Enquanto os EUA elevam os gastos de guerra, a China terminou o último plano quinquenal com a maior malha de trens-bala do planeta e quase 200 mil km de autoestradas, apostando em obras em vez de conflitos, segundo balanço oficial de Pequim

maria heloisa barbosa borges
Enquanto os EUA elevam os gastos de guerra, a China terminou o último plano quinquenal com a maior malha de trens-bala do planeta e quase 200 mil km de autoestradas, apostando em obras em vez de conflitos, segundo balanço oficial de Pequim

A China encerrou seu último plano quinquenal, referente ao período de 2021 a 2025, consolidando uma das maiores redes de transporte do planeta, com quase 200 mil quilômetros de autoestradas e a maior malha de trens de alta velocidade do mundo. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (21) pelo vice-ministro dos Transportes chinês, Xu Chengguang, em entrevista coletiva em Pequim, e divulgados pelo portal Brasil 247, que contrapôs o investimento em infraestrutura aos gastos militares dos Estados Unidos.

Segundo o balanço oficial, o país ampliou sua malha de infraestrutura em ritmo sem precedentes, com investimentos que fortaleceram a economia e a integração do território. Enquanto Washington eleva seus gastos militares em meio ao conflito com o Irã, Pequim direcionou recursos para obras permanentes, uma comparação traçada pela reportagem que serviu de base a esta matéria e que ajuda a explicar a estratégia de desenvolvimento adotada pelo governo chinês.

O balanço oficial apresentado em Pequim

Os números vieram de uma entrevista coletiva conduzida pelo vice-ministro dos Transportes, Xu Chengguang, ao fazer o balanço do 14º Plano Quinquenal, que abrange os anos de 2021 a 2025. Segundo ele, a China construiu uma das maiores e mais completas redes de infraestrutura de transporte já vistas, com a rede nacional integrada ultrapassando 6 milhões de quilômetros de extensão.

O volume de recursos aplicado é a base desse avanço. De acordo com o dirigente, o país investiu 18,8 trilhões de yuanes, cerca de 2,78 trilhões de dólares, em ativos fixos de transporte no período, o maior aporte e a expansão mais rápida da rede em qualquer intervalo de cinco anos desde a fundação da República Popular da China, em 1949. É esse patamar de investimento que sustenta os números apresentados em cada modal de transporte.

Quase 200 mil km de autoestradas

Entre os destaques, a rede de autoestradas expressas da China alcançou 199 mil quilômetros ao final do 14º Plano Quinquenal, a maior malha desse tipo no mundo. A extensão conecta praticamente todas as grandes cidades chinesas e reduz de forma drástica os custos logísticos, facilitando o transporte de pessoas e mercadorias em um país de dimensões continentais.

A expansão rodoviária cumpre também um papel estratégico dentro do planejamento chinês. A malha de autoestradas é considerada um dos pilares da estratégia para integrar regiões menos desenvolvidas ao dinamismo econômico das áreas costeiras, aproximando o interior dos grandes centros produtivos. Ao encurtar distâncias e baratear o frete, a rede vira instrumento de desenvolvimento regional, e não apenas obra de mobilidade.

A maior malha de trens-bala do mundo

A China fechou o 14º Plano Quinquenal com a maior malha de trens de alta velocidade do mundo e quase 200 mil km de autoestradas, segundo balanço de Pequim.

O crescimento da ferrovia de alta velocidade é outro dado que chama atenção no balanço. A China já opera mais de 50 mil quilômetros de linhas de trem de alta velocidade, extensão muito superior à de qualquer outro país e a maior do planeta. A rede liga centenas de cidades e permite viagens rápidas entre os principais polos econômicos, encurtando o tempo de deslocamento e fortalecendo o mercado interno.

