No primeiro semestre de 2026, o tarifaço dos Estados Unidos reduziu exportações brasileiras, enfraqueceu o comércio bilateral e atingiu principalmente produtos sobretaxados, enquanto vendas para China e União Europeia avançaram, importações americanas recuaram e a nova tarifa adicional de 25% aumentou incertezas para empresas, trabalhadores e cadeias produtivas nacionais brasileiras.
O tarifaço dos Estados Unidos pressionou as exportações brasileiras no primeiro semestre de 2026, quando os embarques destinados ao mercado americano somaram US$ 17,4 bilhões. O valor representa queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025, com perdas concentradas principalmente em café, petróleo e produtos de ferro e aço.
As informações foram publicadas pelo Monitor do Mercado em 22 de julho de 2026, com base em levantamento da Amcham Brasil. O estudo mostra que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, menor percentual registrado desde o início da série histórica, em 1997.
Exportações para os Estados Unidos encolheram 13%
Os embarques brasileiros para o mercado americano perderam força durante os seis primeiros meses de 2026. A receita de US$ 17,4 bilhões ficou abaixo do resultado alcançado no mesmo intervalo do ano anterior.
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A retração ocorreu enquanto o comércio exterior brasileiro crescia com outros parceiros, indicando que o desempenho negativo não foi provocado apenas por uma redução geral das vendas externas do país.
Participação americana caiu ao menor nível desde 1997
Os Estados Unidos responderam por 9,4% das exportações brasileiras no primeiro semestre. Esse foi o menor percentual desde 1997, quando teve início a série histórica utilizada no levantamento.
A queda revela uma perda de espaço do mercado americano na pauta brasileira. Mesmo permanecendo como parceiro relevante, os Estados Unidos absorveram uma parcela menor dos produtos exportados pelo Brasil.
Comércio bilateral movimentou US$ 36,4 bilhões
A soma de exportações e importações entre Brasil e Estados Unidos chegou a US$ 36,4 bilhões entre janeiro e junho. O resultado representa uma redução de 12,8% na comparação com o primeiro semestre de 2025.
O recuo atingiu os dois sentidos da relação comercial. Além de exportar menos para os Estados Unidos, o Brasil também reduziu as compras de mercadorias produzidas no mercado americano.
Produtos tarifados concentraram a maior retração
Segundo a Amcham Brasil, as mercadorias atingidas pelas tarifas registraram queda de 16,6% nas exportações para os Estados Unidos. Entre os itens não submetidos às medidas, o recuo foi de 8,7%.
A diferença reforça a relação entre as barreiras comerciais e a perda de receita. Os produtos sobretaxados apresentaram uma redução quase duas vezes maior do que aquela observada nos itens preservados das tarifas.
Nova tarifa de 25% amplia a pressão
Uma tarifa adicional de 25% entrou em vigor em 22 de julho de 2026, após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR.
A nova medida acrescenta pressão a um fluxo comercial que já vinha apresentando retração. Empresas brasileiras agora enfrentam custos adicionais para vender determinados produtos ao mercado americano.
Exceções protegem parte da pauta brasileira
Aproximadamente 60% das exportações brasileiras para os Estados Unidos permanecem protegidas por exceções, conforme o levantamento citado pela fonte. Essa parcela não foi incluída integralmente nas novas sobretaxas.
Apesar da abrangência das exceções, muitos produtos manufaturados ficaram fora da lista. A indústria tende a sentir os efeitos de forma mais direta porque diversos bens processados passaram a enfrentar tributação adicional.
Café sofreu a maior queda entre os principais produtos
O café não torrado apresentou retração de 34,8% nas vendas para os Estados Unidos durante o primeiro semestre. Foi a maior queda entre os dez principais produtos brasileiros comercializados com o mercado americano.
O resultado atingiu um item tradicional da pauta exportadora. A redução mostra que o tarifaço dos Estados Unidos alcançou setores ligados tanto ao agronegócio quanto à indústria.
Petróleo bruto recuou 30,4%
As exportações brasileiras de petróleo bruto para os Estados Unidos diminuíram 30,4%. O produto apareceu como o segundo mais afetado entre os principais itens analisados pela Amcham.
Essa retração contribuiu significativamente para o resultado total, devido ao peso do petróleo na balança comercial. Variações nas vendas do produto podem alterar rapidamente o valor movimentado entre os dois países.
Produtos de ferro e aço perderam espaço
Os produtos semiacabados de ferro ou aço registraram queda de 21,7% no período. O desempenho reforça o impacto das tarifas sobre segmentos industriais brasileiros.
Também houve redução de 1,2% nas exportações de ferro-gusa de ferro ou aço. A combinação pressiona cadeias produtivas que dependem de contratos internacionais, escala e previsibilidade de demanda.
Celulose também encerrou o semestre em queda
As vendas brasileiras de celulose para os Estados Unidos recuaram 9,4%. Embora a queda tenha sido menor do que a observada em café, petróleo e produtos siderúrgicos, o resultado manteve o setor entre os principais afetados.
O desempenho mostra que as perdas não ficaram restritas a uma única cadeia econômica. Diferentes setores exportadores enfrentaram redução de receita no mesmo mercado durante o período analisado.
Carne bovina avançou apesar do cenário
Nem todos os produtos registraram retração. As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos cresceram 41% no primeiro semestre de 2026.
O avanço foi o maior entre os principais itens que ampliaram suas vendas. O resultado demonstra que a pressão tarifária não atingiu todos os setores com a mesma intensidade.
