Depois de faturar R$ 43,5 bilhões, o Grupo Mateus tomou uma decisão que poucos esperavam; o fechamento de 28 lojas revela um cenário maior do que parece

caio aviz
Depois de faturar R$ 43,5 bilhões, o Grupo Mateus tomou uma decisão que poucos esperavam; o fechamento de 28 lojas revela um cenário maior do que parece

Grupo Mateus fechou 28 lojas, reduziu mais de 6,6 mil postos de trabalho e reorganizou sua operação em seis estados após mudanças no cenário econômico e no desempenho do varejo alimentar.

O Grupo Mateus, terceira maior rede de supermercados do Brasil, promoveu uma ampla reestruturação operacional durante o primeiro semestre de 2026. A empresa encerrou as atividades de 28 lojas distribuídas entre Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia, além de reduzir seu quadro de funcionários em 6.673 colaboradores.

Segundo a companhia, a decisão foi tomada para ampliar a eficiência operacional e reforçar o controle das despesas. Ao mesmo tempo, o grupo manteve sua estratégia de expansão ao inaugurar quatro novas unidades no mesmo período.

Reestruturação reduziu milhares de empregos em apenas três meses

Os impactos da reorganização apareceram já no primeiro trimestre de 2026.

O número de funcionários passou de 47,9 mil para 41,2 mil colaboradores, representando uma redução de 13,9% em relação ao quadro anterior.

Enquanto isso, o fechamento das unidades ocorreu nos estados onde o Grupo Mateus mantém parte de sua operação comercial, concentrada nas regiões Norte e Nordeste.

De acordo com a empresa, a reorganização buscou tornar a operação mais eficiente diante das condições enfrentadas pelo setor.

Receita continuou crescendo, mas lucro caiu no primeiro trimestre de 2026

Embora tenha reduzido sua estrutura física, o Grupo Mateus continuou ampliando o faturamento.

Segundo os resultados financeiros divulgados pela companhia, a receita líquida alcançou R$ 9,4 bilhões entre janeiro e março de 2026, registrando crescimento de 12,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Entretanto, o lucro líquido caiu para R$ 212,9 milhões, recuo de aproximadamente 22% na comparação anual.

Além disso, as vendas nas mesmas lojas diminuíram 7,3%, refletindo um ambiente considerado mais desafiador para o varejo alimentar.

Empresa atribui resultado à deflação dos alimentos e ao crédito mais restrito

Segundo o Grupo Mateus, parte da redução do desempenho foi provocada pela deflação das commodities alimentares.

Com a queda dos preços nominais dos produtos, o valor das vendas também foi impactado.

Além disso, a companhia destacou que o mercado enfrentou condições de crédito mais restritivas, influenciando o comportamento do consumo.

Ainda conforme a empresa, a redução dos preços ocorreu após boas safras agrícolas e pela diminuição dos custos de frete, favorecida pela redução dos preços dos combustíveis.

Grupo também reorganizou suas bandeiras comerciais

Paralelamente ao fechamento das lojas, o Grupo Mateus deu continuidade às mudanças iniciadas em 2025.

Naquele ano, foi concluída a substituição da bandeira Mix Mateus pela marca Novo Atacarejo nas unidades localizadas em Pernambuco, Paraíba e Alagoas.

A alteração integrou uma parceria iniciada em julho de 2025, com o objetivo de unificar as operações dessas redes.

Atualmente, o Grupo Mateus atua nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba e Tocantins, operando nos segmentos de supermercados, atacarejo, móveis, eletrodomésticos e comércio eletrônico.

Corredor de uma rede de supermercados com área de produtos refrigerados, representando o setor varejista em meio às mudanças operacionais promovidas pelo Grupo Mateus em 2026.

Mesmo após fechar lojas, Grupo Mateus permaneceu entre os maiores do país

Apesar da reestruturação, o Grupo Mateus continuou ocupando posição de destaque no varejo brasileiro.

Segundo o Ranking ABRAS 2026, elaborado pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) em parceria com a NielsenIQ, a companhia faturou aproximadamente R$ 43,5 bilhões em 2025.

Com esse resultado, permaneceu como a terceira maior rede supermercadista do Brasil, atrás apenas de Carrefour e Assaí.

Foi justamente após alcançar esse faturamento bilionário que a empresa iniciou a reorganização operacional que chamou a atenção do mercado.

Deflação dos alimentos marcou o cenário econômico em 2025

Os resultados do Grupo Mateus também refletem o comportamento da economia brasileira.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria de alimentos registrou deflação de 10,47% em 2025.

Além disso, o IPCA de setembro de 2025 foi o menor desde 1998, impulsionado principalmente pela redução de 0,70% nos preços da alimentação no domicílio.

Entre os produtos que ficaram mais baratos estiveram cebola, batata, óleo de soja, filé mignon, frango, feijão, café moído e algumas frutas.

Ainda conforme o IBGE, 2025 registrou a maior deflação da economia brasileira em três anos, com queda de 0,46% nos preços dos alimentos e redução de 4,21% na conta de energia elétrica.

Varejo alimentar movimentou mais de R$ 1 trilhão no Brasil

Mesmo diante desse cenário, o varejo alimentar brasileiro continuou representando um dos principais setores da economia.

De acordo com o Ranking ABRAS 2026, o segmento movimentou R$ 1,145 trilhão em 2025, valor equivalente a aproximadamente 9% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Assim, a reestruturação promovida pelo Grupo Mateus ocorreu em um momento de mudanças importantes para o setor, marcado por crescimento da receita, pressão sobre os lucros e ajustes estratégicos nas operações.

Você acredita que outras redes de supermercados podem seguir o mesmo caminho?

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