O uso desse sistema disparou no período. O volume de passageiros dos trens de alta velocidade cresceu 132% em cinco anos, segundo os dados oficiais, o que reforça o papel da malha como motor de desenvolvimento regional. Além do conforto para milhões de passageiros, o sistema se tornou também um instrumento de redução das emissões de carbono, ao substituir parte do transporte aéreo e rodoviário por viagens sobre trilhos.

Aeroportos e o maior sistema postal do planeta

O novo aeroporto internacional, em forma de estrela do mar, operará em plena capacidade em 2025 — Foto: AFP

A infraestrutura aeroportuária também foi ampliada ao longo do plano quinquenal. Segundo o Ministério dos Transportes, a China conta atualmente com 270 aeroportos de transporte em operação, o que garante maior integração nacional e internacional, e o volume de passageiros da aviação civil cresceu 84,2% em cinco anos. A estratégia é ampliar a conectividade entre grandes centros urbanos e cidades do interior, favorecendo turismo, negócios e a circulação de cargas de maior valor agregado.

Há ainda um recorde na logística de entregas. A China consolidou o maior sistema postal do mundo, tanto em escala quanto no número de pessoas atendidas, e lidera o volume global de encomendas expressas há 12 anos seguidos, segundo o balanço. Essa rede é fundamental para sustentar o extraordinário crescimento do comércio eletrônico chinês, garantindo entregas rápidas em praticamente todo o território e dando suporte aos gigantes da economia digital do país.

O contraste com os gastos militares dos EUA

A reportagem que divulgou os dados chineses estabelece uma comparação direta com os Estados Unidos, e é importante deixar claro de onde vem cada informação. Enquanto os números de infraestrutura partem do balanço oficial do governo chinês, o contraste com os gastos militares americanos é o enquadramento feito pelo portal Brasil 247, que serviu de base a esta matéria.

Segundo esse enquadramento, os números seriam expressivos. O portal afirma que os Estados Unidos já teriam gasto cerca de R$ 192 bilhões no conflito com o Irã e buscariam autorização do Congresso para destinar outros R$ 462 bilhões à escalada militar, valores que não constam do balanço apresentado em Pequim e que são atribuídos à própria reportagem. A tese central defendida pelo texto é que, em vez de consumir recursos em operações bélicas, a China direciona verba para obras capazes de gerar riqueza, aumentar a produtividade e melhorar a vida de mais de 1,4 bilhão de habitantes.

O que vem depois: o 15º Plano Quinquenal

O balanço apresentado em Pequim também aponta para o futuro. Com a rede de transporte já consolidada em escala, as autoridades chinesas indicam que o próximo ciclo, o 15º Plano Quinquenal, referente aos anos de 2026 a 2030, deve mudar o foco da simples expansão para a melhoria da conectividade, da eficiência e da resiliência do sistema.

A mudança de ênfase sugere uma nova fase da estratégia de infraestrutura. O Ministério dos Transportes sinaliza que o país pretende avançar em grandes projetos, incluindo a conclusão de corredores ferroviários de alta velocidade e de redes de autoestradas ainda em obras. A integração entre rodovias, ferrovias, aeroportos e logística postal, que já transformou a infraestrutura em um dos principais fatores de competitividade da economia chinesa, deve seguir como prioridade no próximo plano.

Uma aposta em obras para integrar um território continental

O retrato que emerge do balanço oficial é o de um país que fechou cinco anos apostando pesado em infraestrutura, com quase 200 mil quilômetros de autoestradas, mais de 50 mil de trens de alta velocidade, 270 aeroportos e o maior sistema postal do mundo. São números que colocam a China no topo mundial em escala de transporte e que, na leitura da reportagem, contrastam com a rota de gastos militares seguida pelos Estados Unidos.

E aí fica a pergunta que rende conversa de verdade. Você acha que um país se desenvolve mais investindo pesado em infraestrutura, como fez a China, ou a comparação com os gastos militares dos Estados Unidos simplifica demais uma realidade mais complexa? Comenta aqui embaixo o que você acha que o Brasil deveria priorizar nos próximos anos e por quê.

Share This Article