Aeronaves aumentaram vendas em 32,9%
As exportações de aeronaves cresceram 32,9% no período. O desempenho ajudou a compensar parcialmente as perdas registradas em outros segmentos da pauta brasileira.
Equipamentos de engenharia também avançaram 23,8%. Esses resultados indicam que determinados produtos de maior valor agregado conseguiram ampliar presença no mercado americano.
Máquinas elétricas e óleos combustíveis cresceram
As exportações de máquinas de energia elétrica aumentaram 16%, enquanto os óleos combustíveis registraram alta de 13,7%. Ambos aparecem entre os cinco principais produtos com expansão no semestre.
Os avanços, entretanto, não foram suficientes para impedir a queda geral de 13%. A retração de grandes itens como café e petróleo teve peso superior aos ganhos observados em outros segmentos.
Exportações globais brasileiras avançaram 11,5%
Enquanto as vendas para os Estados Unidos recuaram, as exportações brasileiras para o conjunto dos mercados internacionais cresceram 11,5% no primeiro semestre.
A China teve papel central nesse movimento, com aumento de 21,9% nas compras de produtos brasileiros. O desempenho reforçou a diferença entre a retração americana e a expansão observada em outros destinos.
União Europeia aumentou compras do Brasil
As exportações para a União Europeia cresceram 12,8% no mesmo período. O avanço contribuiu para sustentar o desempenho global do comércio exterior brasileiro.
Esse deslocamento pode modificar gradualmente a distribuição dos parceiros comerciais. Quando um mercado aplica novas barreiras, empresas exportadoras tendem a procurar destinos capazes de absorver parte da produção.
Junho trouxe o primeiro sinal de recuperação
Depois de dez meses consecutivos de queda, o valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos aumentou 3,7% em junho. O resultado interrompeu uma sequência negativa iniciada após as tarifas aplicadas em agosto de 2025.
O volume físico embarcado, porém, continuou diminuindo. Isso indica que a melhora ocorreu por preços maiores ou por mudanças na composição dos produtos vendidos, e não por aumento da quantidade exportada.
Importações americanas também diminuíram
As compras brasileiras de produtos dos Estados Unidos recuaram 12,5% no primeiro semestre. A redução mostra que o enfraquecimento do comércio bilateral atingiu também os fornecedores americanos.
A maior queda ocorreu em máquinas e motores, cujas importações diminuíram 76%. A perda representou aproximadamente US$ 2,7 bilhões em compras que deixaram de ser realizadas.
Aeronaves e peças importadas perderam demanda
As importações brasileiras de aeronaves e componentes produzidos nos Estados Unidos caíram 14,6%. A retração correspondeu a cerca de US$ 100 milhões.
Esse desempenho reforça o movimento de redução das trocas comerciais. O enfraquecimento não ficou concentrado apenas em commodities ou produtos brasileiros atingidos pelas tarifas.
Seção 301 mantém risco de novas medidas
A investigação americana foi conduzida com base na Seção 301, mecanismo da legislação comercial dos Estados Unidos que permite apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
O procedimento pode resultar em tarifas e outras medidas comerciais. A Amcham alertou que novas sobretaxas poderiam comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos.
Amcham defende negociação entre os países
Para a entidade, o resultado do primeiro semestre confirma que a relação bilateral atravessa um período de forte pressão. A organização defende um acordo capaz de evitar a ampliação das barreiras.
A previsibilidade é importante para empresas que dependem de contratos, investimentos e planejamento logístico. Mudanças frequentes nas tarifas podem elevar custos e adiar decisões de produção e exportação.
Indústria enfrenta risco de perda de competitividade
Produtos manufaturados costumam depender de cadeias produtivas complexas e margens calculadas com antecedência. Uma sobretaxa pode tornar uma mercadoria brasileira mais cara do que alternativas disponíveis no mercado americano.
Nesse cenário, compradores podem procurar fornecedores de outros países. A perda de contratos pode afetar produção, investimentos e empregos nas empresas mais expostas ao comércio com os Estados Unidos.
Conflito no Oriente Médio aumenta a incerteza
A Amcham também mencionou o conflito no Oriente Médio como elemento adicional de pressão. Uma elevação nos custos do petróleo e do gás natural pode afetar transporte, energia e produção industrial.
O efeito não se limita ao comércio entre Brasil e Estados Unidos. Custos maiores de combustíveis podem se espalhar por cadeias logísticas e reduzir a competitividade de produtos exportados.
Diversificação reduz dependência de um único mercado
O crescimento das vendas para China e União Europeia mostra que o Brasil encontrou demanda em outros destinos durante o período de retração americana.
Essa diversificação pode diminuir a exposição a decisões comerciais tomadas por um único país. Entretanto, setores especializados no mercado dos Estados Unidos nem sempre conseguem redirecionar rapidamente seus produtos.
Tarifaço amplia disputa por espaço no comércio global
O tarifaço dos Estados Unidos atingiu um momento em que o comércio exterior brasileiro crescia em outras regiões. A combinação de queda de 13%, participação de apenas 9,4% e novas sobretaxas reforça a mudança na relação entre os dois mercados.
O segundo semestre deverá mostrar se a reação observada em junho foi apenas pontual ou o início de uma recuperação mais consistente. Na sua avaliação, o Brasil deveria priorizar um acordo com os Estados Unidos ou acelerar a busca por novos mercados? Deixe sua opinião nos comentários.

