O passaporte brasileiro garante entrada sem visto prévio em 169 países, número que coloca o Brasil na 16ª posição do ranking mundial de mobilidade e como o segundo documento mais forte de toda a América Latina, atrás somente do Chile. O levantamento é do Henley Passport Index, que mede o poder de acesso dos passaportes pelo mundo.
O passaporte brasileiro permite o desembarque em 169 países sem a apresentação de visto prévio, segundo análise do Henley Passport Index divulgada pelo portal NSC Total. O estudo coloca o Brasil na 16ª posição do indicador global de mobilidade e na segunda colocação da América Latina em relação ao poder de acesso, um retrato que reflete o alcance internacional do documento emitido no país.
Na comparação regional, o Brasil fica atrás apenas do Chile, que lidera a América Latina. O documento brasileiro divide a 16ª posição do ranking mundial com a Argentina, o que significa que os dois países empatam como o segundo passaporte mais poderoso do continente, logo abaixo do chileno. O levantamento é a 20ª edição de um índice que acompanha, desde 2006, como o poder de mobilidade dos passaportes evoluiu no mundo.
O que significa entrar sem visto em 169 países
O número de 169 destinos não se refere apenas a entradas totalmente livres. O índice contabiliza tanto os países que dispensam qualquer visto quanto aqueles que concedem o chamado visto na chegada, emitido no momento do desembarque, sem necessidade de aprovação prévia. Na prática, é a soma dessas duas situações que forma o total atribuído a cada passaporte.
A metodologia se apoia em dados oficiais do setor aéreo. A consulta utiliza informações da Associação Internacional de Transportes Aéreos, a IATA, para verificar se o documento exige visto formal, autorização eletrônica ou visto emitido no desembarque. É esse cruzamento que define quantos destinos um passaporte realmente abre sem burocracia antecipada, e é a partir dele que o Brasil aparece com acesso facilitado a 169 países.
Brasil em 16º, empatado com a Argentina
A posição brasileira no ranking é sólida para os padrões latino-americanos, ainda que não seja a liderança regional. Com 169 destinos, o Brasil ocupa a 16ª colocação mundial, dividida com a Argentina, o que coloca os dois países lado a lado como o segundo maior poder de acesso da América Latina.
Quem lidera a região é o Chile, que aparece na 14ª posição do ranking global, com isenção em 174 destinos. O passaporte chileno é o único da América Latina a figurar à frente do brasileiro, e a diferença de poucas posições reflete acordos e isenções que o país sul-americano conquistou ao longo dos anos. Fora o Chile, nenhum outro documento do continente supera o brasileiro em liberdade de circulação.
Quem lidera o ranking mundial de mobilidade
No topo absoluto da lista está Singapura, cujo passaporte permite entrada sem visto em 192 países, o maior poder de acesso do planeta. É o documento que abre mais portas no mundo, à frente de todos os demais.
Logo atrás de Singapura aparecem Japão, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos, formando o grupo de elite da mobilidade internacional. Passaportes de democracias estáveis, com economias fortes e amplas redes diplomáticas, costumam ocupar as primeiras posições do ranking, enquanto documentos de países em conflito ou isolados diplomaticamente ficam no fim da lista. O Brasil, na 16ª colocação, se posiciona no pelotão intermediário alto desse cenário global.
Como a mobilidade mudou em 20 anos
O índice deste ano marca duas décadas de acompanhamento, e os números mostram uma transformação significativa. A média global de destinos acessíveis sem visto quase dobrou no período, passando de 58 países por passaporte em 2006 para 108 em 2026. O mundo, na média, ficou bem mais aberto à circulação de pessoas.
Esse movimento não foi uniforme, e a Europa concentra boa parte do poder de acesso. O continente europeu reúne 38 passaportes entre as dez primeiras posições do ranking, um domínio explicado pelo sistema de colocações compartilhadas, em que vários países ocupam a mesma posição em razão do número idêntico de destinos liberados. É essa concentração que faz dos documentos europeus alguns dos mais poderosos do mundo.
As movimentações recentes: Canadá, Reino Unido e Emirados
Alguns países se destacaram por saltos recentes no ranking. O Canadá assumiu a 7ª posição depois de fechar um acordo de isenção de vistos com a China, ultrapassando os Estados Unidos, que ficaram em 10º lugar por manterem a cobrança recíproca. O Reino Unido, por sua vez, chegou à 6ª colocação, impulsionado por acordos firmados com a China e com o Malawi.
A maior escalada do período, no entanto, foi a dos Emirados Árabes Unidos. O país somou 153 novos destinos em 20 anos e alcançou a vice-liderança do índice, a maior variação registrada em duas décadas de levantamento. É um exemplo de como acordos diplomáticos agressivos podem transformar rapidamente o poder de um passaporte, saindo de um patamar modesto para o topo da lista mundial.
Para onde o brasileiro entra sem visto
Na prática, o passaporte brasileiro abre acesso a algumas das regiões mais procuradas por turistas. No bloco europeu, estão liberados os países do Espaço Schengen, como Portugal, Espanha, França, Alemanha e Itália, destinos que concentram boa parte das viagens de brasileiros ao exterior.
O território britânico também recebe brasileiros sem visto de turismo, incluindo Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Na Ásia e nas Américas, o documento brasileiro dá entrada livre a destinos como Japão e Tailândia, além da maioria das nações latino-americanas e caribenhas. Essa combinação de Europa, Reino Unido, Ásia e vizinhança regional é o que sustenta a boa colocação do Brasil no ranking de mobilidade.
O que o visto dispensado não resolve
Entrar sem visto não significa entrar sem regras, e essa é uma distinção importante para quem viaja. A dispensa de visto não anula as exigências alfandegárias de cada país, nem os controles que os viajantes enfrentam na fronteira ao desembarcar.
A Europa, em especial, vem endurecendo esses procedimentos. Nos aeroportos europeus, a implantação do sistema EES, sigla para Entry/Exit System, passou a exigir o registro de foto e impressões digitais dos viajantes no desembarque, incluindo os brasileiros. A cobrança do formulário ETIAS fica mantida para 2027, acrescentando uma autorização eletrônica à entrada no continente. Documentos como reserva de hospedagem, passagem de retorno e apólice de seguro de viagem seguem sendo exigidos no controle de fronteira, mesmo com o visto dispensado. Ter um passaporte forte facilita o embarque, mas não elimina o preparo necessário antes da viagem.
Um passaporte forte, mas com letras miúdas
O retrato que o Henley Passport Index desenha é favorável ao Brasil, que aparece com acesso facilitado a 169 países, na 16ª posição mundial e como o segundo maior poder de circulação da América Latina, atrás apenas do Chile e ao lado da Argentina. É um documento que abre as portas da Europa, do Reino Unido, do Japão e de boa parte das Américas sem visto prévio.
Ao mesmo tempo, a mobilidade real depende de detalhes que o ranking não mostra, como biometria na fronteira, autorizações eletrônicas e comprovantes exigidos no desembarque. E aí fica a pergunta que rende conversa de verdade.
Você já usou o poder do passaporte brasileiro para viajar sem visto, ou ainda esbarrou em alguma exigência de fronteira que pegou você de surpresa? Comenta aqui embaixo para qual país você mais quer ir aproveitando essa lista, e conta se já passou por algum perrengue na imigração.

