China entrega navio cegonha de 230 metros para 10.800 veículos, com 14 conveses e sistema solar de 200 kW que gera cerca de 1.000 kWh por dia, enquanto motores bicombustíveis usam GNL e combustível convencional em rotas globais entre Ásia, Europa e Améric

carla teles
China entrega navio cegonha de 230 metros para 10.800 veículos, com 14 conveses e sistema solar de 200 kW que gera cerca de 1.000 kWh por dia, enquanto motores bicombustíveis usam GNL e combustível convencional em rotas globais entre Ásia, Europa e Améric

Construído pelo Guangzhou Shipyard International, o navio cegonha combina 14 conveses, capacidade para 10.800 veículos, geração solar diária próxima de 1.000 kWh e propulsão bicombustível, foi entregue à Korea Ocean Business Corporation e será arrendado à Hyundai Glovis para operar em rotas marítimas sem restrições comerciais entre grandes mercados globais.

Um navio cegonha com capacidade para transportar 10.800 veículos foi entregue na China pelo estaleiro Guangzhou Shipyard International à Korea Ocean Business Corporation, da Coreia do Sul. A embarcação, que mede 230 metros, reúne 14 conveses, motores bicombustíveis e um sistema fotovoltaico destinado a alimentar operações realizadas a bordo.

As informações foram publicadas pelo Marine Insight em 24 de julho de 2026. A entrega ocorreu por meio de uma cerimônia de assinatura realizada remotamente com a China Shipbuilding Trading, e o cargueiro será arrendado à Hyundai Glovis para atuar em rotas entre Ásia, Sudeste Asiático, América do Norte e Europa.

Imagem: Xinhua.

O cargueiro foi projetado como um PCTC, sigla utilizada para embarcações especializadas no transporte de automóveis e caminhões. Diferentemente de navios convencionais, esse tipo de estrutura possui rampas e grandes áreas internas que permitem embarcar veículos rodando diretamente para os conveses.

Com espaço para 10.800 unidades, o navio cegonha integra uma geração de embarcações construídas para movimentar grandes volumes de automóveis entre fábricas, terminais portuários e mercados consumidores. Segundo o estaleiro, este é o quarto cargueiro com capacidade para aproximadamente 10 mil veículos construído na China.

Estrutura alcança 230 metros de comprimento

A embarcação possui 230 metros de comprimento, 40 metros de largura e calado de 10,5 metros. Essas dimensões permitem acomodar milhares de veículos sem impedir que o navio opere em rotas internacionais e terminais preparados para receber grandes cargueiros.

Sua velocidade máxima chega a 19 nós. O projeto combina grande capacidade interna com desempenho suficiente para cumprir travessias oceânicas e manter cronogramas comerciais entre diferentes continentes.

Quatorze conveses organizam diferentes tipos de carga

Imagem: Xinhua.

O interior possui 14 conveses destinados ao transporte de veículos. Nove deles são fixos, enquanto outros cinco podem ser ajustados de acordo com a altura e as dimensões da carga embarcada.

Essa configuração permite transportar carros de passeio, vans, caminhões pesados, reboques com contêineres e veículos de grande porte. Os conveses móveis ampliam a flexibilidade operacional e evitam que o espaço seja limitado a automóveis com dimensões padronizadas.

Capacidade vai além de carros de passageiros

Embora tenha sido projetado principalmente para o setor automotivo, o cargueiro pode receber diferentes categorias de veículos e equipamentos rodoviários. Caminhões, implementos e cargas sobre rodas podem ocupar áreas adaptadas nos conveses ajustáveis.

A embarcação também está autorizada a transportar determinadas mercadorias perigosas embaladas, desde que estejam enquadradas nas regras do Código Marítimo Internacional de Mercadorias Perigosas. Essa possibilidade amplia o número de operações comerciais que podem ser atendidas durante uma mesma viagem.

Sistema solar alcança potência de 200 kW

Um dos principais diferenciais do projeto é o sistema de geração de energia fotovoltaica com potência máxima de 200 quilowatts. Segundo o estaleiro, trata-se do primeiro cargueiro desta escala equipado com uma instalação solar desse tipo.

Com exposição diária ao Sol entre 5,5 e sete horas, os painéis podem produzir aproximadamente 1.000 kWh de eletricidade por dia. A energia não movimenta sozinha os motores principais, mas auxilia diferentes sistemas e equipamentos utilizados durante a operação.

Eletricidade solar reduz parte do consumo a bordo

Imagem: Xinhua.

A eletricidade gerada pelos painéis pode ser destinada a iluminação, controles, equipamentos auxiliares e outras demandas internas. Cada quilowatt-hora produzido a bordo representa uma parcela de energia que deixa de ser obtida diretamente pelos geradores alimentados por combustível.

O impacto depende das condições de insolação e do consumo realizado em cada viagem. O sistema solar funciona como complemento energético, contribuindo para reduzir a carga sobre os equipamentos convencionais e melhorar a eficiência geral do navio.

Propulsão aceita GNL e combustível convencional

O sistema de propulsão é bicombustível e pode funcionar com gás natural liquefeito, conhecido pela sigla GNL, ou com combustível marítimo convencional. Essa flexibilidade permite adaptar a operação à disponibilidade e ao custo dos combustíveis encontrados nas diferentes rotas.

