendem 44 escolas de Tauá

O modelo adotado reúne a geração em 12 usinas fotovoltaicas para atender um número maior de prédios escolares.

Isso significa que a quantidade de usinas não corresponde à quantidade de escolas beneficiadas.

Ao todo, cada unidade geradora atende, em média, mais de três escolas, embora a Prefeitura não tenha divulgado como as unidades estão distribuídas, quais prédios receberam instalações físicas ou como os créditos de energia são repartidos entre as contas municipais.

A administração municipal divulgou que as 12 usinas produzem energia limpa e renovável para as 44 escolas.

A mesma quantidade de unidades e instituições aparece em publicações da Secretaria Municipal da Educação e nos perfis oficiais ligados à Prefeitura.

As 44 escolas da rede municipal de Tauá são abastecidas por energia gerada em 12 usinas fotovoltaicas. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Economia de R$ 1,1 milhão ainda é uma estimativa

O valor de R$ 1,1 milhão não foi divulgado como resultado de uma auditoria das contas de energia de um período já encerrado.

A informação disponível o apresenta como economia anual estimada.

Essa diferença é relevante porque a geração solar varia conforme a incidência de luz, as condições dos equipamentos, a manutenção, o consumo das escolas e o funcionamento de cada unidade ao longo do ano.

As despesas também podem mudar com reajustes tarifários, ampliação de prédios, instalação de aparelhos de ar-condicionado, aumento do tempo integral e aquisição de novos equipamentos eletrônicos.

Por isso, a economia efetivamente registrada só poderá ser confirmada pela comparação entre a energia gerada, o consumo das escolas e os valores cobrados nas contas públicas.

A Prefeitura não divulgou, no material consultado, relatórios mensais de geração, demonstrativos das contas antes e depois do projeto ou documentos detalhando a metodologia utilizada para chegar aos R$ 1,1 milhão.

O número atual também é ligeiramente inferior à previsão anunciada em 2022.

Naquele momento, a expectativa era de aproximadamente R$ 100 mil mensais, o equivalente a R$ 1,2 milhão por ano.

A gestão não explicou publicamente o motivo da diferença entre as duas projeções.

Projeto de energia solar começou a ser anunciado em 2022

A implantação da energia solar nas escolas municipais não surgiu como uma medida isolada.

Em maio de 2022, Tauá anunciou um pacote de aproximadamente R$ 25 milhões para obras e serviços nas áreas de educação, infraestrutura viária e recursos hídricos.

Desse total, mais de R$ 8,6 milhões foram vinculados ao programa Educa Tauá para a implantação do sistema de geração solar nas unidades municipais de ensino.

A ordem de serviço foi anunciada em 24 de maio daquele ano pela prefeita Patrícia Aguiar, durante um evento realizado na Praça do Esporte e Cultura, no bairro Bezerra e Sousa.

A implantação passou a aparecer posteriormente em documentos e ações públicas da Secretaria da Educação.

No planejamento educacional municipal para o período de 2024 a 2027, a universalização da energia solar fotovoltaica em 100% das escolas foi incluída entre as metas de infraestrutura da rede.

O projeto também integrou o conjunto de práticas citado pela Prefeitura quando a Secretaria Municipal da Educação recebeu o Selo TCE Sustentável de 2024, concedido pelo Tribunal de Contas do Estado do Ceará.

Como a energia solar reduz as contas das escolas

As placas fotovoltaicas convertem a luz do Sol em eletricidade.

Depois de passar pelos equipamentos responsáveis pela conversão e pelo controle do sistema, a energia pode ser utilizada nos prédios ou contabilizada dentro do modelo elétrico adotado pelo projeto.

Nas escolas, o consumo envolve iluminação, ventiladores, aparelhos de ar-condicionado, computadores, geladeiras, bombas, sistemas de segurança e outros equipamentos utilizados nas atividades administrativas e pedagógicas.

Quanto maior a parcela atendida pela geração solar, menor tende a ser o volume de eletricidade que precisa ser pago integralmente à distribuidora, embora continuem existindo cobranças relacionadas ao uso da rede e a outros componentes tarifários.

No caso de Tauá, a Prefeitura não explicou publicamente se todas as usinas foram instaladas sobre telhados escolares, em terrenos municipais ou em áreas centralizadas.

Também não foram encontrados dados seguros sobre a quantidade de painéis, o tipo de módulo fotovoltaico, os inversores empregados, a capacidade de cada usina ou a geração média mensal.

Sem essas informações, não é possível determinar quais unidades produzem mais energia, quanto do consumo escolar é compensado em cada mês ou qual será o prazo necessário para que a economia acumulada alcance o investimento realizado.

Redução na conta pode abrir espaço no orçamento municipal

A economia projetada equivale a uma despesa que deixa de ser direcionada às contas de energia elétrica e pode permanecer disponível no orçamento municipal.

Segundo a gestão, esses recursos poderão financiar melhorias na rede de ensino e ampliar projetos voltados a estudantes e profissionais da educação.

O anúncio, no entanto, não associa os R$ 1,1 milhão a uma obra, compra ou programa específico.

Por se tratar de uma estimativa anual, o valor também não significa que R$ 1,1 milhão será transferido automaticamente para uma conta exclusiva da Secretaria da Educação.

A redução precisa aparecer na execução orçamentária e ser considerada no planejamento das despesas municipais.

A destinação dos recursos dependerá das decisões administrativas, das normas orçamentárias e das prioridades definidas pelo poder público.

O impacto financeiro poderá ser acompanhado com maior precisão caso o município publique relatórios sobre a geração das usinas e a evolução das contas das 44 escolas.

Esses documentos permitiriam verificar se a economia projetada foi alcançada, quais unidades apresentaram maior redução e quanto o sistema exige em manutenção.

Energia solar integra ações de sustentabilidade na educação

Além do aspecto financeiro, a Prefeitura relaciona o projeto à ampliação do uso de fontes renováveis e às políticas de sustentabilidade da rede municipal.

Em 2024, a energia solar nas escolas foi citada entre as iniciativas que contribuíram para o reconhecimento da Secretaria da Educação no Selo TCE Sustentável.

O conjunto também incluía projetos relacionados a água, saúde, tecnologia, leitura, inclusão e ampliação da jornada escolar.

A presença das usinas pode ainda aproximar o tema energético da rotina dos estudantes, mas o município não informou se o sistema será utilizado formalmente em aulas, atividades práticas ou programas de educação ambiental.

Também não foram divulgadas estimativas sobre emissões evitadas.

Qualquer cálculo desse tipo exigiria conhecer a quantidade efetivamente gerada e o fator usado para comparar a eletricidade solar com a energia fornecida pela rede.

A declaração institucional afirma que investir em energia sustentável representa investir em “um futuro mais responsável, mais eficiente e com ainda mais oportunidades para nossas crianças e jovens”.

A fala foi atribuída à gestão municipal, sem identificação de um porta-voz específico.

Com as 12 usinas em operação para atender toda a rede, a próxima etapa de acompanhamento será verificar se a economia estimada aparecerá de forma contínua nas contas públicas e como os valores poupados serão aplicados nas escolas.

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