Os tanques de GNL foram dimensionados para armazenar combustível suficiente para uma viagem completa, segundo o Guangzhou Shipyard International. A autonomia evita a necessidade de reabastecimento intermediário durante determinadas travessias oceânicas.

GNL reduz algumas emissões, mas não elimina carbono

Imagem: Xinhua.

O uso de gás natural liquefeito pode reduzir determinados poluentes atmosféricos quando comparado a combustíveis marítimos mais pesados. Entretanto, o GNL continua sendo um combustível fóssil e sua utilização gera dióxido de carbono.

Também existe preocupação com eventuais emissões de metano durante produção, transporte e operação. Por isso, o sistema solar e a eficiência energética melhoram o desempenho ambiental, mas não transformam o navio cegonha em uma embarcação de emissão zero.

Gerador de eixo aproveita o funcionamento do motor

Além dos painéis fotovoltaicos, o cargueiro possui um gerador de eixo. Esse equipamento converte parte da energia mecânica associada ao funcionamento do sistema de propulsão em eletricidade destinada às instalações do navio.

A integração entre motor bicombustível, gerador e painéis solares permite utilizar diferentes fontes conforme a condição de navegação. O conjunto foi desenvolvido para diminuir desperdícios e distribuir a energia de maneira mais eficiente durante as viagens.

Embarcação atende ao padrão Tier III

Imagem: Xinhua.

O navio foi projetado para cumprir as exigências Tier III da Organização Marítima Internacional. O padrão estabelece limites mais rigorosos para emissões de óxidos de nitrogênio produzidas por motores marítimos em áreas controladas.

O atendimento às normas permite operar em regiões que aplicam restrições ambientais mais severas. A conformidade regulatória é fundamental para uma embarcação destinada a cruzar rotas entre mercados asiáticos, europeus e norte-americanos.

Projeto recebeu classificação internacional

O desenho foi desenvolvido conjuntamente pelo Guangzhou Shipyard International e pelo Instituto de Pesquisa e Projeto de Navios Mercantes de Xangai. A embarcação recebeu classificação da Det Norske Veritas, da Noruega, e do Registro Coreano.

Essas entidades verificam aspectos como construção, estabilidade, sistemas de segurança e capacidade operacional. A dupla classificação permite que o cargueiro navegue globalmente sem restrições comerciais associadas ao seu registro técnico.

Hyundai Glovis utilizará embarcação nas próprias rotas

Depois da entrega à Korea Ocean Business Corporation, o navio será arrendado à Hyundai Glovis. A empresa atua na logística internacional e no transporte marítimo de veículos produzidos por diferentes fabricantes.

A operação deverá conectar terminais na Ásia e no Sudeste Asiático a portos da Europa e da América do Norte. A capacidade de 10.800 veículos permite concentrar grandes lotes em uma única viagem e reduzir o número de embarcações necessário para determinados fluxos.

A indústria automobilística depende de embarcações especializadas para deslocar veículos acabados entre países produtores e consumidores. Os automóveis precisam chegar protegidos, organizados e prontos para seguir aos centros de distribuição após o desembarque.

Por isso, os cargueiros possuem áreas fechadas e sistemas específicos de amarração, ventilação e circulação interna. O navio cegonha funciona como uma garagem flutuante de vários andares, capaz de atravessar oceanos carregando milhares de unidades.

Conveses ajustáveis acompanham mudanças do mercado

Imagem: Xinhua.

A ampliação da altura e do peso de alguns veículos, especialmente caminhões, utilitários e modelos elétricos, exige espaços internos mais flexíveis. Conveses fixos demais podem limitar a capacidade de transportar cargas fora do padrão.

Os cinco pavimentos ajustáveis permitem reorganizar o volume disponível conforme cada operação. Essa adaptação aumenta a vida útil comercial do navio, porque reduz a dependência de um único perfil de veículo.

Sistema solar não substitui motores principais

Embora a potência de 200 kW seja relevante para equipamentos auxiliares, ela é pequena diante da energia necessária para deslocar uma embarcação de 230 metros carregada com milhares de veículos.

Os motores continuam dependendo de GNL ou combustível convencional para gerar a força principal. Os painéis atuam como apoio, não como fonte integral de propulsão, e seu benefício está na redução gradual do consumo energético das instalações internas.

Entrega reforça capacidade naval chinesa

A construção demonstra a presença dos estaleiros chineses no segmento de grandes navios transportadores de veículos. A demanda por esse tipo de embarcação acompanha o aumento das exportações automotivas e a reorganização das cadeias globais de logística.

O projeto também reúne tecnologias de diferentes áreas, como propulsão bicombustível, geração fotovoltaica, conveses móveis e controle de emissões. Essa combinação permite que um único navio atenda exigências comerciais e ambientais cada vez mais complexas.

Gigante começa nova etapa nas rotas internacionais

O navio cegonha entregue na China combina escala, flexibilidade e tecnologias destinadas a reduzir parte do consumo energético. Com capacidade para 10.800 veículos, a embarcação poderá transportar desde carros de passeio até caminhões e reboques em viagens entre quatro grandes regiões comerciais.

A presença de painéis solares não elimina o uso de combustível, mas mostra como sistemas auxiliares podem ser incorporados a cargueiros de grande porte. Você acredita que soluções híbridas como GNL e energia solar representam um avanço relevante ou o transporte marítimo deveria acelerar diretamente a adoção de combustíveis sem carbono? Deixe sua opinião nos comentários.

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